:: ‘Artigos’
CIPRESTES (PARA RONALDO PINTO)
Por Valdir Barbosa
Quando o filho de Seu Zoroastro descia, logo cedo, em rápidas passadas, a Rua Coronel Gugé, para abrir a loja herdada do pai e fundada há mais de oitenta anos, antes que acessasse o famoso Beco da Tesoura era possível ver bigode farto que escondia um sorriso enigmático, próprio dele mesmo. Em verdade, durante muito tempo, a Casa Cipreste foi local onde se comprava eletrodomésticos e realizava conserto de ferros elétricos, época na qual, não eram praticamente descartáveis tais utensílios.
Sua rotina diária, de segunda a sexta e nos sábados, pela manhã, consistia na atenção aos clientes, muitos deles fidelíssimos, aos quais, durante décadas serviu com distinta educação, traço da sua polidez admirável. Às vezes, nos hiatos da atividade laboral era possível vê-lo sentado num banco, costumeiramente postado quase em frente ao seu estabelecimento, em longas conversas triviais, com velhos amigos frequentadores do lugar. :: LEIA MAIS »
Luto
Por Valéria Figueira *
Quando aconteceu o primeiro óbito em Conquista em decorrência da covid-19, muitos sentimentos passaram por nós. Percebemos que a morte está mais próxima e precisaremos ressignificá-la. Certamente essa é a mais dura lição desta pandemia.
Além da quantidade, da forma inédita em que a morte está se manifestando, precisamos lidar com a grande dor de não participarmos do sepultamento dos nossos entes queridos, como estávamos habituados. “Parece frio e desumano, não poder abraçar, é um sentimento de muita tristeza não poder prestar nenhuma homenagem na última despedida”- relatou uma amiga.
Sabemos que o luto é um importante rito de passagem, e que os ritos fazem parte da natureza humana. Eles são culturais, vêm de nossos ancestrais e estão tão arraigados, que raramente paramos pra pensar se eles fazem sentido. :: LEIA MAIS »
O desprezo de Regina Duarte para com as perdas de Moraes Moreira, Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza: artistas de inegável importância na cultura nacional
* Por J Rodrigues Vieira
Nesse tempo o qual temos a clara necessidade de lermos a realidade indecisa de uma crise, em meio a vertiginosa rapidez da expansão do novo coronavírus, algumas figuras iluminadas que não nos permite viver alienados no tempo em que existimos, nos deixaram nos últimos dias: Moraes Moreira, Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza.
Em sua liberdade artística, Moraes Moreira tinha orgulho de sua baianidade e brasilidade, se tornando um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira, cantando as alegrias e as mazelas de um povo em formação; Rubem Fonseca era um profundo conhecedor do submundo carioca e suas figuras icônicas que se reproduzem como herdeiros de uma sociedade injusta; Luiz Alfredo Garcia-Roza enveredou-se pelos romances policiais, com temas recorrentes ao tráfico de drogas e violência, dando relevo a uma narrativa de dramas pessoais mal-resolvidos.
O jogo de ideias através da palavra me fascina. Talvez, eu seja mais um leitor de literatura do que propriamente um escritor ficcionista. Na percepção de mundos imaginados e acontecidos em meus cadernos de aprendiz literário, não posso deixar de reconhecer as influências de Moraes Moreira, quando adolescente, vivi a mística e efervescente Salvador dos anos 80; de Rubem Paiva, quando a professora Artêmis, nas frias noites paulistanas no início dos anos 90, me fez descobrir e mergulhar no prazer da leitura; e ao tomar contato com a ficção policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza, nas oficinas literárias da Escola Panamericana de Artes. :: LEIA MAIS »
O coronavírus: as condições para as populações afrodescendentes no Brasil são as mesmas herdadas de oligarquias escravocratas
Por Herberson Sonkha*
O modus vivendi das populações africanas e afro-brasileiras no mundo é perpassado pela miséria e extrema pobreza material e intelectual. Por isso, torna-se peremptoriamente vulnerável à letalidade do vírus para nossas populações negras. Vide a sua agressividade frente à ausência de terapia medicamentosa, restando apenas o isolamento social para quem tem casa como prevenção eficiente no combate à propagação da infecção.
Apesar dos enormes avanços nas ciências, tecnologias e equipamentos digitais, o mundo está às voltas com o insopitável vírus mutante (vírus RNA). O SARS-Cov-02 deu origem ao nefasto Coronavírus (Covid-19), aliás, até o momento ainda é indestrutível por meio de medicamentos. A primeira infecção confirmada ocorreu na China em 17 de novembro de 2019, na província de Hubei, desde então viralizou-se pelo mundo como uma grande pandemia que já infectou 1,9 milhão de pessoas com 114.983 mortes no mundo todo.
Antes de apresentarmos a situação de múltiplas vulnerabilidades que classifica a população negra no Brasil como portadora de perfil de alto de risco de contagio e letalidade, é preciso ampliar o olhar crítico sobre o modus vivendi de populações africanas e egressas de diásporas africanas no mundo. Deve-se abordar, sobretudo, às questões socioeconômicas e políticas da África contemporânea que possuem traços muito parecidos em alguns aspectos com o do Brasil das populações afrodescendentes. :: LEIA MAIS »
Bolsonaro e a videoconferência da negação profética para lucrar com a boa fé das pessoas
Por J Rodrigues Vieira*
Nesse momento indeciso, o que sabemos realmente sobre a realidade dos fatos?
Ante ao desconhecido, numa videoconferência transmitida pela TV Brasil no domingo de Páscoa, o empresário e pastor Silas Malafaia chamou a imprensa de “profetas do caos”. Em seu antropocentrismo, que nos deixa parecer ser mais financista e menos de profissão de fé, Silas Malafaia desconsidera uma pandemia que já matou milhares de pessoas no Brasil e no mundo, alegando ser as medidas de combate ao novo coronavírus, uma grande conspiração contra o presidente Jair Bolsonaro. Naquela videoconferência, além do próprio presidente Bolsonaro, também estavam o deputado Marco Feliciano, a esposa de Silvio Santos, Iris Abravanel, o padre Reginaldo Manzotti, entre outros, que ouviram “agraciados”, o empresário e pastor dizer que nenhuma previsão catastrófica acontecerá no nosso país. :: LEIA MAIS »
Oração e Ação
Professor Luiz Ibiapaba
Assisti, com muita atenção, à entrevista do prefeito Herzem Gusmão ao Bahia Meio Dia da TV Sudoeste, no dia 06 de abril. O prefeito foi muito atencioso para com o entrevistador e, ao mesmo tempo, humilde diante da situação catastrófica gerada pelo COVID-19, em Vitória da Conquista, quando ele, Herzem Gusmão, solicitou aos conquistenses que se “unissem em um dia de orações e jejuns pela nossa cidade”.
Nesta manhã, fui honrosamente surpreendido pela iniciativa da entidade Atividades Massicas, conclamando toda sociedade conquistense a se unir – independentemente de questões políticas, partidárias, eleitorais, credos religiosos e qualquer outro elemento desagregador – no sentido de socorrer nossa cidade dos resultados nefastos gerados por esta crise.
Certa vez, Jesus propôs uma parábola, dizendo:
“Certo homem descia de Jerusalém para Jericó, e veio cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. :: LEIA MAIS »
A Páscoa do Senhor e os novos sonhos
Valéria Figueira, de Salvador, nos envia esse belíssimo texto
A nossa amiga conquistense, tão presente em nossa vida, desde os tempos do Educandário Juvêncio Terra, nos ajudando a escrever a história do Massicas na terra da sua saudosa tia, a inesquecível professora e historiadora Heleusa Figueira Câmara, que Deus tirou do nosso convívio há um tempinho atrás.
Neste sábado Santo, silencioso, sem os fiéis participarem da tradicional procissão, um sinal quase que inaudível do celular chega aos meus ouvidos e me convida a abrir a tela. Ao fazê-lo, deparo com uma mensagem da minha querida amiga dando conta de que “tem um textinho aí pra você!“. :: LEIA MAIS »
Mais uma da série: Meu Leitor Oculto
Em duas oportunidades postamos aqui textos de um amigo que é leitor do nosso blog e também ouvinte do nosso programa na Transamérica 100,1, e que considero suas opiniões muito importantes, daí eu transcrever aqui no nosso canal de comunicação.
Com o advento da crise que o novo Coronavírus causou em todo o mundo, sempre é muito bom compartilhar notícias e opiniões que podem colaborar para sabermos qual caminho seguir após voltar a calmaria ao nosso planeta Terra. :: LEIA MAIS »
Ao repetir palavras de Trump, Bolsonaro recomenda o tratamento com hidroxicloroquina (?)
Por J Rodrigues Vieira**
Sobre a crise em torno da pandemia do novo coronavírus, em seu pronunciamento, quarta-feira, 8 de março, o presidente Jair Bolsonaro repetiu textualmente uma frase dita pelo presidente dos EUA, Donald Trump: as consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença. Tantas vezes, se colocando numa inferioridade voluntária, o presidente tem verdadeira veneração por tudo que é estadunidense, sem conseguir disfarçar o fascínio por uma realidade que só existe no sonho superficial daquele país.
Quem não se lembra da continência prestada à bandeira e a tentativa forçada do presidente em indicar o filho Eduardo Bolsonaro para embaixador nos Estados Unidos. Ainda que, sem legalidade e legitimidade, a evidente falta de qualificações técnicas de seu filho seria uma histórica vergonha para diplomacia brasileira. Mas, a razão desceu sobre o congresso que o impediu de lastimável ato. No entanto, o presidente Bolsonaro insiste e parece não perceber que sua adulação à Donald Trump, nos põem numa situação subalterna vexatória perante o mundo. O desejo quase fetichista de sua família, finge desconhecer o Imperium in império: a máquina política extremamente profissional dos Estados Unidos; máquina movida com muito sorriso no rosto e desprezo no pensamento. :: LEIA MAIS »





















