Perspectiva do mercado de trabalho no cenário contemporâneo causado pelas inovações tecnológicas
Por Eduardo Augusto Brito Arêas*
Está rondando um pessimismo no imaginário sobre o futuro de algumas profissões, como administração, por exemplo, em que a automação poderia tornar as habilidades humanas obsoletas. Até que ponto esses movimentos fazem sentido? Para entender o momento atual de mudanças tão abruptas, faz-se necessário analisar o caminho pelo qual a humanidade percorreu até aqui. O homem passou por alguns pontos de mutação. As primeiras civilizações eram nômades e, em um determinado momento, se fixaram e passaram a produzir para própria subsistência; depois, veio a Primeira Revolução Industrial, demarcada pelo surgimento da máquina a vapor e o ferro. Nesse momento, o homem passou a produzir bens em fábrica. Na Segunda Revolução Industrial, trocam-se as fontes de energia, do vapor para energia elétrica; do ferro para o aço e surge a indústria química e, com isso, os derivados do petróleo. Na contemporaneidade, falamos em revolução tecnológica, em nano tecnologia e em indústria 4.0. Esta quarta revolução se caracteriza pela convergência digital, física e biológica, através da qual estamos conseguindo avançar na criação de novas tecnologias, como a nuvem, a internet das coisas, big data, inteligência artificial e biotecnologia. Trata-se de uma nova revolução que não está mudando somente o nosso cotidiano e a forma como fazemos as coisas, está mudando o que somos.
De fato, o desenvolvimento tecnológico é o que sempre marcou as mudanças na humanidade. Nesse sentido, é importante verificar que, em todos esses pontos de mutação, houve períodos de adaptação, não só nos costumes, mas, sobretudo, no campo profissional, no qual algumas profissões e negócio foram extintas e outras surgiram. Acredito que, ao mesmo tempo em que a automação é um caminho sem volta, o comportamento das novas gerações e a própria abundancia de novas tecnologias estão fazendo com que aflorem valores, habilidades e competências humanas para os negócios, para a educação e para as escolhas de novas profissões. Portanto, competências, como criatividade, colaboração, compartilhamento, espírito empreendedor, capacidade de experimentação, inteligência emocional, atenção plena, empatia e transparência fazem parte desse elenco, e que serão cada vez mais visíveis em tudo que envolve a vida profissional.
Cultivar a criatividade, desenvolver a inteligência emocional e construir empatia, são habilidades que os robôs ainda não podem substituir. Considerando que, das habilidades humanas, a criatividade seja a mais difícil de reproduzir por máquinas, esse é um passo mais estratégico do que intuitivo na construção e uma nova mentalidade. Por mais paradoxal que pareça todo esse contexto, está aparentado ser uma espécie de resgate da importância da parte humana em meio a tanta tecnologia, mostrando o quão essencial são as competências humanas para a gestão e para a transformação do mercado de trabalho. Nesse contexto, a pergunta não será mais: “minha empresa vai ser impactada por essas avalanches de mudança?” Mas, sim, “quando isso ocorrerá?”.
*Administrador de Empresas, especialista em Controladoria e Finanças, Mestre em Bioenergia, Servidor da SEMTRE/PMVC e professor da FAINOR e FTC.

















Muito oportuna, precisa, atual e relevante abordagem do Prof. Eduardo Arêas, parabéns pelas reflexões.