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:: ‘Artigos’

EDITORIAL: Lula, Sócrates, Portugal e Brasil: quando o passado é uma roupa que já não serve mais

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Por Fabio Sena

É recorrente entre brasileiros ajustar as contas com suas desventuras do presente atribuindo aos seus colonizadores portugueses e seus males de origem uma causa única, totalizadora e da qual não há escapatória: esse passado condena o Brasil. Portugal mesmo estaria condenado a si próprio e não conseguiria, nesta linha de raciocínio, se desamarrar daquele quadro de parasitismo de sua elite, conjugada com um estranho pendor para regimes autoritários, para a falta de iniciativa e de amor ao trabalho, elementos que colocariam o país sempre em descompasso com a Europa, e seus habitantes sempre frustrados em função disso.

Ao formularem acerca de uma das mais graves crises econômicas enfrentadas pelo país – que ainda perdura e que foi iniciada em 2008 – especialistas associavam os desatinos, em grande medida, à onda de gastos realizados nos tempos da bonança, dentre os quais se poderia apontar os confortáveis e caríssimos estádios para a Euro Copa de 2004, alguns dos quais hoje são elefantes brancos, bem como as modernas rodovias duplicadas cortando todo o país, sem uma demanda que desse retorno à monta de tal investimento.

Era como se ali na nossa antiga metrópole se antecipasse o que viria a ocorrer no Brasil, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, e uma proliferação país afora de obras superfaturas ou não-finalizadas, cujo exemplo máximo é o COMPERJ, a nos lembrar que aqui também o período de bonança (menor e mais curto que o português) igualmente nos levou a uma armadilha do gasto irrefreável, sem lastro, e comprovadamente inútil, viu-se: verdadeiros monumentos ao desperdício não notados nos períodos de bonança, ou, quando notados, são por aquelas vozes destoantes, pelo azedume, pelo pessimismo de uma oposição despeitada, incapaz de acompanhar o sentido de grandeza que esses períodos – depois tornados trágicos – trazem consigo. :: LEIA MAIS »

Lixa, Tesoura e Suspeitos

delegado valdir barbosa

Por Valdir Barbosa

N­ada tenho contra Geddel. Nem a favor. Mas, conhecendo a obra que fala do magistral Renato Russo digo ter tido mais sorte do que ele. Não fui obrigado a conviver em sala de aula com o mega cênico “suíno” – a alcunha não é obra minha, todavia, a última cena protagonizada pelo político foi realmente mega -, segundo Renato, in-su-por-tá-vel. Caso realmente o seja posso afirmar, fosse vivo, o autor de tantas letras geniais passaria a ser, um a-for-tu-na-do. Afinal, muito mais “russo” dividir com o “agatunado” – também não fui eu quem nominou assim o ex-parlamentar – a cela diminuta da Papuda assistindo-o fazer na privada, tantas coisas feitas as escondidas, quando homem público, contudo, ali, sem qualquer privacidade.
O país tem assistido, sobretudo via imprensa, incontáveis absurdos, na esteira de incríveis atitudes próprias de pessoas, muitas delas representando instituições, totalmente desprovidas de senso ético e compromisso com os interesses da sociedade, verdadeiras alavancas do despautério e estimuladoras da impunidade.
Recente notícia inspirou o texto que escrevo nesta manhã, cuja manchete repito na íntegra, me permitindo não comentar acerca do referido assunto, para deixar ao leitor, a oportunidade de tirar suas próprias conclusões: ” “Vamos esperar a Justiça” diz Deputado Pedro Tavares ao negar a expulsão de Geddel” – referindo-se ao atual presidente do PMDB baiano. :: LEIA MAIS »

Não, não, não, não, não!

Edvaldo
Por Edvaldo Paulo de Araújo

Não sou um homem de “talvez”. Às vezes, fico quieto. Posso ser evasivo. Às vezes, irei adiar ou tentar evitar dizer. Mas, no fim, não irei dizer o que você quer ouvir só porque é o que você deseja.
Mesmo que tenhamos um instinto quase sobrenatural para agradar, mesmo que odeie desapontar as pessoas, sejamos adeptos de dizer “não” quando for “não”. Há momentos em que podemos dizer, “deixe-me pensar sobre isso”, mas quando soubermos que a resposta é “não”, devemos dizer. Sei que isso não é tão fácil ou simples quanto parece. Não esqueçamos que “não” é uma sentença completa e definitiva.
Não gosto de dizer essa palavra e acho que ninguém gosta. Muitas vezes, lutamos para dizê-la de modo cortês. O preço de não dizer “não” agora torna-o ainda maior e mais difícil de dizê-lo depois. Melhor desapontar alguém logo. Não vou impingir o custo disso a outra pessoa; quando digo, sou claro e definitivo. Oferecer esperanças é deixar a porta entreaberta. Se esta é a decisão, por que não fechar a porta?
Fernando Nascimento sempre me dizia que não gostava de emprestar dinheiro a amigos, pois o risco era de perder os dois. Que era melhor ficar com vergonha um minuto, quando se proferia o “não”, do que ficar com ele engasgado por toda a vida por ter dito “sim”.
Tenho dito muitos “nãos” em minha vida. ”Desculpe, mas a resposta é não”. Não devemos desperdiçar os “nãos” quando não o forem (risos). Nas nossas vidas, temos dito muitos “nãos” no momento em que era preciso. Não digo “não” quando não tenho que dizer. Muitas vezes, fui estratégico nas “negativas”.
Sempre, em recrutamento, tenho que apreciar currículos; nunca engano, pois não gosto de dar falsas esperanças. A maioria das pessoas diz: – “depois te ligo”, “vou apreciar com calma”, etc. Não faço isso. Digo sempre de maneira clara e direta, quando é negativa – “Existem pessoas mais preparadas e que tiveram uma melhor performance que a sua. Estude. Melhore. Talvez se saia melhor em uma outra oportunidade”. Outro dia, vi um currículo de que não gostei e, na entrevista, gostei menos ainda. Devolvi o currículo ao rapaz e disse claramente a ele o que pensava, de maneira direta e firme. Ele foi embora. Passaram-se uns dois anos e, num belo dia, esse mesmo rapaz solicitou falar comigo. Chegou bem vestido, usando gravata. Foi logo dizendo – “vim lhe agradecer a lição que o senhor me deu um tempo atrás. Quando saí daqui, saí bastante zangado; minha esposa me pediu calma, como se dissesse que o senhor tinha razão e, hoje, reconheço que tinha. Tomei a atitude de ouvir o seu conselho e hoje me encontro em uma situação privilegiada, graças à sua negativa, graça ao seu ‘não”. :: LEIA MAIS »

Amigos desde pequenos!

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É comum ouvirmos essa frase. “Esses dois aí são carne e osso”. Mas o que é mesmo ser e ter amigo? Vejam na foto que exponho aqui a beleza dos personagens, a graça, a alegria e a pureza de todos. Não falo exclusivamente da beleza física, me refiro à beleza dos abraços e dos sorrisos de cada um, falo da beleza da alma e que a gente percebe só em olhar para cada uma dessas crianças.
E como estão os nossos amigos de infância, aqueles que estudamos juntos desde os primeiros passos na escola? :: LEIA MAIS »

Um novo olhar

Edvaldo

Por Edvaldo Paulo de Araújo

Segundo Ramatis, em seu livro o Sublime Peregrino (Editora Conhecimento Editorial,17ªedição de 2006), a vinda de Jesus levou mais de 1.000 anos terrenos em preparação, e que o espírito do Mestre é tão grande, que, comparativamente, fora como pegar o sol e colocar numa garrafa ou em um jarro.
É tão importante a vinda dele, tão grandiosa, que o calendário se separa em duas épocas: antes e depois dele. A missão de Jesus, infinito, grandioso e sublime Mestre, fora indicar os rumos para uma humanidade, antes tão bruta e com um viver tão banal, à procura de um norte verdadeiro. A sua energia era e é grandiosa. Ramatis ressalta que, embora ele tenha vivido numa época em que não havia jornal, TV e rádio, sua palavra tornou-se referência de amor, modelo de vida, da verdade absoluta para humanidade errante. Seus ensinamentos foram registrados por seus discípulos, que conviveram com Ele.
Quando ainda bebê, quem O visitava impressionava-se com tamanha beleza. As pessoas ao seu redor saíam abastecidas de uma energia e felicidade que não sabiam explicar, pela tamanha beleza, a harmonia, luz, divindade e a força daquela criança em um berço tão humilde. Em sua humilde residência em Nazaré, formavam-se filas enormes de pessoas querendo o conhecer, tocar, sentir e estar na sua inigualável presença. Assim o fora durante toda a sua passagem pelo Planeta, até o retorno para a vida espiritual.
Segundo Ramatis, Ele teve dificuldades na escola, pois lá não tinha nada a aprender e, sim, apenas e humildemente ensinar. Há um episódio descrito no Evangelho que, um certo dia, José e Maria O levaram, como era costume entre os judeus, para a apresentação no templo, aos 12 anos. Lá O perderam de vista. Depois de O procurar por todos os lugares, viu um aglomerado de doutores e, entre eles, O encontraram dando-lhes lições sobre a vida e as Escrituras. Ainda muito jovem, já encantava a todos ao discutir com aqueles senhores temas atinentes ao Evangelho. José e Maria ficaram impressionados com seu filho amado. Esse era Jesus quase adolescente. :: LEIA MAIS »

Domingos de Souza

delegado valdir barbosa

Por Valdir Barbosa

Como homem de polícia pude conviver, desde quando ensaiei meus primeiros passos na carreira, com profissionais responsáveis por levar ao publico, noticias vindas dos bastidores, onde a pugna entre responsáveis pelo combate ao crime e os protagonistas do equivoco, à luz da lei, é a tônica.
Lembro-me de Juracy, radialista da emissora AM de Itapetinga, onde debutei no mister, além de outros daquelas plagas e tempos, olvidados por conta dos lapsos normais impostos aos quase septuagenários, como eu, para confessar que fui marcado por atuações de ícones, tais como, Walmir Palma, Alberto Miranda, Moacir Ribeiro e tantos seguidores, na difícil arte de fazer matérias policiais.
Poderia falar de muitos outros, desta plêiade de figuras representativas da imprensa escrita baiana daquele tempo, assim como Raimundo Vieira que mourejou nas duas frentes de batalha – foi escrivão de polícia e repórter policial, hoje atuando no TRE da Bahia -, além dos irmãos Cristovão e Cristovaldo Rodrigues. :: LEIA MAIS »

Quando eu for embora

Edvaldo

Por Edvaldo Paulo de Araújo

Quando eu for embora, espero e luto para que seja em paz comigo, com meu espírito e com Deus. Espero que tenha cumprido a minha missão. Que tenha obtido, nesta passagem, o crescimento esperado e que esteja voltando melhor do que quando aqui cheguei. Espero que seja um belo dia de sol. Que os pássaros que alimento em meu jardim cantem e exaltem a alegria da viagem. E que alguém deixe descer uma lágrima doída de despedida.
Quando eu for embora para o outro lado da vida, quero que alguma parte do meu corpo seja doada para servir a uma outra pessoa, meu irmão. Que ele usufrua dessa dádiva da ciência e que saiba quem fui. Saiba que amei, chorei, lutei minhas lutas e fui bastante feliz na minha caminhada. Saiba que tive diversos mestres com os quais muito aprendi, tendo sido o maior deles, a quem amei e amo, minha referência de vida, Jesus.
Quando for embora, vou levar muita saudade. Espero encontrar o apoio dos amigos espíritos de luz, a força da compaixão e o consolo necessário para suportar a saudade dos que amei. Que o vento sopre a sua brisa mais acolhedora, e que o sol, que a todos ilumina, faça com que uma pequenina fagulha dos seus raios penetre por alguma fenda e deixe iluminar a minha face final.
Quando for embora, espero que alguém, em minha homenagem, recite um poema qualquer, contanto que fale da vida, da importância de viver e amar, servir e abençoar, compreender e não julgar. Que saiba apreciar o canto dos pássaros no silêncio da floresta. Que saiba ser amigo sempre, que procure amar a criança e o velho, como se amasse o Mestre sublime Jesus. Que busque, no ser humano, irmandade. E, que a cada dia que nasça, realizando o milagre da criação, sorria e agradeça a Deus por mais um dia, pela oportunidade de estar cumprindo a sua missão. :: LEIA MAIS »

Padrinhos

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Por Edvaldo Paulo de Araújo

O que é serem padrinhos?
O nosso povo, na sua maioria, professa a fé católica, cujo sacramento do batismo alberga uma figura tradicional que é os padrinhos. Um casal, por consideração, aproximação e respeito, convida outro para que batize seu filho e, muitas vezes, sem noção do real significado. Numa época difícil para a religião católica, dominada por filosofias outras de vida, ideologias, nasce a figura dos padrinhos, há muitos séculos, querendo, além dos compromissos dos pais, mais um casal com a responsabilidade de conduzir o rebento nessa fé e ser para a vida, na falta dos genitores, a substituição dos mesmos para a vida.
A Igreja, através do seu Código do Direito Canônico, criou algumas normas para que se escolham os padrinhos do batizando. Obviamente que sejam católicos confirmados e já tenham recebido a Santíssima Eucaristia, e leve uma vida com fé e o conhecimento do que irá desempenhar.
Padrinhos são como pais, como segundos pais, com as devidas obrigações e devem-se manter sempre e para sempre na vida dos afilhados. :: LEIA MAIS »

Ser polícia

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Por Valdir Barbosa 

Dia destes, meu querido neto, Gabriel, em cujas veias corre o sangue das duas instituições policiais que honram a Bahia – o avô é este calejado homem de polícia civil e o pai, oficial da briosa corporação coirmã – me perguntou, do alto da sua santa inocência e sapiente curiosidade infantil. Vovô, o que é ser policial.
Admirou-me a cobrança, muito embora, por obvio, tenha aguçado seu interesse, a pugna permanente do pai, integrante de equipe especializada da Polícia Militar, com atuação nas terras do cacau e entorno, ausente de casa por longos dias, a enfrentar os desafios todos, conhecidos das mulheres e homens de polícia, idênticos em todo país e porque não dizer mundo afora.
Também, quiçá, seu questionamento guarde motivos, mesmo sendo ainda pequeno, em face das histórias hoje contadas pelo pai de sua genitora, pois a vida nos reserva momentos de fazer história e ao final contá-las. Vivo hoje o privilégio do doce momento de rememorar.
Pensei em começar dizendo, o quanto ser polícia exige grande dose de vigilância, ao lembrar frase que alguns atribuem a Shakespeare: “A eterna vigilância é o preço da segurança. Pois, alguns devem velar enquanto outros dormem”. Todavia, acreditei devesse ser o mais simples possível, para tentar explicar aquela criança, por mais complexa seja a atividade policial, por mais que sejam enormes os desafios e riscos dela inerentes e pretendi, na fração de segundos responsáveis por separar a indagação do resultado esperado, falar da beleza escondida no ato de fazer polícia. :: LEIA MAIS »

Eu me lembro

Edvaldo

Por Edvaldo Paulo de Araujo

Menino de nove anos de idade, ano de 1964. O Brasil vivia o momento do golpe militar. Arrumam suas poucas roupas humildes, simples, todas feitas pela mãe, algumas de ultima hora e se prepara para ir estudar na cidade grande. É forte a curiosidade ao novo, os medos, a apreensão de viver na casa alheia. Lembra de uma pequena viagem, que foram tão poucas na sua vida e se recorda da falta que sentiu da sua casa e do que rodeava esta humilde morada. Só em pensar já começa a sentir saudade do seu cavalo, dos animais de estimação, do jogo de futebol no campinho com os amigos no final da tarde.De joelhos numa cadeira olhava pela janela os campos, as florestas,a pequena e tão querida Veredinha. Duvidas e as palavras do seu pai e sua mãe quanto ao futuro, quanto à estrada que ele tinha que percorrer. Não era fácil despedir do afeto dos seus.

Ao longe vislumbra o veiculo caçamba, que o transportaria para a cidade onde iria estudar. As ultimas recomendações da mãe Nede e do pai Chico.A benção e o abraço apertado, complementado com a voz embargada de Da Nede dizendo: “Deus te abençoe e te guarde meu filho”.As lagrimas corria em seu rosto pequeno,nunca tinha vivido um minuto sequer sem a sua família,sem a liberdade da fazenda, sem a sua casa,sem a sua cama companheira de olhares para o teto, sonhando acordado.

A voz do pai chamou atenção pela chegado do caminhão. Da Nede segurou em sua mão e percorreu o caminho até o veículo e mesmo com pouca distancia, foi difícil esse percurso. Subiu na caçamba que logo partiu. Ficou olhando até a imagem da sua mãe ser encoberta pela montanha.A pergunta sem resposta não calava na sua mente, porque tenho que ir?Por quê?Nem a curiosidade de morar num lugar cheio de gente, com novidades, cinema, carros, lojas, não conseguia tirar o pensamento do rosto cheio de lagrimas da sua mãe. :: LEIA MAIS »

alessandro tibo


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