:: ‘Colunistas’
Até porque.
Por Edvaldo Paulo de Araújo
No aeroporto, o serviço de chamada anunciava o meu vôo.Apreensivo e acomodado com o dia-a-dia, que estabeleceu um certo comodismo em mim,precisava entrar naquele avião e fazer a minha viagem, até porque a vida tem que ser de movimentos,deslocamentos quaisquer e a busca eterna pelo conhecimento.
No seu texto “ai que preguiça” o Dr.Drauzio Varela, diz que o corpo humano é feito para se movimentar:
“O corpo humano é uma máquina desenhada para o movimento”.
É dotado de dobradiças, músculos que formam alavancas capazes de deslocar o esqueleto em qualquer direção, ossos resistentes, ligamentos elásticos que amortecem choques, e sistemas de alta complexidade para mobilizar energia, consumir oxigênio e manter a temperatura interna constante.
Em seis milhões de anos, a seleção natural se encarregou de eliminar os portadores de características genéticas que dificultavam a movimentação necessária para ir atrás de alimentos, construir abrigos e fugir de predadores”.
Acordamos pela manhã e a vontade de ficar na cama é imensa. No aconchego dos cobertores, muitas vezes pensamos sempre em ficar mais um pouquinho, mas as atividades diárias nos chamam, até porque não é nada bom ficar deitado o dia inteiro quando se tem uma vida cheia de energia, cheia de oferecimentos bonitos para viver. :: LEIA MAIS »
Parabéns por seres diferente (e pelo aniversário)
*Por Valdir Barbosa
Todos os viventes têm sua individualidade. São marcas próprias, indeléveis, capazes de distinguir gêmeos univitelinos, até porque, a natureza reserva a cada um dos humanos, seu registro digital.
Também, nos demais reinos assim funcionam as coisas, em pássaros de matizes diversas, minerais de durezas singulares, flores com texturas impares nas suas pétalas, animais trazendo pelagens dessemelhantes, enfim, nos dias e noites aparentemente similares que se sucedem, tudo difere a cada segundo seguinte e, como bem disse o poeta, “nada será como antes, amanhã”.
Mesmo que resista na boca da noite um gosto de sol, as ventanias jamais irão seguir a mesma direção, destarte, ainda plagiando Milton e seu parceiro, sempre haveremos de querer noticias dos amigos, então haverei eu, continuadamente, de buscar noticias sobre você, por mais que a vida nos tenha amalgamado, como nos agrilhoou em algemas etéreas, distintas de outras, posto forjadas no bem querer que não aprisiona, ao contrário, libertam pelo poder do amor.
E, justo sobre você, estas palavras brotadas no alvorecer de mais um dia, no rebrotar de outra era da tua existência, posto aportastes décadas atrás, não muitas, neste planeta de testes, exatamente num quatro de junho vinda pelo ventre de mãe e mulher extremosa. Soubestes viver infância lúdica, adolescestes forjada no trabalho e te tornastes adulta na mágica incomparável da maternidade. :: LEIA MAIS »
Jota Malhado
Por Valdir Barbosa
Amigos impares, amores inebriantes, lugares e pessoas impressionantes, determinados fatos e circunstâncias, bons ou maus, capazes de marcar de maneira mais indelével do que ferro em brasa inspiram autores de operas, sonetos, telas, romances, novelas, enfim, tonificam qualquer manifestação artística e cultural responsável por colorir e animar esta singular dádiva, vinda de Energia Pura, a vida.
Sobretudo, ela – a vida – se manifesta especial, quanto mais nos permitimos crescer, na certeza de que não são as benesses, ou provações do cotidiano, impostas à veste frágil concedida aos viventes deste plano passageiro, o quanto importa. Vale mesmo, a certeza de que vimos, cada um dos viandantes desta terra onde aportamos no agora, na missão de evoluir, através condutas que adotarmos alçando voos, rasos ou elevados, nas asas do livre arbítrio. Afinal, apenas despidos deste invólucro carnal para invadir o campo da imortalidade poderemos entender, na plenitude, cada qual envolto no manto alvo, ou gris dos seus merecimentos, o verdadeiro sentido da existência.
Viajo nestas considerações, na manhã deste feriado de abril dedicado a um dos heróis nacionais, imolado no final do século dezoito, por pugnar, em prol da liberdade dessa nação que amamos, cujos filhos ainda continuam agrilhoados, a cada esquina, mortos e esquartejados por aqueles que confiscam direitos de tantos filhos do Brasil, nas garras impiedosas da falácia, da hipocrisia, da absurda e assustadora corrupção aparentemente infindável.
Mas, os parágrafos que abrem meus escritos derramados hoje, no teclado deste contumaz companheiro das manhãs dos derradeiros tempos, longe do aconchego de casa, enfiado no quarto de hotel onde me pus na semana findando obrigado a atender compromissos profissionais, em terras quase lambendo o vizinho Estado do Espírito Santo, se justificam pela necessidade de revelar ao mundo, as marcas de uma saudade que carrego comigo por exatamente um ano. :: LEIA MAIS »
Burrocracia
Por Valdir Barbosa
Tramitei, conforme solicitado, pelo órgão próprio buscando renovar meu passaporte. Através site específico preenchi os campos exigidos e recebi, por via eletrônica, a data do agendamento, no fito de apresentar todos os documentos que confirmavam seria eu, eu mesmo, assim como formulário para pagar a taxa respectiva, ao que realizei o depósito.
Dias depois, me pus frente a funcionária, no S.A.C. do Shopping Barra, naquele dia aprazado, com vistas as providências de praxe. Feitas conferências e procedimentos pertinentes, com o rigor necessário, por se tratar de documento dos mais importantes no cenário mundial, finalmente, recebi protocolo indicando a data na qual meu salvo-conduto estaria disponível.
Sigo novamente para o box da Policia Federal, no idêntico ambiente anterior, certo de poder concluir meu intento iniciado há quase três meses, quando estive diante do computador, onde requeri a renovação. Recolho a senha no balcão de atendimento e após aguardar pacientemente acompanhando a boiada mudando de um lado para o outro, ao talante dos monitores apagando repetidamente fazendo com que todos buscassem o melhor ângulo, no afã de acompanhar na tela do aparelho, a marcha da convocação consigo ver no painel sobrevivente: PFE 67. Suspirei, chegou a minha vez. :: LEIA MAIS »
Respeita a “puliça”!!!
Depois de visitar um campo mais que belo, no qual, assistentes ladeados por lindas, altas e elegantes palmeiras miravam o palco, onde João Omar, Xangai e Toti derramavam seus versos e acordes invado, sábado último, o quase insalubre aeroporto de Vitória, desta Conquista que amo.
Entre pessoas que se acotovelavam, finalmente, a gentil e educada Janete, funcionaria da aviação Passaredo, há anos, me convoca no intuito de finalizar o check in, aos quais devem se submeter todos aqueles que desejam embarcar, em quaisquer dos aeroportos que operam linhas regulares, no Brasil e mundo afora. :: LEIA MAIS »
Marieta da Esquerda (cordel)
Marieta era mineira
Fez direito em Teófilo Otoni
Na época da repressão
O pai foi torturador,
a mãe muitos dedurou
tinha um tio que era espião
Marieta era direita
Tomou gosto pela esquerda
Depois de ter apanhado
Do soldado Valdemar
Que era marido dela
Antes do cabo Vavá
que também largou a tempo
por gostar de maltratar,
era mal de militar.
Marieta depois disso
Tomou raiva da direita
Comprou uma boina do “tchê”
Decorou O Capital
E foi pra a cama com Gabeira
Antes dele esverdear
Ela era radical
Só dava pra intelectual
Guerrilheiro e agitador
Só pra proteger a causa
Trepou com muito “dotô”
Mas depois da abertura
Marieta sossegou
Só ficou a paranóia
que sempre à acompanhou
Não permite militar
no puteiro que montou.
Nando da Costa Lima
Na batida do Olodum
por Nando da Costa Lima
Esse causo ocorreu quando Conquista ainda tinha Micareta… Por sinal a melhor da Bahia. Mas tudo tem seu tempo. Agora nosso carnaval está voltando de uma maneira gostosamente conquistense. “Um pierrot apaixonado que vivia só cantando…”
Olavo não estava acostumado com esse negócio de Micareta, foi criado numa cidade do interior de Minas onde só se tinha notícia do Carnaval pela TV. Era filho único do suplente de deputado José Nôzim da Silva e tinham muito em comum, mas a parte que eles mais se pareciam era na ignorância, eram daqueles que achavam que tudo era coisa de “viado”. Seu Nôzim chegou a mandar arrancar a orelha de um sobrinho que morava em “Sompaulo” só porque o rapaz usava brinco. Segundo ele, em terra que Nôzim pisava homem não usava brinco nem amarrava cabelo pra trás. O filho não fazia por menos, andava com um tesourão de tosar égua só pra aparar os cabelos dos cabeludos safados. Pai e filho eram idênticos fisicamente, ambos beiravam os dois metros e tinham orgulho de serem os únicos capazes de derrubar um bode com um soco. Eram realmente duas prensas, o símbolo de virilidade de Corgão Fundo! Todo menino queria crescer logo pra poder ficar forte como Olavão e muitas mulheres já tinham tentado o suicídio por causa daquele “homão”.
Evite Assombrações
Por Nando da Costa Lima
Eu vinha do boteco para casa, pra não passar pelo matagal do açude, resolvi pegar um atalho pelo quintal da viúva do Capitão Zé Antônio. Foi aí que uma “aparição” achou de atravessar o meu caminho. Eu tava com muita pressa, mas a ‘bicha’ não me deixou dar mais um passo, fiquei paralisado. Quando vi aquela mulherona alta, a força da cachaça não deixou de atiçar meu fogo, mesmo sabendo que era uma assombração! Tava toda de branco, parecia uma noiva flutuando na escuridão, só dava para ver porque a roupa era branca. Mesmo assim deu para sentir que a danada estava de olho em mim, e era olhar de mulher apaixonada! Carente!… Não deu para resistir, depois de dois litros de pinga ruim temperada com qualquer coisa, até assombração fica sexy. Segurei a “noiva assombrada” pela cintura e mandei ver. A má qualidade da bebida atrapalhou meu desempenho, só consegui dar meia, nem dá pra falar que aquilo foi uma! O esforço fez a pinga melhorar, o medo encostou e eu dei carreira que só parei em casa, amarelo e suando frio!
Ao Pastor de Estrelas
Por Nando da Costa Lima
Vejo a vida como um imenso carnaval. Desde que haja entusiasmo, não é preciso muita habilidade para entrar no ritmo. Os menos habilidosos nascem e morrem, só vivem! Os mais habilidosos continuam vivos mesmos depois da partida, são os pés de vailsa da vida, os que participam desse carnaval com tanta harmonia que acabam marcando, pessoas como Íris Geraldo Silveira, o pastor de estrelas, um homem que em 1933 já fazia jornalismo e poesia numa cidade que até hoje não assimila bem este tipo de coisa. Seu Íris era poesia vinte e quatro horas por dia, sua figura era a poesia materializada. Mas venho falar do contador de “causos” Íris Silveira, aquele que se sentia bem em fazer rir, e isto ele conseguia facilmente com histórias bem humoradas como esta que eu ainda menino escutei na casa do também jornalista e historiador Aníbal Lopes Viana.
E ele nunca mais fez gol… (Ficção)
Por Nando da Costa Lima
E João Carne Seca, o “Canhotinha de Ouro”, que batia falta como ninguém e não perdia um gol do meio de campo pra frente nunca mais irá sair de campo carregado pela torcida… Foi operar de fimose e, não se sabe porque, amputaram seu pé esquerdo. Erro médico, errar é humano (Quem inventou esse ditado popular deve ter sido a mãe de um médico). Foi aí que Pedrão “Três Bago” (irmão de “Carne Seca”) ficou puto e desabafou:“Também, a gente entra num hospital e encontra um cidadão com roupa de médico, pose de médico, estetoscópio pendurado no pescoço, as enfermeiras bonitas chamando o sacana de doutor, a gente acaba botando fé. Só que de médico ele não tem porra nenhuma, a não ser o diploma conseguido sabe-se lá como. Daí o time perde o melhor ponta esquerda da região e fica por isso mesmo. Médico uma porra!”. :: LEIA MAIS »


















