:: ‘Colunistas’
Perspectiva do mercado de trabalho no cenário contemporâneo causado pelas inovações tecnológicas
Por Eduardo Augusto Brito Arêas*
Está rondando um pessimismo no imaginário sobre o futuro de algumas profissões, como administração, por exemplo, em que a automação poderia tornar as habilidades humanas obsoletas. Até que ponto esses movimentos fazem sentido? Para entender o momento atual de mudanças tão abruptas, faz-se necessário analisar o caminho pelo qual a humanidade percorreu até aqui. O homem passou por alguns pontos de mutação. As primeiras civilizações eram nômades e, em um determinado momento, se fixaram e passaram a produzir para própria subsistência; depois, veio a Primeira Revolução Industrial, demarcada pelo surgimento da máquina a vapor e o ferro. Nesse momento, o homem passou a produzir bens em fábrica. Na Segunda Revolução Industrial, trocam-se as fontes de energia, do vapor para energia elétrica; do ferro para o aço e surge a indústria química e, com isso, os derivados do petróleo. Na contemporaneidade, falamos em revolução tecnológica, em nano tecnologia e em indústria 4.0. Esta quarta revolução se caracteriza pela convergência digital, física e biológica, através da qual estamos conseguindo avançar na criação de novas tecnologias, como a nuvem, a internet das coisas, big data, inteligência artificial e biotecnologia. Trata-se de uma nova revolução que não está mudando somente o nosso cotidiano e a forma como fazemos as coisas, está mudando o que somos. :: LEIA MAIS »
Serão de Prazeres
Por Valdir Barbosa
Olhei em volta postado na varanda até onde a vista alcança observando as luzes das casas e apartamentos cintilando. Acima, na abóboda celeste, estrelas também reluziam e abaixo, na praça, a dança das águas bailando nas fontes luminosas, sob as arvores seculares do Campo Grande coloriam o ambiente.
A cidade adormecia, após a primeira segunda-feira do mês de junho que findava e eu, normalmente entregue ao sono nesta hora testemunhava o chegar da meia noite, a natureza mudando de turno, outro dia nascendo, nova terça-feira vindo para cumprir este movimento permanente que compõe a vida. Esta incrível vida, onde as coisas parecem se repetir, mas, na verdade, palco onde tudo muda a cada segundo cumprindo seu desiderato de ir em frente, sem recuos.
Do mar que circunda a cidade por todos os lados, seja no prolongamento da Ondina, Amaralina, Pituba, Itapuã adiante, cujas nesgas posso ver nos dias claros, conseguia divisar suas águas agora escuras, ao lado oposto da sacada, adornado pelos refletores da ilha, em frente ao Corredor da Vitória, pelas lâmpadas que dele emergem desde a Marina seguindo o quebra mar, o forte de São Marcelo e findam ao longe, na Colina Sagrada do Senhor do Bonfim.
Páscoa consoladora
A urna desce e o choro deste meu amigo de agora e irmão nas sendas do infinito cósmico, se torna convulso. Naquele ambiente envolvido em densa emoção, todos os presentes viajam, como ele, ao começo. Por obvio, as lembranças de quando viu vir uma das cordas do seu coração e agora é obrigado a ver partir, por prematuro, afloram com ênfase dolorosa, no instante maior da despedida.
Ele e a cúmplice promotora da existência pranteada, responsável pelo dom divino da maternidade, ambos inconsoláveis recebem dos próximos mais chegados, afagos de apoio no imenso sofrer, meras tentativas inúteis por diminuir suas duras penas. :: LEIA MAIS »
Ressaca de glitter
Por Marco Antonio Jardim
É tempo de amora
Em órbita
Romero, o leal
Por Valdir Barbosa
Muitos anos atrás, já se vão quase trinta, desfiava minhas penas, ao lado de Romero Leal, delegado de scol da polícia pernambucana, como outros tantos de idêntico quilate. Além dos seus conterrâneos, amalgamávamos esforços junto a parceiros sergipanos, paraibanos, cearenses e potiguares, dos quais me permito não citar nomes, posto poderia olvidar algum destes, porém, seus rostos, suas vozes e atitudes estão e estarão sempre guardados na memória deste velho homem de polícia que completou, no dia vinte e três do janeiro fluindo, quarenta e três anos contados, a partir da primeira vez que assumiu as funções de autoridade policial, na longínqua Itapetinga, cidade fincada no sudoeste baiano.
Naquela época, viandantes peregrinos incansáveis, no afã de combater o crime percorríamos ombreados os sertões tórridos deste imenso Brasil, caçadores sem tréguas dos mais diversos tipos de delinquentes, responsáveis por crimes de extorsão mediante sequestro, roubos a bancos, carros-fortes e homicidas sanguinários, assim, a junção destes esforços possibilitou ações exitosas, responsáveis por desbaratar quadrilhas insolentes, atuantes em todo norte e nordeste do país.
Entretanto, minhas visitas, mesmo laborais, a terra cuja capital guarda pontes fincadas sobre os Rios Capibaribe e Beberibe, canto do frevo e de homens cuja têmpera é forjada pelo mais inoxidável aço guardava em meu íntimo, circunstância afetiva peculiar. Sim, porque no final da passada década de quarenta, meus pais, Adauto e Walneide, nas asas de paixão avassaladora deixam seu berço e seguem para o sitio onde nasci – Salvador – juntamente com meus irmãos e ali se estabelecem, até quando nosso patriarca mudou em definitivo de plano. Dona Walneide, invadindo a casa dos noventa, ainda passeia sorridente e augusta, nas plagas que escolheu como segunda urbe. :: LEIA MAIS »
Tenha cuidado com o que toleras!
Por Maria Reis Gonçalves (Tia Nem)
Não devemos nos incomodar com tudo o que nos desagrada, se isso acontecer, vamos passar todo o nosso tempo zangados, emburrados, chateados com o mundo. Pois, é muito difícil você passar todo o dia sem ouvir algo que o desagrade, sem dar de cara com uma pessoa mal educada, sem que nos frustremos com alguma coisa que não saiu como queríamos, com uma pessoa amiga que não agiu como estávamos esperando. Por isso, há uma grande necessidade que filtremos, com sabedoria, o que nos chega, para não ficarmos impregnados de coisas que não nos fazem bem. Ignorar certas situações, nos poupará de vários momentos ruins, tendo em vista que será inútil tentar argumentar com pessoas que não sabem ouvir, mas sabem condenar, julgar e até mesmo se fazerem de vitimas, para que possamos nos sentir culpados. Então, tenha cuidado com o que você tolera de certas pessoas, você estará ensinando-as como devem tratá-la.
Tem pessoas que vão continuar sendo como são, mesmo que você passe todo o tempo alertando-as, conversando, aconselhando, tentando orientar, mostrando que o que elas estão fazendo não é o certo. Elas estão sempre a maltratar alguém, a achar que o mundo tem obrigação de compensá-la, por alguma coisa e acha que vida não presta, simplesmente pelos fatos não acontecerem do jeito que ela quer. Se nega a entender que a vida é imprevisível. E começa a atacar quem está por perto, principalmente os amigos que tentam ajudá-las. Para essas pessoas a vida é um martírio, que só trás sofrimento e que todos tem culpa da situação que elas se encontram. Mesmo assim, não podemos ser condescendentes com tudo ou a situação termina nos engolindo e passivamente vamos nos deixar maltratar. :: LEIA MAIS »
Mansidão
Por Valdir Barbosa
Sempre que posso, nos derradeiros anos deixo o aconchego de minha morada e atravesso a rua, para assistir, no Largo do Campo Grande, uma das efemérides mais brilhantes que ocorrem em Salvador. Instituída há vinte um anos, pelo iluminado Divaldo Franco, ali, homenagens são rendidas em louvor a PAZ.
O magnífico artista, músico, compositor, cantor, Nando Cordel abre as festividades, em seguida, plêiade de figuras oriundas de todos os credos – Espíritas, Católicos, Umbandistas, Evangélicos – manifestam suas ideias, em breves discursos cheios de sabedoria tratando do tema, por fim, uma cascata de argumentos derramados pela voz e vinda nas palavras do anfitrião brilham bem mais do que todas luzes, este ano adornando com rara beleza, a praça onde acontece o encontro encantando todos presentes, lhes pondo mergulhados em profunda emoção, imenso prazer, efusivo contentamento. No entremeio, personalidades e instituições recebem comendas, em função de ações por elas praticadas, beneméritos gestos que lhes dignifica e distingue, por isto, a homenagem pública.
Fi-lo ontem. Levado pelas mãos de minha Roberta, espírita convicta, praticante, ao lado do filho e sobrinha amados, nos tornamos parte daquela legião composta pelas muitas centenas de assistentes e estivemos horas frente ao palco sorvendo o néctar da energia benfazeja dele emanada. :: LEIA MAIS »
No Berço do Paraquedas
Por Nando da Costa Lima
O avião todo mundo sabe quem inventou foi Santos Dumont em 1906. E quase todo mundo sabe que por ver sua invenção, criada para encurtar distâncias, sendo usada para tirar vidas humanas na Primeira Grande Guerra, que ele se matou. O que quase ninguém sabe é que o Paraquedas foi inventado antes do avião, e este fato histórico ocorreu aqui em Conquista antes da virada do século. Nossa Conquista ainda era menina… A igreja ficava abaixo da atual Catedral. Nossas matas eram tão densas que uma única árvore encontrada no Bem-Querer, serviu para todo emadeiramento da igreja. Estaconstruída em 1806 e demolida em 1932. Ali eram feitas as reuniões dos homens que comandavam a terra. Era um sobrado de dois andares, só que dois andares em uma construção do século XIX correspondiam a uns quatro andares atuais. As reuniões eram feitas na parte de cima, e graças a isso nossa terra tem o orgulho de ser a mãe do inventor do paraquedas. É que a coisa estava tão feia na Câmara, para variar, tinha um querendo mandar mais que o outro. Isso fez com que fosse marcada uma sessão extraordinária. Essa ocorreu sobre grande tensão, e mesmo antes de realizada gerou grandes transtornos na cidade. Um dos representantes do povo falou na Praça que se não se resolvesse a situação através do diálogo resolveria no porrete. Isso levou o Presidente da Câmara a providenciar dezesseis porretes antecipadamente (um para cada vereador) que ficaram à disposição caso o argumento falhasse. Aquela sessão estava sendo esperada por toda a cidade, todo mundo sabia que o pau ia quebrar. O vigário, sabendo disso, inventou uma viagem a Poções para não ser intermediário daquele bate boca. Enquanto o vigário arrumava a mala, os vereadores se preparavam para o debate e os moradores apostavam. Quem daria a primeira cacetada? Aquilo era o início do desenrolar de um grande fato histórico que passou despercebido à humanidade. Talvez porque na época não tivesse avião, mas se fosse uns cinquenta anos mais pra diante sem dúvida chamaria a atenção do mundo. Conquista perdeu este espaço na história devido a uma questão de tempo. :: LEIA MAIS »
























