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blog do marcelo

labo

:: ‘Artigos’

Na batida do Olodum

nando da costa limapor Nando da Costa Lima

Esse causo ocorreu quando Conquista ainda tinha Micareta… Por sinal a melhor da Bahia. Mas tudo tem seu tempo. Agora nosso carnaval está voltando de uma maneira gostosamente conquistense. “Um pierrot apaixonado que vivia só cantando…”

Olavo não estava acostumado com esse negócio de Micareta, foi criado numa cidade do interior de Minas onde só se tinha notícia do Carnaval pela TV. Era filho único do suplente de deputado José Nôzim da Silva e tinham muito em comum, mas a parte que eles mais se pareciam era na ignorância, eram daqueles que achavam que tudo era coisa de “viado”. Seu Nôzim chegou a mandar arrancar a orelha de um sobrinho que morava em “Sompaulo” só porque o rapaz usava brinco. Segundo ele, em terra que Nôzim pisava homem não usava brinco nem amarrava cabelo pra trás. O filho não fazia por menos, andava com um tesourão de tosar égua só pra aparar os cabelos dos cabeludos safados. Pai e filho eram idênticos fisicamente, ambos beiravam os dois metros e tinham orgulho de serem os únicos capazes de derrubar um bode com um soco. Eram realmente duas prensas, o símbolo de virilidade de Corgão Fundo! Todo menino queria crescer logo pra poder ficar forte como Olavão e muitas mulheres já tinham tentado o suicídio por causa daquele “homão”.

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Evite Assombrações

nando da costa limaPor Nando da Costa Lima

Eu vinha do boteco para casa, pra não passar pelo matagal do açude, resolvi pegar um atalho pelo quintal da viúva do Capitão Zé Antônio. Foi aí que uma “aparição” achou de atravessar o meu caminho. Eu tava com muita pressa, mas a ‘bicha’ não me deixou dar mais um passo, fiquei paralisado. Quando vi aquela mulherona alta, a força da cachaça não deixou de atiçar meu fogo, mesmo sabendo que era uma assombração! Tava toda de branco, parecia uma noiva flutuando na escuridão, só dava para ver porque a roupa era branca. Mesmo assim deu para sentir que a danada estava de olho em mim, e era olhar de mulher apaixonada! Carente!… Não deu para resistir, depois de dois litros de pinga ruim temperada com qualquer coisa, até assombração fica sexy. Segurei a “noiva assombrada” pela cintura e mandei ver. A má qualidade da bebida atrapalhou meu desempenho, só consegui dar meia, nem dá pra falar que aquilo foi uma! O esforço fez a pinga melhorar, o medo encostou e eu dei carreira que só parei em casa, amarelo e suando frio!

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De Antonio, o acajutibano, não se scarpa

delegado valdir barbosa

Por Valdir Barbosa

Acordo, na manhã fria do inverno conquistense, terra dos meus amores, das minhas preferências e dos meus mais sublimes desejos, onde derramei a saudade do rincão natal que me viu nascer – Soterópolis – fazendo transformada a nostalgia em prazeres próprios de quem encontra nova morada impar, após atravessar desertos e mares bravios por mais de quarenta anos, sem olvidar as coisas do passado, vivendo o presente, na certeza de que o futuro sempre será melhor.
Tudo isto, porque acesso sentença condenatória em meu desfavor, registrada no cartório da Vara onde exerce a titularidade, o ínclito Juiz Federal, Dr. Antonio Oswaldo Scarpa, dois minutos antes de decorrer prazo prescricional, pondo estupefatos advogados e amigos que soube fazer ao longo destes quase sessenta e cinco anos bem vividos. :: LEIA MAIS »

DAS VAQUEJADAS (Cordel)

cordel amor nando costa

nando da costa limaUns dizem que é poesia,
outros falam que é maldade.
Mas vaquejada é paixão!
Um amor que aconteceu
num tempo de apartação.
Um cavalo, uma sela
um chapéu e um gibão.
Tudo isto é poesia
para quem cavalga a vida
tangendo a solidão.
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Ao Pastor de Estrelas

nando da costa limaPor Nando da Costa Lima

Vejo a vida como um imenso carnaval. Desde que haja entu­siasmo, não é preciso muita habilidade para entrar no ritmo. Os menos habilidosos nascem e morrem, só vivem! Os mais habilidosos continuam vivos mesmos depois da partida, são os pés de vailsa da vida, os que participam desse carnaval com tanta harmo­nia que acabam marcando, pessoas como Íris Geraldo Silveira, o pastor de estrelas, um homem que em 1933 já fazia jornalismo e poesia numa cidade que até hoje não assimila bem este tipo de coisa. Seu Íris era poesia vinte e quatro horas por dia, sua figura era a poesia materializada. Mas venho falar do contador de “causos” Íris Silveira, aquele que se sentia bem em fazer rir, e isto ele conseguia facilmente com histórias bem humoradas como esta que eu ainda menino escutei na casa do também jornalista e historiador Aníbal Lopes Viana.

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“Amô Roxo” (Cordel)

cordel amor nando costa

nando da costa limaPor Nando da Costa Lima

A minha noiva
que foi miss primavera
cujo nome é Florisbela
foi pra São Paulo passear

Passar uns dias
na casa do primo Estevão
pra conhecer a capital
antes de ir pro altar

O tratamento que deram
pra minha noiva
até parece mentira
eu nem gosto de contar

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À margem da história

nando da costa limaPor Nando da Costa Lima

O povoado todo esperava a chegada do príncipe, era coisa rara um nobre visitar aquelas para¬gens no início do século XIX. O vigário já não se aguentava, ia completar seis horas que não tomava uma, estava sóbrio até aquela hora, porque era o único que tinha formação pra receber uma figura tão ilustre. O príncipe atrasou 3 dias, quando chegou encontrou o pa¬dre pisando na bainha da batina, tava tão bêbado que o Vossa Majestade demorou cinco minutos pra sair, quan¬do saiu foi acompanhado por uma chuveirada de cuspe que lavou o rosto do visitante. “O bafo indicava que o vigário apreciava bebidas fortes”. Em seguida convidou Vossa Alteza para fazer um bacanal com umas índiazinhas que ele criava — A realeza ficou indignada, recu¬sou-se energicamente — O padre ficou meio sem graça, fechou a cara. Mas quando o príncipe, pra mostrar que estava irritado, colocou a mão na cintura e começou a bater o pé, o reverendo animou-se e olhando pra bunda do nobre falou com cara de vitorioso — Se o caso de Vossa Alteza é outro não tem problema, eu também tenho um “indião” só pra pagiar europeu em excursão.

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A responsabilidade e o prazer de ser farmacêutico

felipe bittencourtPor Felipe Bittencourt*

Na história da humanidade a busca pelo remédio ideal é um ato tão antigo quanto a própria doença. Através das experimentações, do acerto e do erro, seja com os curandeiros do antigo Egito ou com os pajés dos índios Pataxós, nas milenares práticas Chinesas, Incas ou Maias, na Medicina Racional desenvolvida por Hipócrates ou nas experimentações de Galeno, na exatidão química de Paracelso ou na filosofia Homeopática de Hahnemann um profissional estava disposto a analisar a doença e desenvolver um remédio ideal para buscar a cura dos enfermos. Durante muitos séculos esse papel era de uma só pessoa, mas com os avanços tecnológicos e científicos o ato de atender e cuidar tornou-se gradativamente incompatível com o tempo necessário para produzir complexos medicamentos. Assim quem detinha mais perfil com a análise das doenças foi intitulado Médico e quem tinha o dom em produzir medicamentos foi chamado de Farmacêutico.

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E ele nunca mais fez gol… (Ficção)

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

E João Carne Seca, o “Canhotinha de Ouro”, que batia falta como ninguém e não perdia um gol do meio de campo pra frente nunca mais irá sair de campo carregado pela torcida… Foi operar de fimose e, não se sabe porque, amputaram seu pé esquerdo. Erro médico, errar é humano (Quem inventou esse ditado popular deve ter sido a mãe de um médico). Foi aí que Pedrão “Três Bago” (irmão de “Carne Seca”) ficou puto e desabafou:“Também, a gente entra num hospital e encontra um cidadão com roupa de médico, pose de médico, estetoscópio pendurado no pescoço, as enfermeiras bonitas chamando o sacana de doutor, a gente acaba botando fé. Só que de médico ele não tem porra nenhuma, a não ser o diploma conseguido sabe-se lá como. Daí o time perde o melhor ponta esquerda da região e fica por isso mesmo. Médico uma porra!”. :: LEIA MAIS »

Acorda sanfoneiro

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Quando o vento soprava nos flamboyants que rodeavam o casarão ecoava em nossos quartos um som quase que cadenciado, uma música que marcava uma época… A alegria em nossas almas de menino, sabíamos que aquela harmonia trazida pelo vento anunciava que era junho e que as fogueiras seriam armadas, que o licor de jenipapo estaria exalando seu cheiro tão peculiar por toda a casa, junto as pamonhas, canjicas e todo tipo de quitute que enfeitava a mesa do São João. :: LEIA MAIS »

alessandro tibo


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