:: ‘Artigos’
Praça do Gil

Por Nando da Costa Lima
Saudade é uma palavra tão poética que jamais um outro idioma poderia traduzi-la. Saudade, um estado de graça do espírito, a lembrança do que passou e marcou com alegria. O tempo parado numa época que amamos. Ter saudade é sinal que viveu mais intensamente… Daí o ser humano ser um poço interminável de saudade. Não tê-la é morrer pela metade. A minha saudade está praticamente limitada a minha paixão… Vitória da Conquista, ela pra mim é tudo, o abrigo dos que superaram a barreira da “mesmice” e inocentemente são taxados de loucos, o habitat dos que transcendem as normas da dita razão. Aqui pisaram os personagens mais incríveis que se tem notícia… Boêmios, poetas, putas, todos eles com uma história riquíssima que gerariam vários romances. Histórias que só cabem na cabeça de nós conquistenses que somos naturalmente anarquistas em relação a sociedade. Não o conquistense metido à merda que acha que evoluir é acumular bens materiais para se sobressair. Essas pessoas que abusavam do medíocre refrão “Nós temos um nome a zelar”. Dava até vontade de falar: “Vão zelar e lustrar estes nomes na casa do caralho, Conquista é uma cidade surreal e não um santuário de nomes ditos ‘ilustres’ “. Estou falando de gente…
Dolores e o Lobisomem
Por Nando da Costa Lima
Antes da televisão colocar o Brasil todo pra se comportar e vestir igual, as famílias eram fechadíssimas. O patriarca, por mais safado que fosse, mantinha o moral de pai de família exemplar, educava os filhos com a maior rigidez. As moças da época passavam aperto, “se perder” naquele tempo, era a pior das aventuras, eram expulsas de casa restando-lhes como opção de sobrevivência, a prostituição. Os sedutores, ou fugiam pra São Paulo ou morriam. Mas nem por isso as coisas deixavam de acontecer, e pra que não houvesse expulsão de casa, nem morte dos Don Juan, eram inventadas as desculpas mais descaradas. Na maioria dos povoados, as moças quando pulavam a cerca, colocavam a culpa no tarado, isto livrava a cara de muita donzela assanhada, era só falar que o autor da proeza tinha sido um tarado que a família além de ficar com pena, mandava logo a moça ir estudar no Rio, lá o povo era mais aberto. Aqui em Conquista a culpa sempre era do tarado que se escondia no matinho da Escola Normal. Este, por sinal, nunca foi encontrado.
Pedras sem Aparas

Por Valdir Barbosa
Hoje, meu celular se encheu de mensagens vindas por parte de vários amigos e até desconhecidos, preocupados com notícias que foram veiculadas dando conta de que o MPF finalizou sua participação, no processo iniciado há quase quatorze anos, relativo a grampos ilegais que teriam sido promovidos a interesse do falecido Senador ACM, sugerindo minha condenação e de Alan Farias.
Tendo em vista o foro privilegiado do citado Senador, cuja denuncia contra si não foi acolhida pela mais alta Corte do País, o Processo voltou para a instancia original e a peça vestibular firmada pelo MPF, contra os demais envolvidos, no rol dos quais me encontro, deflagrou a respectiva Ação Penal, há pouco menos de oito anos. Agora, no limiar da prescrição são protocolados os memoriais conclusivos do Parquet.
Liberdade Incondicional
Por Nando da Costa Lima
Eram seis horas da tarde quando o grupo de artistas e intelectuais chegou à casa de Beltrão da Silva, o artista mais festejado da cidade. Ele era completo, pintava, esculpia, entalhava, desenhava e fazia tricô. O pessoal estava ali para conhecer a ultima criação do genial conterrâneo. Ele fazia questão da opinião dos entendidos em primeira mão. Como lá, quem não era artista era crítico de arte, acabava tendo que mostrar suas criações pra cidade toda. Beltrão não estava em casa, mas o pessoal se achava de casa e entrou assim mesmo (artista tem dessa coisas). Numa das salas estava o trabalho, só podia ser aquela beleza de escultura moderna, nada mais parecido com Beltrão que aquela maravilha de escultura…O primeiro a interpretar a obra foi Marileide, psicóloga, e pintora erótica.”É a encarnação da liberdade, nunca ninguém caracterizou tão bem a sensação de estar livre, está absolutamente divino”.
Causo Médico
Por Nando da Costa Lima
Milson quando se casou já foi na intenção de arranjar um filho, era apaixonado por criança. Não que fosse usar Risonete só para parir, muito pelo contrário, ele tinha verdadeira adoração pela esposa. Só que tinha mais de quatro anos que eles tentavam e nada de Riso engravidar, tava difícil, já tinham feito de tudo.
Foi mais de uma vez que ela levou a cueca do amor pra corrente dos pastores sem nunca obter resultado positivo. Ele por sua vez também fazia o possível, tentava todo tipo de “simpatia” que pessoal ensinava, chegou a costurar uma “caçola” de Riso na boca de um sapo… mas nada disso adiantou. Era aquela espera eterna. Teve um dia, por obra de Deus segundo o casal, que Riso apareceu realmente grávida. Dessa vez era pra valer, já tinha feito até exame, era certeza! O Doutor garantiu!
Alternar é preciso!
O florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo.
Após o corte perguntou ao barbeiro o valor do serviço e o barbeiro respondeu:
– Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.
O florista ficou feliz e foi embora.
No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um buquê com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista. :: LEIA MAIS »
Até mais ver, Traquino

Por Valdir Barbosa
Meados da década de noventa recém-passada. Ano eleitoral. Abrigado no Luxor Regente, hotel luxuoso situado entre o posto 4 e 5 da Atlântica cuidava de investigar crime de extorsão mediante sequestro que vitimara empresário feirense. Durante meses estive por lá, monitorando ligações entre integrantes da quadrilha baseados na Cidade Maravilhosa e outros espalhados em vários municípios brasileiros, dentre eles Juiz de Fora, Vitória da Conquista e Salvador. A missão foi exitosa, todos os bandidos findaram presos tempos depois de iniciados os trabalhos apuratórios, tão logo foi liberado o refém, pois a família optou pelo pagamento do resgate, destarte, inexistiu interferência da policia baiana, enquanto não findou o calvário do cativeiro.
A Bênção e as algemas

*Por Sandra Carla C. Marques Martins
Há muito tempo que pensava em escrever sobre uma cena que me chocou quando trabalhava como advogada na área criminal, mas a correria do dia a dia, trabalho, casa, filhos, acabaram retardando o presente relato que agora passo a fazê-lo.
Pois bem, passados dois anos que havia me formado em Direito, diga-se de passagem, que sou fascinada pelo direito penal, encontrava-me no presídio da cidade para mais um atendimento a um cliente, na ocasião, enquanto aguardava sentada em um banco na entrada do presídio, observei logo em minha frente, uma senhora e um menino que devia ter em torno de 04 anos de idade.
Logo de cara, notei no olhar daquela mulher, um olhar de gente sofrida da labuta de uma vida voltada para o campo e para os filhos, não sei por que razão me veio isso na mente, era uma tristeza tão grande que parecia não haver força sequer para olhar para cima, a cabeça teimava em fixar os olhos para o chão. O menino, ah o menino… estava lá, junto dela e, de vez em quando, ia na porta, olhava para a rua, depois entrava, ajoelhava no chão como se estivesse brincando com um carrinho, olhava para a mulher e seguia em silêncio pra lá e pra cá. :: LEIA MAIS »
Artigo: O Azar do Homofóbico
Por Nando da Costa Lima
-Alô…, é Rita? Ritinha meu amor, aqui é Bira seu noivo, tô ligando numa hora dessas, é que aconteceu um negócio chato aqui em São Paulo! Vou te contar antes que você fique sabendo pela boca de algum safado mentiroso viciado em Internet. Senta que a conversa é demorada. Como você sabe eu vim pra São Paulo pra passar um mês na casa do meu irmão, Reverendo Ernesto, até ele melhorar a saúde. Só que na chegada eu fui logo assaltado, levaram minha mala e meu violão, por sorte não levaram o dinheiro que tava bem guardado na meia. Fiquei tão retado que tomei uma meiota de pinga e entrei no primeiro ônibus que passou, só para sair daquela rodoviária! Fui parar no centro, não queria chegar na casa de Ernesto já com problema. Quando vi aquela multidão cantando e dançando, fiquei entusiasmado e a cachaça levou-me pro centro da festança, o pessoal tava animado, era confete, serpentina e purpura pra todo lado, todo mundo fantasiado, até estranhei! :: LEIA MAIS »
Romero e Juliana
Esta e uma história de amor. Aconteceu num desses lugares que nada passa em branco. Romero era da família Pranchão e Juliana era dos Remoso, inimigos desde 30. Tinha mais de cinquenta anos que brigavam por causa de um bode, é que na revolução de 30 as famílias Pranchão e Remoso ainda eram amigas. Mas depois que aquele boato, inventado pelo velho Pranchão, fez o patriarca dos Remoso matar um bode pra receber o presidente Getúlio que ia passar por lá. Nunca mais se falaram. O velho Remoso esperou o Presidente de onze da manhã até meia noite, quando viu que tudo não passava de armação mandou enterrar o bode (um bode preparado pra um presidente não podia ser consumido por gente comum). Isto só fez piorar a situação: os Pranchão falaram que se ele enterrou o bode era porque tava envenenado. Desse dia em diante um Pranchão só encostava num Remoso pra brigar. :: LEIA MAIS »















