:: ‘Artigos’
Eterna e querida Escola Normal, aonde está você?

Era uma escola sem muros. O cheiro de mato circulava entre os três blocos de salas de aula, penetrava no auditório, no galpão das aulas de educação física, na sala de ciência, no salão do grêmio. A cantina oferecia o melhor refresco de maracujá e a mais deliciosa banana-real. O sino, alto e irritante, anunciava o início ou fim das aulas. A escola funcionava em três turnos: pela manhã havia o curso Pedagógico, aulas de educação física e uma pequenina turma de jardim de infância, à tarde o curso Científico, à noite o curso Técnico de Contabilidade e o curso Ginasial em todos os turnos.
Seu Juca, o zelador, no alto dos seus setenta anos, circulava pelos corredores com acompanhado do barulho das dezenas de chaves que carregava. Sua simpatia, seus passos curtos e seu chapéu surrado e sua voz baixa e carinhosa, tal e qual São Pedro, nunca serão esquecidos. As “sessoras”, ou inspetoras, enxergavam tudo: o sapato marrom, a meia colorida, a falta do escudo com as iniciais da instituição, a saia curta, o excesso de maquiagem ou os afagos dos namorados nas extremidades dos blocos. A pior de todas era a Nice, implicante, severa, ameaçadora, talvez por ser uma balzaqueana. Mas a D. Inês era mais compreensiva entre as demais.
Mas bom mesmo era o caminhar na Rua Siqueira Campos, tanto na ida como na volta para a escola. As garotas, ao saírem de casa dobravam o cós da saia deixando-a bem curta e pernas à mostra para o deleite dos garotos. Todos andavam sorridentes, falantes, trocando confidências e olhares furtivos. Rua de puro encantamento. Muitos namoros nasciam e morriam naquelas calçadas. A rua parecia longa, ancha, interminável, com o doce cheiro da juventude. O engraçado que a preferência era a calçada à esquerda em direção à escola. Mais ou menos no meio da rua havia uma tendinha bem simples onde se vendia biscoitos, balas, bananas. Manoel, Ivo e eu sempre perturbávamos a dona perguntando se “tem picolé de cachaça”, “café branco” ou “quanto é uma banana de cinco cruzeiros”. A dona se irritava e os moleques corriam sorrindo. Certo dia a senhora esperou e quando viu os garotos se aproximando, correu e jogou a borra de café, mas eles se desviaram e quatro garotas que estavam no caminho receberam nas camisas, impecavelmente brancas, um banho de borra de café. Choro, gritos, pedidos de desculpas, brigas e risadas dos moleques correndo pela rua. Nos braços, as meninas carregavam cadernos cujas capas estavam estampadas fotos dos galãs de cinema: Rock Hudson, Charlton Heston, Tony Curtis, Alain Delon, Giuliano Gemma entre outros. Algumas exibiam livro de Psicologia ou de Pedagogia para se mostrarem intelectualizadas. E alguns meninos do Científico, exibiam garbosos, livros de Química Orgânica ou de Física. A rua tinha cara de felicidade, de hormônios em ebulição, de cheiro de alegria. Uma figura que sempre estava no caminho dos estudantes era Lilita, com seus dedos cheios de anéis, suas pulseiras e com o corpo escondido em várias camadas de cobertores. Certa tarde houve uma gritaria, correria, risos e gritos: era o maluquinho Cafezinho, sujo, barbudo, com um copo na mão, que havia abaixado as calças para as estudantes. O maior movimento era antes e depois das aulas, mas nos dias em que os cinemas exibiam filmes de Elvis Presley, o movimento era antecipado para antes da matinée. Quando os filmes dos Beatles, “Os reis do iê-iê-iê” e “Help”, foram exibidos no Cine Conquista, a freqüência nas aulas foi pequena, mas muito grande no cinema. E todos, ou quase todos, após o trilharem a Rua Siqueira Campos seguiam para comer o acarajé da Conceição na Praça 9 de Novembro. Inesquecível o acarajé e o sorriso da baiana. :: LEIA MAIS »
Vitória da Conquista e o seu potencial como Região Metropolitana do Sudoeste da Bahia

Por Wal Cordeiro*
Vitória da Conquista, com mais 370 mil habitantes, desempenha um papel de extrema importância tanto para o sudoeste da Bahia quanto para o norte de Minas Gerais. Localizada estrategicamente entre essas duas regiões, a cidade atua como um polo regional, exercendo influência econômica, social e cultural sobre as áreas vizinhas.
No aspecto econômico, Vitória da Conquista se destaca como um centro comercial e de serviços para toda a região. Sua localização geográfica privilegiada a torna um ponto de conexão entre diferentes municípios, facilitando o escoamento de produtos e estimulando o comércio e a atividade empresarial. Além disso, a cidade abriga um significativo número de indústrias e empreendimentos, impulsionando a geração de empregos e o desenvolvimento econômico local e regional.
No setor de saúde, Vitória da Conquista concentra uma infraestrutura hospitalar e de atendimento médico de referência, atendendo não apenas a população da cidade, mas também a moradores de municípios vizinhos. Sua estrutura de saúde avançada e a presença de profissionais qualificados beneficiam não apenas o sudoeste da Bahia, mas também contribuem para suprir as necessidades de saúde da população do norte de Minas Gerais.
No campo educacional, Vitória da Conquista possui uma oferta diversificada de instituições de ensino superior, que atraem estudantes de toda a região. Com isso, a cidade se torna um centro de formação acadêmica e intelectual, contribuindo para a disseminação do conhecimento e o desenvolvimento educacional do sudoeste da Bahia e norte de Minas Gerais.
Culturalmente, Vitória da Conquista também exerce influência sobre essas regiões. A cidade abriga eventos culturais, festivais, exposições e manifestações artísticas que atraem visitantes de diversas localidades. Essas atividades contribuem para a preservação e promoção da cultura local e regional, enriquecendo a diversidade cultural dessas áreas.
Somos Região Metropolitana de fato, mas de direito só falta ser transformada em lei na Assembleia legislativa!
Vejamos:
A transformação de Vitória da Conquista em Região Metropolitana do Sudoeste da Bahia traria grandes benefícios para a cidade e a região em diversos aspectos, como o desenvolvimento econômico, saúde, educação e segurança. :: LEIA MAIS »
Omar Costa: “Vamos voltar a usar palmatórias, ou preferimos porteiros armados”

Por Omar Costa*
Hoje, após o acontecimento na creche que acabou causando a morte de crianças, acredito que país e escolas estão conversando sobre o assunto. E é importante que esse assunto seja debatido por todos que possuem obrigações educacionais, já que na nossa constituição federal, no seu art 205 temos:
“*A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade*, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, *seu preparo para o exercício da cidadania* e sua qualificação para o trabalho.”
Então, que todos os entes se envolvam e pensem coletivamente para chegar numa posição que não agrave mais o problemas que são reflexos de grandes erros coletivos do passado.
E digo que toda essa violência representa erro do passado, distante ou não, pois nossa sociedade vem sempre deixando as causas de lado e remediando as consequências, e quase sempre com mais violência.
É muito importante falarmos sobre isso. E não é para menos, estamos falando das vidas de crianças indefesas como as que morreram numa ação sem precedentes na nossa história. :: LEIA MAIS »
Escola Normal de Conquista e Anísio Teixeira

Por Luiz Ibiapaba*
No dia 20 deste mês, o nosso querido INSTITUTO DE EDUCAÇÃO EUCLIDES DANTAS estará completando 71 anos de existência fecunda, semeando ideais, formando gerações, colhendo os louros sociais.
Na década de vinte, surgia, na cidade de Vitória da Conquista, o ensino primário particular, com a fundação dos colégios Brasil e Sertanejo. Este último dispunha de internato e era dirigido pelo Professor Euclides Dantas, um dos baluartes da educação antiga de Vitória da Conquista. Aqueles colégios tiveram vida muito passageira. Não havia, ainda, em Vitória da Conquista, uma rede pública de ensino, nem mesmo uma unidade de ensino municipal ou estadual.
Em 1925, o Governador Góes Calmon convida Anísio Teixeira, advogado recém formado, para a função de dirigir a educação na Bahia. Desde aí, alicerçado na ideia de educação para a democracia e da educação como função pública, prega, além da difusão e fiscalização do ensino primário, a necessidade de um ensino de qualidade. Defende também a revisão do ensino secundário, aumentando o número de estabelecimentos, não só na capital do Estado, mas, principalmente, no interior.
A partir de 1926, sob a influência das Conferências Nacionais de Educação, promovidas pela então Associação Brasileira de Educação, a educação pública, em todo o Estado, ganha novo impulso. Surge um discurso forte sobre a necessidade de os Governos Federal e Estadual investirem mais na educação pública.
Em 1926, o então Diretor Geral da Instrução Pública do Estado da Bahia, Professor Anísio Teixeira, inaugurou a Escola Normal de Caetité, o que despertou em Vitória da Conquista a necessidade também de uma Escola Normal nos moldes da de Caetité. Mas Vitória da Conquista não possuía sequer uma escola primária pública.
Em 1932, o Professor Euclides Dantas, naquela época diretor do Colégio Marcelino Mendes, com o Doutor Francisco Bastos e o então Prefeito Deraldo Mendes, pleitearam junto ao Interventor Federal da Bahia, Tenente Juracy Magalhães, uma Escola Normal, nos moldes da existente em Ilhéus. O Governador Juracy Magalhães atendeu parcialmente o pleito, construindo, em 1935, o Grupo Escolar Barão de Macaúbas, escola estadual que, durante muito tempo, ostentou o status de melhor casa de ensino da cidade.
Em 1940, quando a cidade acordava para o progresso com a abertura da Rodovia Federal Rio-Bahia, não havia aqui o ensino secundário, ou seja, o curso ginasial. Muitos alunos terminavam o curso primário e não tinham como progredir nos estudos, a não ser aqueles que dispunham de recursos financeiros para estudar em Salvador ou em outras partes do país onde existiam outros cursos.
Foi aí então que, em 1940, influenciado por Anísio Teixeira que se encontrava afastado, compulsoriamente, da gestão pública e da educação, por motivos políticos e ideológicos, e residindo em Caetité, influencia um grupo de professores e intelectuais a vir para Vitória da Conquista, com o fim de atuar em educação. O historiador Mozart Tanajura, o velho, denominou esse grupo de “a Plêiade de Caetité.” :: LEIA MAIS »
Empresário, você vai realmente correr o risco de pagar mais imposto em 2023?

Sabemos que o pagamento de impostos a mais do que devido é uma das maiores fontes de angústia para todo empresário, independente do tamanho da empresa e da sua condição financeira.
O problema é que a grande maioria não realiza a avaliação do melhor Regime de Tributação anualmente. As alíquotas, as formas de apuração, as obrigações acessórias, etc mudam em um velocidade maior do que o empresário acompanha.
Nesta espiral, as empresas cumprem com os pagamentos com novas regras, sem nem ter tempo suficiente de analisar como isto implica estrategicamente nas suas atividades. :: LEIA MAIS »
“Observando essas duas invasões, a do MST há anos atrás e esta, adianto que as duas são equivocadas…”, diz Milton Filho, do Pensando Bem

O grupo de WhatsApp “Pensando Bem”, do qual tenho honra de fazer parte, é uma verdadeira academia, um seleto grupo de intelectuais, professores, pensadores, jornalistas e historiadores. O PB é uma bancada na qual o contraditório se faz presente, sempre de forma civilizada e tolerante, é um verdadeiro caldeirão de pensamentos que prendem os participantes quando postos em debate.
Temos gente de Conquista, Salvador, Brasília e Aracajú, e o nosso convidado hoje a colaborar com o nosso blog é o sergipano Milton Filho, uma ilustre figura, uma cabeça pensante, de uma natureza generosa, sempre disposto a nos proporcionar um momento de esperança, mesmo nesses tempos difíceis que vivemos.
Sobre os acontecimentos de ontem em Brasília, Milton nos oferece um texto que vale a nossa leitura e reflexão:
“Um levante social caótico ou não, vem de diversas origens: repressão demasiada( leve ou razoável nós aceitamos e, o que é leve, razoável ou pesada, depende da sensibilidade do indivíduo ou do coletivo), indignação diante dos fatos existentes ou não, organizados e propagados pela mídia, indignação impulsionada pela fome, a manipulação ostensiva e criminosa..etc. :: LEIA MAIS »
Breu, o novo poema de Marco Jardim

Por Marco Jardim
Quando eu não souber o que fazer, nem o que dizer, melhor que eu saia de cena.
Tenho aquela inquietude intelectual que me faz devorar livros, revistas, artigos e qualquer outro manual de informação.
Escape de alguma constante solidão.
O fato é que estou provando o gostinho amargo do apagão.
Hora de mudar de perspectiva, fazer outro teste de estúdio, outro esporte.
Tiro o alvo? Tento a sorte?
Estou tateando no escuro, despedindo-me dos que não enxerguei os rostos, andando a esmo, sem flertes nem poesia, e até pensando se não podia acontecer algo fortuito no breu daquela alameda.
Se alguém me tomar à força, que preserve, pelo menos, as peças de seda.
No entanto, o máximo que tem acontecido é eu pagar de pós-modernista em perturbação a uma ordem alfabética: Adélia, Callado, Hilda, Trevisan, Ubaldo e outros escafandristas.
Nomes tão estranhos e informalistas quanto o meu.
Outras palavras em voga nessa disposição metódica de dias de pouco sol: fascista, incompetente, degredado.
Nesta noite renitente, estou meio que caos afetado, ainda que com um sumido traçado de organização.
Tenho sido como uma tela de Jansen, sujo, descascado, grafitado, tipografado, unanimemente desconhecido, fotografado sem que me peçam licença e…só.
Talvez eu deva escovar os cabelos pra parecer melhor.
A volta do gigante. Elomar canta com o público em evento de educação e cultura da Prefeitura de Vitória da Conquista

Por Giorlando Lima
“Quando eu estava na UTI com a Covid eu tive uma visão. Estava sentado em uma tora de madeira na porta do inferno. E eu vi Dante, que segurava a mão de Virgílio. Pude ver no portal do inferno a frase dele “lasciate ogni speranza, voi ch’entrate”*
Eu cheguei a ver a roda de fogo, mas a mão de Deus me tirou de lá. Fui arrebatado de lá e trazido de volta.
Quando eu saí do hospital, minha mulher me disse que meus filhos João Omar e João Ernesto iam lá todo dia e chegavam em casa com os olhos inchados de tanto chorar. Deus ficou com pena deles e me trouxe de volta. O Espírito Santo me resgatou do vale da sombra da morte para eu estar aqui cantando e compondo.”
Era quase tudo como antes. No palco, ele, aparência gigante sentado, com os indefectíveis chapéu e botas. Na plateia, respeito e admiração. Entre os produtores o cuidado com o som, luz e para que não o filmassem, coisa que o incomoda.
Quase tudo como antes. O gigante não é mais tão forte. A voz ainda tem o timbre inconfundível, mas não tem o mesmo domínio sobre agudos e graves, não faz a mesma viagem de tons a semitons. Os dedos não mais conseguem lidar com as cordas como era, para delas tirar os belos concertos que encantaram o mundo tantas vezes. “Mas, vou me consertar, com fé e Deus e o violão vai voltar”.
E o que faz o gigante? Se desculpa. Fala da Covid-19 que o levou ao encontro de Dante e de Virgílio na beirada do inferno. Ela lhe tirou parte do vigor das pernas, da energia da voz e do dedilhar orquestral reverenciado.
Elomar Figueira Mello, o “Bode”, que já foi Figueira de Melo, com esse “de” e um “ele” a menos, será um gigante para sempre e esse para sempre quer dizer: depois que ele passar da meia-noite e atravessar os umbrais do céu ou os pórticos infernais.
Hoje, nas cinco e meia da tarde, ele só é bem como era antes, ele mesmo disse. Fez questão de deixar isso claro, como a lua gibosa decrescente que o assistiu voltar aos palcos, em sua terra natal, depois de dois anos de pandemia e de ter chegado tão perto da morte. :: LEIA MAIS »
Falta sempre um pedaço
Por Edvaldo Paulo de Araújo
Quem de nós, nos momentos belos, não tem a sensação de que falta algo ou alguém? Às vezes, em lugares lindos, momentos iluminados, sempre vem a sensação de que falta algo, pensamos sempre nisso. Às vezes, estamos em um lugar e, encantados, pensamos. Às vezes, colocamos que gostaríamos muito de que determinada pessoa ali estivesse, que preencheria mais o momento. Não é insatisfação, não é falta de agradecimento de ali estar; é que gostaríamos de que os que mais amamos, ou aqueles que se identificam com aquele momento estivessem ali conosco. Tem pessoas nas nossas vidas que, por muitas vezes, nos incluíram em lugares, em momentos, muitos lugares elas aparecem em nossos pensamentos; geralmente, por não estarem, gostaríamos imensamente de que lá elas estivessem e, quando elas estão, aparecem outras pessoas e situações. A velha história, dizemos: “pra ficar perfeito falta…”.
Há algum tempo conversando com um amigo muito querido, ele me falava da sua separação da primeira esposa com quem tinha quatro filhos. Na sua narrativa, ele soltou algumas frases: “deveria ter tido mais paciência..” “…deveria ter dado um tempo..”, a separação para o homem é muito desvantajosa, dizia ele; o Homem perde a família e a mulher apenas o marido! Meu amigo concorda então com seu depoimento que faltou um pedaço que, na tradução, é paciência e tempo.
É difícil não ter esse tipo de sentimentos; faz parte da nossa formação humana a insatisfação embutida em muitas coisas, a não estar satisfeito ou não ter satisfação plena. Entendo eu que o Criador nos colocou dessa forma justamente para estarmos sempre em busca de melhorar, de fazer melhor, de buscar, através de conhecimentos, ter a grandeza da satisfação plena; o entendimento que o cabe nesses casos é apenas o agradecimento, a certeza de que faz parte da vida humana, crescer; e o ser humano, só cresce na dificuldade; isso é absoluto.
É muito comum, em todos os aspectos da vida, esse sentimento, essa sensação de que falta sempre um pedaço, seja num livro que lemos, numa canção que ouvimos, num filme a que assistimos, numa viagem que fazemos, nas realizações mais simples do nosso cotidiano, a sensação de que poderia ter sido melhor, de que poderia ser mais especial, para que fosse perfeito. E a perfeição existe? :: LEIA MAIS »
Encontros
Por Edvaldo Paulo de Araújo
Meu trabalho fica na parte central ou na praça central de minha cidade, Vitória da Conquista Bahia. Brinco com os amigos que, quando me desloco a pé por essa parte da cidade, demoro horas num pequeno trecho que, indo direto, o faria em alguns minutos. Por quê? Porque encontro amigos que, há muito, não os via. Não consigo deixar de parar, abraçá-los, saber onde estão, saber como está a sua vida e sua família; é meu jeito; não consigo ser diferente. Num dia chuvoso e bastante frio, sai do trabalho e fui comprar uma medicação; e encontrei um querido e amado amigo, Luís Cangussu, que, há muitos anos, não via; foi um momento de muita emoção ao me contar de situações terríveis pelas quais passou ao contrair a COVID. Seus olhos brilharam emocionados por estar vivo, na plenitude de sua vida. Emocionado, disse a ele quanta alegria por encontrá-lo e por ele estar bem.
Outro dia, numa madrugada bastante nublada com aquela nevoa que não permitia enxergar quase nada, ia buscar lenha na fazenda de um amigo e precisava deixar a carga que estava na minha camionete num terreno de nossa propriedade no alto e próximo à estrada por que viajaria. Na dificuldade de abrir o portão, vi que vinham duas pessoas conversando em uma bicicleta. Sem reconhecê-las, pedi ajuda, e um deles, de prontidão, me respondeu: – “Filhos de Jesus têm que se ajudar. “Quando desceu da bicicleta, um deles falou: – Que bom que é o senhor Edvaldo Paulo! Quando o fitei, logo reconheci o Senhor Abílio, que trabalhou comigo. Fiquei muito alegre ao revê-lo, pois tinha realmente muitos anos sem o encontrar. Ajudaram-me a abrir o portão. Quando finalizou a tarefa, ele me disse da alegria de ter-me encontrado e solicitou que fizéssemos uma oração. De mãos dadas, oramos a oração que Jesus nos ensinou. Senti-me tão feliz, tão abastecido de energia, tão emocionado, tão completo com aquele encontro e aquela oração!
Na estrada, dirigindo sozinho, fui recordando do encontro com meu amado amigo Humberto Flores no ano passado. Humberto, de saudosa memória, um gentleman: espirituoso, alegre, sempre de bem com a vida, com quem sempre fazia uma brincadeira para elogiá-lo. Dizia que ele era uma arvore frondosa na beira de uma estrada na fazenda, de quem, com o calor imenso que estava, ao ficar à sua sombra, não queríamos mais nos afastar. Assim era a pessoa dele; sempre tão cativante, agradavelmente educado, de uma personalidade inigualável. Ao falarmos da pandemia, pois estávamos a atravessando, ele proferiu uma frase inesquecível: “Quando eu for embora para o outro lado da vida, no momento em que você chegar lá, farei uma grande festa.” Lembrei das nossas conversas. Despedimo-nos no final daquela tarde e aquele foi nosso último encontro. Graças a Deus, tive a oportunidade de dizer ao meu amigo o quanto lhe queria bem, do carinho e da amizade que lhe dedicava, o que ele retribuiu prontamente. :: LEIA MAIS »















