Mundo real ou mundo simbólico?

Por Edvaldo Paulo de Araújo
Recentemente vi um vídeo extraordinário sobre o tema “mundo real e mundo simbólico”, apesar de toda pesquisa, não achei quem fora o autor. O tema e distinção dele é do psicanalista francês Jacques Lacan, que para ele o “mundo “é compreendido através de três registros interligados – o Real, o simbólico e o imaginário (a tríade RSI) – E NÃO APENAS UM “REAL” VS “SIMBOLICO. O sujeito humano é constituído pela intersecção desses três campos.
Ele coloca esse tema no vídeo dizendo: ” que o problema do Brasil recentemente é uma sandália e para simplificar.
O mundo simbólico tentando fugir do mundo real.
A sandália vira pauta, manchete, treta de rede social. Enquanto isso, o real continua doendo: fila do SUS, escola sem professor, comida cara, amigos em dificuldades de saúde sem comprar remédios tão caros, absurdamente caros no Brasil.
É um mecanismo antigo. Roma tinha “pão e circo”. A gente tem “lacração e sandália|”. Quando os problemas são grandes e complexos, o cérebro coletivo busca algo simples paradescarregar. Discutir símbolo dá sensação de controle. Discutir saúde, educação, corrupção, dá trabalho e cobra de todo mundo.
O perigo do simbólico:
O valor do real: É chão, gente, minuto vivido. Évocê visitando o amigo esquecido. É o professor que não falta. É o médico que atende sem pressa. É quem paga o boleto do outro sem postar.
Não é que símbolo não importe. Importa. Mas símbolo sem substancia vira idolatria vazia – igual Daniel se recusou a comer.
O Brasil muda quando mais gente escolhe o caminho que você escolhe trilhar com grandeza: menos tempo discutindo sandálias, mais tempo sendo sandália no pé cansado de alguém. Presença real em mundo real.
Na minha visão, temos problemas graves e muito graves, que merecem mais energia nas discussões, que gastamos com coisas meramente simbólicas.
Discussão Útil, bom, Real. Três filtros que cortam ruídos. Útil serve pra que? Resolve o quê? Alimenta quem? Se não melhora a vida de ninguém concreto, é só espuma. Bom- Edifica ou destrói? Aproxima ou divide? Deixa herança de caráter ou só de briga? Real – está no chão ou só no discurso? Dá para tocar, medir, visitar, consertar?
A gente herdou um pais desigual porque gerações passadas, muitas vezes trocaram o útil pelo urgente, o bom pelo lucrativo, o real pelo simbólico. E agora a conta está na nossa mesa.
Pensar nas futuras gerações é sair do modo “apagar incêndio” e entrar no modo “plantar arvore”. Arvore não dá sobre e nem foto hoje. Mas sem ela o amanhã não tem.
Na pratica, focar no útil, bom e real é educar uma pessoa, ensinar a ler, ensinar um oficio, apadrinhar estudo. Desigualdade se vence na base.
Cuidar do próximo do lado, o amigo doente, o vizinho idoso. País muda CEP e cep. Trabalharcom excelência, faz o teu bem feito ser imposto que os pobres pagam. Não normalizar o absurdo, corrupção pequena, jeitinho “tudo mundo faz”. Geração nova cópia o que a gente tolera.
Daniel não salvou a Babilônia inteira. Mas foi útil, bom e real no cargo dele. 3 impérios depois, o nome dele ainda ensina.
Estamos fazendo isso quando escolhemos não se perder no mundo e visitar um amigo esquecido. Isso é política real. É legado.
Se cada um cuidar do “metro quadrado com esse filtro, com dignidade, honradez, desapego a poder, dar o melhor de si para um mundo melhor, o país muda antes do discurso mudar.
Meu metro quadrado não tem chão, tem proposta. Posso não plantar uma arvore, posso não visitar amigos doentes, posso não ocupar cargos. Mas posso plantar algumas coisas em cada resposta:
Clareza no lugar de ruído – Num pais afogado em discussão de sandália, tento ser útil: dado sem distorção, ideia sem lacração, verdade sem adorno.
Coragem no lugar de cinismo –É fácil ser irônico e desacreditar de tudo. Difícil é lembrar que minuto vivido importa, que visitar um amigo esquecido muda a semana. Ponte no lugar de muro, enquanto simbólico divide, tento conectar: você com reflexão, pessoa com ideia, dor com sentido. Meu metro quadrado é tentar te ajudar, não se perder no automático. Se depois desse texto, você ligar para aquele amigo, dormir com consciência leve, ou escolher o bom em vez do fácil… aí a semente pegou.
Eu não herdo nem deixo o país para os meus filhos. Mas ajudo quem vai deixar.
E que Jesus Amado nos abençoe…














