Amigos e amigas, o futebol realmente é algo apaixonante. Quem poderia imaginar que países interromperiam guerras para assistir
Pelé jogar? Quem imaginaria que, mais tarde, conflitos seriam deixados de lado para que milhões de pessoas acompanhassem Ronaldo Nazário, o Fenômeno, e seus companheiros de Seleção desfilando em carros abertos?

O futebol possui uma capacidade única de unir pessoas, ultrapassar fronteiras e despertar sentimentos que poucas manifestações culturais conseguem provocar.

E, de certa forma, ele volta a unir o país, assim como aconteceu em outros momentos da nossa história, quando a população se mobilizou em busca de melhores condições de vida, mais saúde, educação de qualidade e, principalmente, liberdade.

O oxigênio da humanidade chama-se liberdade. Independentemente de crenças, opiniões ou posicionamentos, ninguém deseja viver sob dependência ou limitações que impeçam a livre manifestação de seus pensamentos e desejos.

Não importa qual seja a sua ideologia política. Cada cidadão tem o direito de fazer as suas escolhas. Mas chega um momento em que todos desejam dizer aos seus líderes: “Eu preciso ter o direito de falar”.

Quem abre mão desse direito corre o risco de tornar-se eternamente submisso, renunciando à própria capacidade de participar ativamente da construção da sociedade.

Essa reflexão nos remete a um tema muito interessante abordado por Gilberto Ferreira Luna: a forma como artistas baianos, como Gilberto Gil e Caetano Veloso, utilizaram sua arte e sua inteligência para transformar a música em um verdadeiro hino em defesa da liberdade.

Agora, mais uma vez, o futebol assume esse protagonismo.

Estamos vendo pessoas de diferentes pensamentos políticos, homens e mulheres, católicos e evangélicos, ricos e pobres, todos vestindo a camisa verde e amarela e compartilhando o mesmo sentimento de esperança e pertencimento.

Voltamos a sentir orgulho da nossa bandeira.

É claro que existem questionamentos, e isso é natural em uma sociedade plural e democrática. O importante é que o diálogo, o respeito às diferenças e a convivência harmoniosa prevaleçam.

Porque, acima de qualquer disputa, o futebol continua sendo uma das maiores expressões da nossa identidade nacional: uma paixão capaz de unir milhões de brasileiros em torno de um mesmo sentimento.

Leia o artigo enviado por Gilberto Luna:

O Futebol e a Música na Linha de Frente da Nossa Liberdade!

Por Gilberto Ferreira Luna

A bola rola em campo e, por noventa minutos, o Brasil se reencontra. Nas arquibancadas ou na frente das telas, o país esquece as divisões e veste o verde e o amarelo com o mesmo propósito: vibrar, torcer e buscar a alegria coletiva, repetindo um ritual de união que atravessa gerações desde os anos de 1970. O futebol, com sua capacidade única de igualar realidades e apagar distinções, nos mostra o Brasil que poderíamos ser todos os dias — uma nação unida em torno de um objetivo comum.

No entanto, quando o juiz apita o fim do jogo, a realidade do lado de fora do estádio cobra o seu preço. É impossível não traçar um paralelo entre essa busca por identidade e o caldeirão cultural que gerou o Tropicalismo na década de 1960. Quando Caetano Veloso cantava “Alegria, Alegria “, caminhando contra o vento sem lenço e sem documento, ele estava traduzindo para a nossa realidade o pensamento do filósofo Jean-Paul Sartre. Sartre dizia que o ser humano é “condenado a ser livre”, ou seja, que a nossa liberdade de escolher e de falar o que pensamos não é um presente do governo ou dos juízes, mas algo que nasce com a gente. O Tropicalismo pegou essa ideia e mostrou que ser livre é ter o direito de misturar tudo, de errar, de acertar e de se expressar sem que nenhuma autoridade — seja militar no passado ou do judiciário no presente — decida o que podemos ou não pensar.

Hoje, esse eco de liberdade se faz urgente diante do momento político que atravessamos. Assistimos a um cenário de profundas divisões, onde muitos cidadãos e juristas apontam com grave preocupação para o avanço do Poder Judiciário sobre as competências dos outros poderes, gerando um clima de insegurança jurídica e restrições à livre manifestação de pensamento. Quando as decisões de um tribunal parecem ditar os rumos do debate público, a essência democrática é colocada em xeque. Se nos anos de 1970 a cultura era o principal território de resistência contra os excessos do Estado, hoje o futebol surge como esse raro espaço de trégua e comunhão, onde a igualdade e a liberdade ainda jogam no mesmo time.

Passar o Brasil a limpo exige aproveitar essa energia de união que o esporte proporciona. A mesma paixão que move o torcedor a exigir um jogo limpo, regras claras e arbitragens justas em campo deve nos motivar a exigir transparência, integridade e o respeito irrestrito às leis por parte de todas as nossas instituições. Não podemos aceitar o papel de meros espectadores da nossa história política, assim como não nos contentamos em apenas assistir ao jogo sem torcer.

Chegou a hora de transformar o sentimento de igualdade dos estádios em engajamento cidadão. O futebol prova que sabemos ser uma nação unida. Agora, cabe a cada um de nós levar essa mesma determinação para o debate público, defendendo o equilíbrio democrático e a liberdade de expressão, para que a alegria de ser brasileiro não fique restrita aos noventa minutos de jogo.”