Meus amigos, minhas amigas, caros leitores do nosso blog, mais uma vez o engenheiro civil, empresário e analista político Gilberto Ferreira Luna traz a sua colaboração para enriquecer o debate e estimular a reflexão dos nossos leitores.

Como já é de conhecimento de muitos, Gilberto acompanha atentamente os acontecimentos nacionais e internacionais, observando os desdobramentos políticos, econômicos e geopolíticos que influenciam diretamente a vida das sociedades contemporâneas. E, naturalmente, o Brasil está inserido nesse contexto.

Na análise que apresentamos a seguir, o autor propõe uma reflexão sobre um tema extremamente sensível e complexo: o combate ao narcotráfico. Trata-se de uma questão que ultrapassa fronteiras, envolve interesses diversos e desafia governos em várias partes do mundo.

Os acontecimentos recentes relacionados ao governo americano e seus posicionamentos sobre o enfrentamento ao crime organizado internacional voltaram a colocar esse debate em evidência. E é justamente nesse cenário que a contribuição de Gilberto Luna ganha relevância, ao provocar questionamentos e estimular uma análise mais ampla sobre o assunto.

Por isso, não seria adequado alongarmos demasiadamente esta introdução. O texto fala por si. É uma reflexão que convida ao debate e à avaliação crítica dos fatos, sem abrir mão da responsabilidade que temas dessa natureza exigem.

O que podemos afirmar é que a sociedade brasileira precisa discutir, cada vez mais, questões que impactam diretamente a segurança pública, a estabilidade institucional e a vida dos cidadãos. O avanço das organizações criminosas, a exemplo do PCC e do Comando Vermelho, continua sendo um dos grandes desafios enfrentados pelo país.

Dito isso, deixamos aos nossos leitores a oportunidade de conhecer a análise de Gilberto Ferreira Lima, uma colaboração que certamente contribuirá para ampliar o debate e estimular diferentes pontos de vista.

Leiam, reflitam e tirem as suas próprias conclusões:

“O BRASIL SOZINHO NÃO CONSEGUE COMBATER O NARCOTRÁFICO

O governo do Paraguai autorizou oficialmente a entrada e a permanência temporária de tropas dos Estados Unidos em seu território, estabelecendo um Acordo sobre o Status das Forças (SOFA) com foco no combate ao narcotráfico e ao crime organizado na região de fronteira. Essa medida estratégica cria um polo de monitoramento avançado e inteligência militar em um país considerado um dos principais redutos operacionais de facções criminosas fora do Brasil.

Essa aproximação militar coincide com as atuais  medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos, que classificaram formalmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A designação, coordenada pelo Departamento de Estado americano, eleva o status dessas facções de criminalidade comum para ameaças globais, permitindo o bloqueio sumário de bens e sanções financeiras severas.

A intervenção externa ocorre diante da crônica incapacidade atual do governo brasileiro de combater eficazmente essas organizações criminosas. As facções conseguiram se infiltrar profundamente em todos os setores do Estado, alcançando estruturas do Poder Legislativo, do Judiciário e de diversos segmentos do Poder Executivo, dificultando muito a capacidade de reação das instituições locais.

Essa infiltração permitiu que o crime organizado se aparelhasse de tal forma que hoje atua com força em vários segmentos da economia formal. Ao misturar o dinheiro do tráfico de drogas e armas com atividades empresariais legítimas, as facções lavam seus ativos financeiros e distorcem o mercado, tornando quase impossível sufocar o grupo apenas com os mecanismos econômicos tradicionais.

Como reflexo dessa falência institucional, a delinquência e a violência urbana imperam sem freios em alguns estados brasileiros. O exemplo mais dramático dessa realidade é o estado do Rio de Janeiro, onde o domínio territorial das facções criminosas e das milícias sobre as comunidades e os serviços essenciais tornou-se absoluto.

Apesar da gravidade do cenário, existe uma controvérsia jurídica e política muito grande em relação às duas medidas tomadas pelo governo americano de tornar o CV e o PCC organizações terroristas. Trata-se de um tema complexo que divide opiniões de especialistas, juristas e analistas internacionais em todo o mundo.

Várias instituições internacionais também mantêm posicionamentos divergentes sobre o tema. Organismos vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, sustentam tradicionalmente que o terrorismo exige motivação ideológica ou política, enquanto juristas apontam que a mudança de enquadramento pode travar os canais tradicionais de cooperação policial e jurídica entre os países.

Mesmo diante de tantas contradições e debates, a defesa das medidas adotadas pelo governo americano se mostra necessária e legítima. A história recente demonstra que a aplicação de leis rígidas de asfixia financeira internacional e o apoio de inteligência externa são as ferramentas mais eficazes quando o Estado local perde o controle de suas fronteiras.

Existem vários exemplos práticos dessas ações em países da América que deram certo e comprovam a eficácia desse modelo. O Plano Colômbia, instituído no início dos anos 2000, conseguiu desmantelar a estrutura quase estatal dos grandes cartéis, enquanto o apoio logístico recente do Comando Sul dos EUA ao Equador foi fundamental para conter a onda de violência que ameaçava colapsar aquele país.

Ao analisar o cenário doméstico, é evidente que tanto a direita quanto a esquerda brasileira estão erradas e estão sendo profundamente oportunistas em seus discursos. Ambas as correntes políticas preferem a retórica ideológica e eleitoral ao enfrentamento técnico e corajoso do problema da segurança pública.

A direita brasileira demonstra oportunismo ao tentar pegar carona pongando  na decisão tomada pelo governo americano, querendo transformá-la em um troféu político próprio. Essa postura ignora o fato de que a medida já estava programada  pela inteligência de Washington, tendo em vista a presença e a expansão comprovada dessas próprias facções dentro do território dos Estados Unidos.

Por outro lado, a esquerda comete um erro grave ao defender uma soberania nacional de um governo que, na prática, só tem discurso e retórica. Embora ações policiais pontuais e eficazes tenham sido coordenadas recentemente, o envolvimento profundo das organizações criminosas em vários setores econômicos e políticos torna o governo incapaz de,sem ajuda externa ,  realizar um combate eficiente.

Diante dessa realidade transnacional, o único caminho viável é procurar eliminar e exterminar definitivamente estas organizações através de uma cooperação internacional robusta. O Brasil deve deixar as paixões partidárias de lado e liderar essa articulação, unindo forças e inteligência global para recuperar o controle do seu próprio território.

Gilberto Ferreira Luna”