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blog do marcelo

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:: ‘Nando da Costa Lima’

Cansadérrima…

nando da costa lima

Neusinha sempre se destacou,desde menina sonhava com o estrelato, queria ser atriz. Como não deu certo, por causa de sua voz estridente, foi o jeito se casar com o prefeito e se tornar primeira-dama. Tá certo que o casamento foi arranjado. Casou com aquele caco-velho por uma questão de interesse, mas valeu a pena. Com o tempo ela descobriu que nasceu para ser mulher de político, adorava um conchavo, e não pode se negar que as quatro últimas campanhas só foram ganhas graças a sua participação. Fazia de tudo pra conseguir votos pro maridão, no Natal distribuía remédio com a data vencida. No S. João fazia o mesmo, só que em vez de remédio dava comida estragada, era o exemplo de caridade da cidade. Neusinha já tava beirando os cinquenta anos, e se quando nova já não era lá essas coisas, agora tinha virado um bucho. O que tinha de feia tinha de convencimento. Era um castigo para os políticos que tinham que entrar em contato com o prefeito, sem sua permissão nada se resolvia naquela progressista cidade da caatinga baiana. Ela fazia de tudo pra que aquele fim de mundo tomasse jeito de cidade, queria modernizar o lugar de qualquer maneira e isto às vezes levava o marido ao ridículo. Como da vez que contratou Luiz Caldas para um show e fez questão que o prefeito aparecesse trajado no mesmo estilo do artista, até brinco ela pendurou no “velho”. Aquilo quase o fez ser expulso do partido, só não foi porque se defendeu lembrando que tem um político baiano que se fantasiou de baiana na França e continuou dando as cartas. Mas este fato não deixou de tirar um pouco de sua popularidade. O mesmo aconteceu com aquele inconveniente de escolher seu sogro como O Homem do Ano sendo que o velho tinha morrido há 17 anos. Neusinha quis consertar dizendo que o velho tinha mandado uma mensagem por um médium pra construir o Ginásio de Esportes, que foi a obra do ano, mas não teve jeito: Os homens de bem da cidade ficaram retados. Como todo novo rico, todos queriam ser o Homem do Ano no lugar do defunto. Foi o jeito deixar o sogro como o 1º Homem do Ano, e eleger um 2º Homem do Ano :: LEIA MAIS »

Um causo de amor partido

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Deoclécio estava irritadíssimo, mas não era pra menos. Logo Marilourdes, que pregava nos quatro cantos da cidade que era apaixonada por ele, foi fazer aquilo. O amor entre os dois parecia indissolúvel, até nas “caçola” Marilourdes mandou bordar “D” de Deoclécio e o “M” do nome dela. Todo mundo achava a coisa mais linda. Deo já tava com mais de uma semana de cachaça, só fazia isso! Tava de dar pena… Mas a safada da noiva foi dar pro cantor da boate dentro do banheiro das mulheres. O caso se tornou público e Deoclécio acordou com aquela sina que com certeza o acompanharia por toda vida. Sua amada noiva deu pra Jerry Bocão, o cantor da banda de forró Amansa Corno. O local que a safada escolheu tornou o caso ainda mais escandaloso. No banheiro da boate, aquilo não era coisa de gente que se preze! Foi uma desfeita tão grande que ele quase virava padre, nesse tempo ainda se entrava pro seminário quando se tinha um grande desgosto! Mas ele era muito macho pra se esconder atrás de uma batina só por causa de uma piranha safada que o traiu com um cantor de terceira. Ele não ia dar o braço a torcer, ia dar a volta por cima e mostrar pro resto da cidade que quem saiu perdendo foi ela…
Tomou logo um banho de loja e se picou pra capital pra esfriar a cabeça. Tava ficando paranoico, não podia ficar só que lhe vinha em mente sua ex-noiva toda pura dando uma rapidinha num canto duma boate, que por acaso era sua. Tá certo que qualquer um pode levar chifre, mas nos anos 70, numa cidade pequena… era foda! E ele era o rei do pedaço, pegava toda menina que se sobressaía. Era um galã na época. Porte atlético, vozeirão, bonito, mas caiu na infelicidade de se apaixonar pela mulher errada. Era o jeito passar uns seis meses em Salvador pra tirar a urucubaca e voltar botando pra lascar. Não seria Deoclécio “comedô” que ficaria chorando pelos cantos só porque tomou um corno, o negócio dele era dar a volta por cima. Marilourdes já tinha caído na real, sabia da besteira que tinha feito. Aquela porra de cantor nem trepar sabia, ô tempo perdido! Mas naquelas alturas do campeonato não tinha santo que podia ajudar a noiva arrependida. Quem tentava acalmar a moça a encontrava abatida e chorosa, mostrando o enxoval completo vindo da Zona Franca de Manaus… Segundo os mais chegados, ela ia acabar morrendo, pois não comia nem dormia, a única coisa que consumia era água. A tragédia tava traçada: De um lado, uma noiva arrependida falando pros quatro cantos que ia se matar se perdesse Deoclécio; do outro, o noivo que estava irredutível. Com aquela piranha de banheiro ele jamais se casaria. E não ia dar certo mesmo, os pais de Deoclécio ameaçaram deserda-lo caso ele voltasse a conviver com aquela puta de boate. O povo só falava daquilo, e Deoclécio deu uma entrevista na rádio falando que ia abandonar aquela cidade que lhe causou vergonha. Ninguém mais respeitava o “pleiboi”, onde quer que passasse alguém logo gritava: “Lá vai o corno do banheiro!”. Ele já nem mais rebatia a grosseria! Um filho de família tradicional na política local não podia nem pensar em retornar pros braços daquela vagabunda. :: LEIA MAIS »

Pescando piranhas

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Eram amigos há mais de trinta anos, todos na faixa dos sessenta, apesar de divergirem em vários pontos e serem profissionais em áreas diferentes, tinham algo em comum: eram fanáticos por pescaria e adoravam piranhas (dos dois tipos). Todo final de ano tinham um programa que era sagrado, deixavam as esposas em casa e ficavam um mês na beira do rio São Francisco, era o mesmo que estar no céu. A pescaria do grupo era famosa na cidade, eles levavam de tudo: fogão, geladeira, cozinheiro, enfermeiro. Eram dois caminhões carregados de mordomias, mas o melhor que eles levavam eram as putas, estas eram escolhidas a dedo no decorrer dos dois mil quilômetros percorridos do lugar onde moravam até o local da pescaria. Passavam por uma meia dúzia de cidades, só entravam nos bregas pra fazer a seleção, e continuavam a viagem. Quando chegavam ao local da pescaria a festa era geral, o pessoal já sabia que era um mês de festa, tudo do melhor, comida, bebida e principalmente mulher bonita e safada. Os nativos passavam bem, os pescadores de fim de ano dividiam tudo com eles, e olha que era um mês de orgia. Uma vida que todo mundo deseja! A volta era sempre triste, mas levavam na bagagem recordações para o resto do ano.
Teve um ano que a coisa foi diferente. Aconteceu que as mulheres legítimas resolveram acompanhar os maridos na tão famosa pescaria, e resolveram de última hora, não deu nem tempo deles arrumarem uma desculpa e desistirem, o jeito foi encarar e ver no que dava. A viagem foi a mais monótona feita pelo grupo, parecia que não tinha fim, não pararam em lugar nenhum. Quando chegaram o povoado estava vazio, os nativos estavam todos na colheita que iria terminar quatro dias depois. Eles mesmos tiveram que ir armar as barracas na beira da praia, quando terminaram já tinham acontecido três brigas com ameaça de separação, no segundo dia tinham cinco madames de óculos escuros para esconderem o olho roxo. No terceiro, a mulher de seu Pedro, uma jamanta com mais de cento e vinte quilos, deu tanta porrada no coitado que quebrou a cara toda, só não matou porque os amigos interferiram. As coisas corriam mal, parecia uma guerra, e pra completar uma das senhoras se limpou com ortiga: derrubou metade do acampamento arrastando a bunda no chão. Nesse mesmo dia eles resolveram embriagar-se para relaxar, o ambiente tava muito tenso. Viraram a noite bebendo, e no outro dia, todos completamente bêbados, começaram a gozar da cara de seu Pedro pela surra que havia levado da mulher. Este pra se vingar bateu nas costas do amigo que estava mais próximo e perguntou: “Aníbal, por que você nunca traz a bichona do seu filho para pescar?”. :: LEIA MAIS »

Conquista: Assim Tudo Começou

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

A mata estava nublada, não dava pra enxergar um palmo adiante do nariz, o frio gelava os ossos, mesmo cansados e congelados os homens continuavam a caminhada mata adentro, o capitão mor tinha dobrado o pagamento para que aquela empreitada se realizasse antes do sol nascer. Tinham que acabar com aqueles índios que estavam impedindo a entrada da civilização na melhor faixa de terra do planalto. Eram as terras dos mongoiós, uma gente pacífica que apenas reagia às invasões de sua terra, só queriam permanecer no lugar que era seu por direito , eles estavam a mais de uma légua da grande aldeia justamente para impedir a entrada dos desbravadores, estavam em maior número , mas as armas usadas pelos brancos desequilibraram a batalha. Era tanto índio , que os clavinotes explodiam de tanto serem recarregados. A briga foi feia, o mestre de campo quando viu que seus homens estavam fraquejando, prometeu ajoelhado que construiria uma capela naquele local, pra Nossa Senhora das Vitórias, se eles derrotassem os índios. O resto do pessoal se contagiou com a fé do chefe, lançaram mão dos facões e decidiram a batalha no combate corpo a corpo, a luta foi penosa, mas eles saíram vitoriosos. Os índios que não morreram foram capturados.
Para Taipi, teria sido melhor que fosse morto. Depois de capturado, ele teve que ajudar a construírem uma capela no lugar que seus irmãos foram aniquilados. Aquelas matanças não entravam em sua cabeça, por quê aquelas perseguições do branco. Eles deviam se bater com eles que vivem pra combater, nós Mongoiós somos descendentes dos Tupinambás. Somos como onças, só reagimos quando acuados.
Com o tempo, o mestre de campo cumpriu o prometido, conseguiu tomar a grande aldeia mongoió em menos de um ano. Os índios reagiram, mas logo cederam, era um povo tão pacífico que achou melhor tentar viver servindo o invasor, os que não concordavam com a submissão fugiram pra margem do rio Pardo. :: LEIA MAIS »

Réveillon

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

A festa estava como sempre foi em reunião de fim de ano. As mulheres de um lado exibiam as joias e distribuíam simpatia, as mais extrovertidas exibiam os conhecimentos gerais! Do outro lado os homens, todos com ares de donos do mundo discutindo a crise econômica, todos com um plano infalível! O cheiro de perfume “francês” combinava com o “whisky” servido. Todo aquele material falsificado entrava em harmonia com a falsidade das pessoas. Formava um clima tão artificial que parecia encenação! A coisa tava tão feia que até os enfeites de fim de ano desejando felicidades eram em inglês, e todos os convidados estavam usando chapeuzinhos de papel daqueles que a gente pensa que só tem em réveillon de americano.
Wellington Jr., filho pródigo do casal anfitrião tinha acabado de chegar de uma temporada de 6 meses nos Estados Unidos da América, estava a antipatia em pessoa, só falava em inglês e sentia dificuldades em entender o português. Dayse, a filha mais velha, contava seu dia na faculdade de psicologia, e como toda futura psicóloga, estava apaixonada por Freud, tinha uma explicação freudiana para tudo, inclusive para sua tara por adolescentes e seu hábito de nunca usar calcinha. Uma madame ficou entusiasmada com as ideias da futura psicóloga e resolveu imitá-la ali mesmo. Tirou sem a menor cerimônia e lançou no meio da sala aquela “caçola” imensa, era verde oliva, parecia uma barraca de escoteiro. Mas todas as outras, inclusive o decorador Kiko Saint’ Paula Star vindo de Jequié especialmente para decorar a festa, acharam chi-quer-rí-ma a atitude da madame Laurinha. Até aplaudiram! Mas isto não vem ao caso, o importante é a festa: a anfitriã fazia questão de reclamar dos empregados da casa em frente aos convidados. Não sei porque a maioria delas agem assim, dão ordens como verdadeiras rainhas medievais: parece que acham “chic” serem grossas. :: LEIA MAIS »

Boi, boi, boi…

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Qualquer um pode se dedicar ao “puxassaquismo”, mas pra ser puxa-saco de político o cidadão tem que ter dom… Tem até PhD nessa arte!
– Pois é Ermígio, o menino nasceu no mês passado e até agora a gente não escolheu o nome nem o padrinho, tá na hora de resolver. Eu não quero que meu filho fique “passado” igual Averaldinho de dona Julinda, você sabe que menino pagão atrai coisa ruim. Estou pensando em chamar Dú de Zinha pra ser padrinho, é nosso amigo há anos! Tirando a cachaça não tem pessoa melhor.
– Espera aí mulher, vamos com calma. Tá certo que está na hora de batizar o menino, mas só que o padrinho deve ser outra pessoa, não é que eu tenha nada contra Dú de Zinha, o problema é que o homem é comunista de chapéu batido e eu sou um político de direita…, vai pegar mal. Além do mais tem aquela velha história que comunista come criancinha…, eu até pensei que fosse lenda, mas não…
– Mas até você Ermígio! Um vereador falando uma bobagem dessa, comunista é igual a qualquer outro político, a única diferença é que eles só se elegem em Pernambuco. Esse negócio de “comer criancinhas” é coisa do tempo antigo.
– Então como é que você explica o pé de uma criança que foi encontrado dentro do congelador da sede deles???
– Aquilo foi armação, aquele pé quem colocou na sede do partido foi o próprio adversário. A rapariga de Dr. Francisco disse que ele trouxe aquele pé da capital, foi um golpe sujo, graças aquilo ele foi eleito. E olha que a esquerda já tinha certeza da vitória, aquele doutorzinho não passa de um desavergonhado!
– Mulher, mulher! Seu mal é acreditar nesses boatos. Você acha que um homem bom como Dr. Francisco, “O Pai dos Pobres”, iria lançar mão de um golpe tão baixo para ser eleito??? Só você pra acreditar nas fofocas de politiqueiro…
– Ele é de fazer coisa pior, você tá careca de saber que em época de eleição o Dr. liga mais trompa que o número de eleitores da cidade. Em vez de “Pai dos Pobres” deveria ser chamado de “Capa Pobre”, eu só escapei porque não sou besta, você puxa tanto o saco dele que chegou a concordar. Parece até que é “caso” daquele descarado. Me falaram que ele é “baitôla”. :: LEIA MAIS »

A “véa” da Rua do Gancho

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Eu não posso afirmar com absoluta certeza, mas é claro que eu acredito. Esta história eu escutei contada pelo filho mais velho de um dos muitos senhores que tiveram o desprazer de ter contato com essa assombração. Tem gente que diz que Tio Pedro Moreira chegou a fotografar a aparição, mas infelizmente o filme queimou. Esta “véa” aparecia na Rua do Gancho mais ou menos na mesma época em que teve uma chuva de piaba na Praça do Jenipapo (hoje a Praça Vitor Brito). Essa chuva também é muito questionada, é que no início o povo falou que da chuva só caiu piaba, mas o tempo foi passando e teve gente que viu chover até traíra de 4 quilos ou mais. Isso nem vem ao caso, foi só porque coincidentemente aconteceram dois fatos pitorescos mais ou menos na mesma época!
Pois bem, a “véa” só aparecia pra quem tinha carro. A miseravona era elitista, naquele tempo só quem tinha carro eram os mais abastados: fazendeiros, profissionais liberais e os nossos eternos heróis das estradas, que são os caminhoneiros. Como já falei no início, foi Delcindo Neto que me contou o aperto que seu avô passou na Kombi “cortinada” que ele tinha acabado de comprar. Segundo seu neto, o velho só não morreu porque lembrou em tempo de rezar um credo de trás pra frente. Quando a “véa” começou a aparecer, muito homem valente passou a ir pra roça sempre acompanhado. Se passasse pelo Gancho sozinho, não andava 100 metros que sentia a presença da “véa”. Tinha gente que só via a livusia refletida pelo retrovisor. Ela pongava no carro no Gancho e só descia no café sem troco. De lá já ficava esperando passar outro motorista solitário pra pongar no carro e vir assustando o cidadão até a entrada da cidade. O pessoal pensou até em chamar um padre pra ver se resolvia, mas nesse tempo tinha que esperar uma ordem do Vaticano. Daí nosso povo ter convivido tanto tempo com essa “véa”. Era o trem mais esquisito que se tem notícia, dizem que media mais de dois metros, pesava uns 30 quilos e só tinha um dente enorme e preto, tão grande que ela coçava a verruga do queixo com o dentão. As unhas, só pra você ter uma ideia, se comparássemos com as de Zé do Caixão, as deles são aparadas. :: LEIA MAIS »

À margem da história

nando da costa lima

* Por Nando da Costa Lima

O povoado todo esperava a chegada do príncipe, era coisa rara um nobre visitar aquelas paragens no início do século XIX. O vigário já não se aguentava, ia completar seis horas que não tomava uma, estava sóbrio até aquela hora, porque era o único que tinha formação pra receber uma figura tão ilustre. O príncipe atrasou 3 dias, quando chegou encontrou o padre pisando na bainha da batina, tava tão bêbado que o Vossa Majestade demorou cinco minutos pra sair, quando saiu foi acompanhado por uma chuveirada de cuspe que lavou o rosto do visitante. “O bafo indicava que o vigário apreciava bebidas fortes”. Em seguida convidou Vossa Alteza para fazer um bacanal com umas índiazinhas que ele criava — A realeza ficou indignada, recusou-se energicamente — O padre ficou meio sem graça, fechou a cara. Mas quando o príncipe, pra mostrar que estava irritado, colocou a mão na cintura e começou a bater o pé, o reverendo animou-se e olhando pra bunda do nobre falou com cara de vitorioso — Se o caso de Vossa Alteza é outro não tem problema, eu também tenho um “indião” só pra pagiar europeu em excursão. Aquilo foi o fim para o nobre visitante, nem quis ficar hospedado na casa daquele tarado, ficou tão nervoso que fez uma carta pro governador esculhanbando com o padre, aqueles não eram modos de receber um estudioso. :: LEIA MAIS »

Os coronéis nunca pecavam

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

Década de 20, uma época em que os políticos ainda usavam os “coronéis” para manterem-se no poder. Este conto mostra as esposas de dois coronéis conversando amenidades na varanda de um casarão…
– Pois é comadre, eu não tenho o que queixar do meu marido “Coroné” Balbino. Homem bom tá ali! Católico praticante, segue a bíblia à risca! Até aquela parte que diz que quando alguém bater numa face você deve oferecer a outra, ele cumpriu. Aconteceu logo que a gente casou. Só que o sujeito que fez isto com ele até hoje não pode ver um martelo que chora. Balbino usou da Lei de Talião: olho por olho e dente por dente! Três dias depois mandou seus “camaradas” pegar Manelão e aplicar 20 marretadas em cada mão, não ficou um osso inteiro…
– Matou, comadre?
– Não, só deixou as duas mãos inutilizadas pra nunca mais aquele moleque se meter a besta. Êta homem bom, se fosse um ignorante que não conhecesse as Escrituras, tinha matado…
– E eu não sei comadre, quando meu finado “Coroné” Pacheco morreu ele ficou passando lá em casa toda noite, sempre levava alguma coisa pra afilhada, você lembra? Às vezes até pernoitava pra proteger a gente.
– Como é que eu ia me esquecer comadre?! Aqueles fofoqueiros espalharam no povoado que meu Balbino tava querendo namorar com a comadre. Mas cê viu no que deu…
– Mas linguarudo tem mais é que queimar “nos inferno”, aqueles dois trastes não estão fazendo falta nenhuma.
– Eu concordo, Dudu Bocão e Pedro Língua de Sogra não valiam nada. Tiveram o que mereciam. Até o padre eles caluniaram só porque os coroinhas só podiam sentar de bandinha. Vê lá se um homem de Deus ia bolinar criança.
– É…, enterraram os dois no mesmo dia. Pedro morreu terça-feira e Dudu na quinta. A família sabia que o coroné não deixava “serviço” pela metade e esperou ele acabar a empreitada pra não ter dois trabalhos.
– Eu só não concordei com uma coisa comadre.
– Oxente, o que foi que o compadre fez que a senhora não gostou?
– Aquele negócio de ter mandado costurar a boca da velha Etelvina com corda de viola para evitar falatório.
– Mas foi Etelvina que pariu aqueles dois trastes, ia ficar falando o que não devia pros quatros cantos. Além do mais a velha já tava com os dias contados! Enfartou logo em seguida… :: LEIA MAIS »

Moranga, Magassapo e Mamoneira

nando da costa lima

Por Nando da Costa Lima

– O senhor entendeu errado, seu Miguidônio, eu não quis falar que o senhor era especialista em puteiro, eu só disse que o senhor sabia tudo sobre os puteiros do passado de Vitória da Conquista.
– Mas eu sei porque sou um estudioso do assunto, e eu só cheguei a frequentar o Magassapo e a Mamoneira. A Moranga eu só sei que existiu porque meus tios falavam sempre. Tinha um bar de um sujeito que era conhecido por Javanês. Não sei se ele era da ilha de Java, ou se assumiu a cidadania inspirado no conto de Lima Barreto. Ou até se foi um apelido dado pelos frequentadores da Moranga. Isto fica difícil de precisar porque na região do Planalto é pessoal é muito espirituoso. Às vezes já colocam o apelido pra confundir quem chega… Então, para o senhor não achar que eu fui um frequentador assíduo dos puteiros de Conquista, eu vou lhe contar um caso que aconteceu na Moranga. Como você sabe, é como se fosse uma trilogia: Moranga, Magassapo e Mamoneira. Foi numa época do concurso de Miss Brasil, tava sendo a bola da vez. O Cruzeiro, Manchete, todas as revistas da época só noticiavam esse concurso. Isso sem falar do rádio que ia cobrir o evento e transmitir pra todo canto. Nesse clima, Toni Turco, que era amigo do javanês do bar, resolveu quebrar a monotonia criando um concurso de beleza com as mulheres da Moranga. Teve até urna pra escolher a melhor.
– E quem ganhou esse concurso de beleza, Miguidônio? :: LEIA MAIS »

alessandro tibo


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