Amigos e amigas, caros leitores do nosso blog, como é agradável, como é convidativo ler o que escreve essa figura incrível, tão simpática e tão generosa. É uma pessoa que tira de dentro de si aquilo que tem de mais nobre, busca no fundo da alma os seus melhores sentimentos e os compartilha com os outros. E, acima de tudo, transmite uma mensagem de amor às pessoas e de valorização da humildade.

A nossa querida Tia Nem, cujo nome de batismo é Maria Reis Gonçalves, tem essa capacidade de transformar palavras simples em conforto para quem as lê. Por isso, mais uma vez, trago aos nossos leitores um dos seus belos escritos. Ela já faz parte da família do nosso blog.

E, desta vez, fala de uma virtude muito importante: a humildade.

Ao ler o seu texto, lembrei-me de um episódio que vivi certa vez, quando subia a Serra do Marçal, tão conhecida pelos nossos leitores de Itabuna e de toda a região sul da Bahia, já no caminho para a minha querida Vitória da Conquista.

Subia aquela serra sinuosa e perigosa, embora belíssima para quem percorre o trajeto com prudência, quando, à minha frente, seguia um caminhão carregado com uma carga muito pesada.

Ao perceber que eu me aproximava, o motorista deslocou o caminhão para a faixa adicional, como quem dizia: “Pode passar.”

Ao ultrapassá-lo, fiz um gesto muito simples: dei uma leve buzinada em sinal de agradecimento.

Ele respondeu levantando o polegar, fazendo um sinal positivo. Naquele instante, percebi que custa tão pouco sermos gentis, educados e humildes. Imaginei aquele senhor, talvez com cinquenta ou sessenta anos de idade, viajando, quem sabe pensando na família, no trabalho, na vida. Não custava absolutamente nada agradecer aquele gesto de cortesia. Também isso é humildade.

E é exatamente sobre isso que Tia Nem escreve com tanta sensibilidade neste belíssimo texto.

Minha querida Tia Nem, mais uma vez, muito obrigado por compartilhar conosco as suas reflexões.

Aos nossos leitores, fica o convite: leiam com atenção mais esse belo texto dessa querida amiga da nossa vizinha Itabuna, a inesquecível terra grapiúna.

A coragem de dizer: “Eu estava errado.

Por Maria Reis Gonçalves  (Tia Nem)

Vivemos em uma sociedade que valoriza a aparência de força, de certeza e de sucesso.

Em muitos ambientes, admitir um erro é visto como sinal de fraqueza. Por isso, tantas pessoas preferem insistir em uma ideia equivocada, defender atitudes injustificáveis ou transferir a culpa para os outros a simplesmente reconhecer que poderiam ter agido de maneira diferente.

No entanto, a verdadeira força não está em nunca errar. Ela está na humildade de aprender.

Quem não aceita os próprios erros fecha as portas para o crescimento. A mente se torna rígida, os relacionamentos se desgastam e os conflitos se repetem. A necessidade de ter sempre razão acaba sendo mais importante do que a necessidade de viver em paz.

Do ponto de vista psicológico, reconhecer um equívoco exige equilíbrio emocional. Significa enfrentar o desconforto de perceber que a imagem que fazemos de nós mesmos nem sempre corresponde às nossas atitudes. Esse processo pode ser doloroso, mas também é profundamente libertador.

Pessoas emocionalmente maduras entendem que errar faz parte da condição humana. O que as diferencia não é a ausência de falhas, mas a disposição para refletir, reparar os danos causados e agir melhor nas próximas oportunidades.

Nas relações familiares, profissionais e afetivas, um sincero “desculpe” pode reconstruir pontes que pareciam perdidas. Não porque apague o passado, mas porque demonstra respeito, responsabilidade e desejo de mudança.

Infelizmente, também existem aqueles que transformam o orgulho em uma armadura. Preferem perder amizades, destruir relacionamentos e alimentar ressentimentos a abrir mão da ilusão de estarem sempre certos.

No fim, o orgulho cobra um preço alto: a solidão.

A sabedoria não pertence a quem possui todas as respostas, mas a quem continua disposto a aprender. E aprender exige reconhecer limites, rever conceitos e aceitar que sempre haverá algo novo para compreender.

Talvez uma das maiores demonstrações de inteligência emocional seja justamente esta: ter coragem de mudar de opinião quando os fatos mostram um caminho diferente, pedir perdão quando necessário e seguir adiante com mais consciência.

Quem admite um erro não diminui sua dignidade. Ao contrário, fortalece seu caráter. Porque a grandeza de uma pessoa não é medida pela quantidade de acertos, mas pela honestidade com que enfrenta os próprios equívocos.

Em um mundo onde muitos disputam para provar quem está certo, talvez os verdadeiramente sábios sejam aqueles que ainda conseguem dizer, com serenidade e sem medo: “Eu estava errado”. Aprendi. E hoje escolho ser uma pessoa melhor.”