O futebol realmente é uma coisa incrível. Mexe com as emoções do povo. O brasileiro, então, que tem uma paixão incontida por esse esporte maravilhoso, a cada partida, a cada disputa, vê o imaginário ser tomado por um verdadeiro delírio. Basta a bola balançar a rede para que venha o êxtase de um grito de gol.

Poderia até dizer: hoje está tudo japonês, está tudo igual. E, de certa forma, é verdade. As seleções evoluíram. Algumas têm maior aplicação tática, outras mais consistência defensiva, outras impressionam pela intensidade. O futebol está globalizado e já não existem adversários fáceis.

Mas há uma característica que continua sendo quase exclusiva do Brasil: a capacidade de decidir um jogo com um lance de pura genialidade. É aquele drible inesperado, um passe improvável, uma jogada mágica que transforma um atleta comum em um artista da bola.

É o Neymar, é o Vini Júnior, é o Endrick, é o Rayan, é o Luiz Henrique, que ainda aguarda a sua oportunidade no banco. E sem esquecer, evidentemente, daqueles que ajudaram a construir essa história: Romário, Bebeto, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e tantos outros que fizeram do futebol brasileiro uma referência para o mundo.

Mesmo diante de craques extraordinários como Messi e Mbappé, continuo acreditando que o talento brasileiro tem algo diferente. Ronaldo Fenômeno, por exemplo, era um mágico. Se pudesse, ainda hoje entraria em campo apenas para assustar qualquer defesa adversária.

Vencemos mais uma. Seguimos em frente na caminhada rumo ao tão sonhado hexacampeonato. Foi um jogo apertado? Foi. Dois a um. Mas Copa do Mundo é assim mesmo. A partir de agora, cada partida vale uma vida inteira.

O que todos nós queremos é voltar dos Estados Unidos com a taça nas mãos. Um título conquistado dentro de campo, com honra, com mérito, sem qualquer artifício, apenas com aquilo que sempre marcou o futebol brasileiro: a criatividade, a coragem e o talento dos nossos jogadores.

E, Ancelotti, permita-me uma confissão. No início, eu tinha resistência à ideia de um treinador estrangeiro na Seleção Brasileira. Talvez fosse excesso de bairrismo, aquele sentimento de pertencimento que faz a gente querer que tudo seja nosso: do Brasil, da Bahia, de Vitória da Conquista.

Mas o mundo mudou. O futebol também mudou. Hoje ele está completamente globalizado. O importante é que a Seleção continue sendo protagonista e honre a camisa mais respeitada do futebol mundial.

Brasil, na próxima estaremos juntos outra vez.

Vamos nessa, verde e amarelo. Não tenha vergonha de vestir essa camisa. Vista. Ela representa a nossa história, a nossa paixão e o sonho de milhões de brasileiros. E sonhar com o hexa continua fazendo muito bem.