Mais um belo texto escrito e assinado por Maria Reis Gonçalves (Tia Nem)

Meus amigos, minhas amigas, caros leitores, os nossos seguidores que acompanham o nosso blog já estão acostumados: toda terça-feira temos uma pérola escrita por essa querida amiga da nossa terra grapiúna, Itabuna, aqui no sul do estado. E, sinceramente, já não me surpreendo mais.
Tudo o que ela faz, tudo o que escreve, é convidativo, interessante e, ao mesmo tempo, serve como um alerta e uma reflexão para todos nós. O tema que ela traz hoje é algo que nos toca profundamente: a coragem. A coragem e o medo. Ela faz um paralelo muito interessante, porque sabemos que, quando estamos de posse de um carro, de um automóvel, muitas vezes nos sentimos corajosos.
De posse de um microfone, comunicando-nos com os ouvintes, também nos sentimos corajosos. E diante de um computador igualmente podemos nos sentir corajosos ao escrever alguma coisa. Mas é preciso que também tenhamos temor, prudência e responsabilidade para não cometer injustiças, não sermos indelicados e, mais tarde, não sermos obrigados a conviver com o arrependimento por aquilo que dissemos ou escrevemos.
Mas vamos ao texto, que é o que realmente interessa. Tenho certeza de que, mais uma vez, a nossa querida Tia Nem nos convida a pensar, refletir e olhar para dentro de nós mesmos.
Grande abraço, Tia Nem, para você e para todos os nossos leitores.
“Coragem: quando o coração decide não desistir.
Por Maria Reis Gonçalves (Tia Nem)
A coragem é uma das mais belas virtudes humanas, embora muitas vezes seja mal compreendida. Muitos imaginam que ser corajoso é não sentir medo, é enfrentar as situações com firmeza absoluta, como se a alma fosse feita apenas de aço. Mas, na verdade, a coragem não nasce da ausência do medo; ela nasce justamente da capacidade de continuar caminhando apesar dele.
O medo é uma emoção profundamente humana. Ele protege, alerta, prepara o corpo e a mente para situações difíceis. No entanto, quando o medo passa a governar as decisões da vida, ele se transforma em uma prisão invisível. É nesse momento que a coragem se torna necessária. Não como um gesto impulsivo ou imprudente, mas como uma decisão silenciosa de não permitir que o medo determine o destino.
A coragem se manifesta nas pequenas e grandes batalhas da existência. Está na pessoa que recomeça depois de uma perda, na mãe que enfrenta as dificuldades para proteger seus filhos, no profissional que continua lutando mesmo quando os caminhos parecem incertos. Está também naquele que reconhece suas fragilidades e, ainda assim, decide seguir em frente.
Do ponto de vista psicológico, a coragem está intimamente ligada à resiliência — essa capacidade humana de se reconstruir após as adversidades. A vida inevitavelmente traz dores, frustrações e momentos de profunda vulnerabilidade. Entretanto, algumas pessoas descobrem dentro de si uma força silenciosa que as impulsiona a continuar. Essa força não é arrogante nem barulhenta. Ela é discreta, persistente e profundamente transformadora.
A coragem também se revela na capacidade de enfrentar verdades difíceis. Muitas vezes, é mais fácil negar sentimentos, fugir de conflitos ou esconder fragilidades. Porém, olhar para si mesmo com honestidade exige uma coragem imensa. Reconhecer erros, pedir perdão, mudar atitudes e reconstruir caminhos são atos que demonstram grandeza emocional.
Há também a coragem moral, que talvez seja uma das mais raras. Trata-se da capacidade de manter princípios, valores e dignidade mesmo quando o mundo parece caminhar em direção contrária. Em tempos de superficialidade, manter a integridade exige firmeza de caráter. É a coragem de permanecer fiel ao que é justo, mesmo quando isso traz dificuldades ou incompreensões.
A história da humanidade é marcada por gestos de coragem. Alguns se tornaram conhecidos e celebrados, mas a maioria acontece de forma silenciosa, longe dos aplausos. São pessoas comuns que enfrentam doenças, perdas, injustiças ou limitações, e ainda assim encontram dentro de si a força para continuar vivendo com dignidade.
A filosofia de vida ensina que a coragem não significa vencer todas as batalhas. Às vezes, ela se manifesta simplesmente na decisão de não desistir de si mesmo. Em um mundo que frequentemente cobra perfeição, sucesso imediato e felicidade constante, é preciso coragem para aceitar a própria humanidade — com suas luzes e suas sombras.
Existe uma beleza profunda na coragem que nasce da fragilidade. Quando alguém atravessa a dor e, mesmo assim, preserva a capacidade de amar, de confiar e de acreditar na vida, revela uma força interior extraordinária. Essa coragem não endurece o coração; pelo contrário, o torna mais sensível e mais humano.
Talvez a maior forma de coragem seja continuar acreditando na vida depois das decepções, continuar confiando nas pessoas depois das traições, continuar sonhando mesmo quando os caminhos parecem difíceis. É a coragem de manter o coração aberto, apesar das cicatrizes.
No fim das contas, a coragem não está nos grandes gestos heroicos que vemos nos livros ou nos filmes. Ela vive no cotidiano silencioso das pessoas que se levantam todos os dias, enfrentam suas lutas, cuidam de quem amam e seguem adiante, mesmo quando o peso da vida parece grande demais.
Porque, no fundo, coragem é isso: é quando o coração, mesmo cansado, decide que ainda vale a pena continuar.”













