A cada vinte minutos surge um fato novo na política baiana, especialmente no que diz respeito à definição da chapa majoritária que pretende levar o governador Jerônimo Rodrigues à reeleição. Todos vêm acompanhando, inclusive aqui pelo nosso blog, os fatos sucessivos que surgem como surpresa, como uma avalanche, como um meteoro que cai sobre a Terra e assusta todo mundo.

E tudo isso depois que começou a confusão em torno da definição da chapa puro-sangue do Partido dos Trabalhadores, que não abre mão, isso ficou muito claro, das presenças de Rui Costa e Jacques Wagner como candidatos ao Senado pelo PT. Essa decisão abriu um cenário de incertezas e deixou evidente que ainda há muita coisa por acontecer até as eleições do mês de outubro vindouro.

Todos sabem que, com Rui Costa e Jacques Wagner definidos como candidatos ao Senado, o senador Ângelo Coronel, do PSD, figura respeitada, com forte prestígio político e até então peça importante da base governista, passou a se sentir preterido. Ângelo sempre teve grande influência dentro do PSD, é próximo de Otto Alencar e, até pouco tempo, essa relação era vista como sólida. No entanto, pelo desenrolar dos fatos, é possível que essa amizade tenha sofrido abalos.

Ângelo Coronel, ao que tudo indica, não ficou satisfeito com a postura de Otto Alencar, que teria contribuído ou, no mínimo, se omitido no processo que acabou deixando o seu nome fora da disputa ao Senado em favor dos nomes do PT. Otto preferiu manter a lealdade ao projeto liderado pelas duas principais figuras do petismo baiano, com forte influência também no cenário nacional.

Esse capítulo, pode-se dizer, já está encerrado. Mas, como na política nada termina de forma simples, surge agora um novo e ainda mais delicado problema.

O MDB, liderado pelos irmãos Vieira Lima, nunca escondeu que não abre mão, em hipótese alguma, da indicação do vice na chapa de Jerônimo Rodrigues, mantendo o nome de Geraldo Júnior como posição inegociável. Esse sempre foi um ponto pacificado dentro da base.

Só que entra em cena Carletto, empresário forte do setor de transporte, ligado à Rota, e principal liderança do Avante. Ele avança com firmeza, articulando nos bastidores e sinalizando claramente o interesse de ocupar o espaço hoje pertencente ao MDB na vice-governadoria.

E aí o cenário se complica. Confusão à vista, e das grandes. Os irmãos Vieira Lima não admitem, sob nenhuma hipótese, abrir mão desse espaço estratégico. A disputa tende a acirrar ânimos, tensionar alianças e provocar novos rearranjos dentro da base governista.

Vamos aguardar os próximos capítulos. A novela é longa, cheia de personagens fortes e, pelo visto, ainda está longe do último episódio.