O ex-ministro
Geddel Vieira Lima, que também já foi deputado federal, é daqueles nomes que ninguém pode subestimar no xadrez da política. Experiente, articulador, conhecedor dos bastidores, segue firme e muito presente, tanto na política baiana quanto na nacional.

Dentro do MDB, ele continua sendo uma força viva. Ao lado do irmão, Lúcio, mantém uma postura de lealdade ao governo Jerônimo Rodrigues. E, para ele, lealdade é via de mão dupla. Apoia, mas também cobra.

Nos últimos dias, Geddel fez um movimento daqueles típicos de estrategista. Tentou atrair o senador Ângelo Coronel para os quadros do MDB.

Coronel, como todos sabem, sentiu-se preterido na formação da chapa governista e acabou se aproximando do grupo de ACM Neto. Esse gesto mexeu com todo o tabuleiro político da sucessão estadual.

Foi aí que Geddel entrou em campo.

Segundo relato do próprio ex-ministro, ele foi direto ao ponto. Nada de rodeios. Chamou Coronel para a conversa e fez uma proposta ousada: filiar-se ao MDB, disputar vaga de deputado federal com grande estrutura partidária e, mais do que isso, ter o filho indicado para vice na chapa de Jerônimo, no lugar de Geraldo Júnior.

Uma oferta de peso. Daquelas que, em tese, resolveriam o impasse político e ainda manteriam o PSD orbitando a base governista.

Geddel teria conversado com a cúpula estadual e nacional do partido, alinhado com aliados e buscado construir um ambiente confortável para todos. A ideia era harmonizar a base e fortalecer o projeto de reeleição do governador.

Só que política é timing. E, ao que tudo indica, o tempo já tinha passado.

Ângelo Coronel já havia decidido seguir outro caminho, mantendo-se firme ao lado de ACM Neto, possivelmente mirando uma vaga ao Senado na chapa de oposição.

No fim das contas, a cartada foi inteligente, daquelas que mostram faro político. Se tivesse dado certo, mexeria completamente com a sucessão baiana. Mas não se concretizou.

E é isso que a gente aprende mais uma vez: na política, nada é parado. Tudo muda rápido. Alianças nascem, se desfazem, se refazem. Só que, dessa vez, parece difícil imaginar o retorno de Coronel às hostes do governo.

O leite, ao que tudo indica, já foi derramado.