São João: um festival de artistas não comparecendo aos shows nas festas juninas.

Este São João foi um ano atípico. Embora isso já existisse, não é de agora que há uma concorrência muito grande quando os governos municipais ou estaduais colocam as atrações gratuitamente para a população. É claro que isso concorre com os empresários que vendem shows com ingressos pagos, festas de camisa, mas o gestor público tem a obrigação de prestigiar a sua população. Não há dúvida nenhuma. Vitória da Conquista é uma prova inquestionável de que, quando se faz um evento gratuito, a exemplo do Arraiá da Conquista, movimenta-se muito mais a economia da cidade e agrada-se a população como um todo do que se a festa fosse fechada.
Na festa fechada, você traz apenas 20% das pessoas que traria em uma festa gratuita, porque há motivação. É muita gente que vai para o evento, e essa situação já está posta. Aí, o empresário tem que saber o que faz. Agora, é um absurdo pagar um milhão de reais, um milhão e trezentos mil reais para um artista, retirando dinheiro do cofre público de cidades pequenas que não têm condições, não têm receita, não têm orçamento e não têm atrativo turístico para justificar esse investimento e dizer que terão retorno.
Não têm. Só se faz isso se houver participação do Governo do Estado ou do Governo Federal. Até aí, tudo bem. Só que não é isso que acontece. E o que ocorreu este ano? Eu não sei se por causa da política, mas o Ministério Público interveio ou, talvez, diante de denúncias, determinou que fosse observado um equilíbrio, para que não houvesse aumento dos cachês acima de 20%.
Houve artista que dobrou o valor do cachê e acabou sendo obrigado a recuar. As cidades que não demonstraram capacidade financeira para realizar os eventos simplesmente não os realizaram, e muitos artistas tiveram que voltar atrás. Vocês lembram do exemplo de Flávio José: houve interferência na negociação do cachê, ele preferiu não vir para a Bahia e realizou apresentações no Ceará, em Pernambuco, em Campina Grande e em outras localidades.
Mas o que houve de artista que não compareceu aos shows foi impressionante. Alguns alegaram problemas de saúde, outros disseram que não tiveram tempo hábil para chegar às cidades, e houve aqueles que simplesmente comunicaram: “Eu não vou.”
É lógico que são informações sobre as quais precisamos ter absoluta certeza de que realmente aconteceram, porque foram vários prefeitos, em diversas cidades do Nordeste, que se queixaram dessas situações. Portanto, é preciso cautela. É provável que tudo volte à normalidade nos próximos anos e que os sanfoneiros, forrozeiros e demais artistas nordestinos tenham cada vez mais oportunidades de mostrar o seu talento.













