Os candidatos ao governo, ao Senado, os políticos, enfim, aqueles que estão na ponta, jogam a isca para ver se o povo acompanha. E, como o povo acompanhou, eles deram sequência.

O que eu quero dizer com isso? Como eles percebem que existe uma disputa acirrada pelo voto aqui na Bahia, vamos nos prender ao nosso Estado.

A disputa é grande. Então, o que eles fazem? Falam que Lula é o grande líder de um lado e Bolsonaro é o grande líder do outro. E, como percebem que os dois podem definir o destino administrativo do país, acabam trazendo essa disputa nacional para o âmbito estadual.

Nacionalizaram a disputa para construir um discurso e não perder a militância, porque a militância não aceita ideologicamente a derrota. Nem a militância de direita, nem a militância de esquerda.

A direita não aceita perder por causa de Bolsonaro. Estou falando do pai, mesmo que ele não seja candidato, e não é, mas o clã tem a sua representação. Do outro lado, está Lula.

A esquerda também não admite que o presidente perca para a direita, ainda mais tendo Bolsonaro como principal referência. E aí eles torcem para que essa polarização permaneça até o final da campanha.

Está definitivamente nacionalizada a disputa. Não tenham dúvida: está nacionalizada.

A gente não sabe até que ponto, por exemplo, se um dos candidatos, ou mesmo os dois, fossem substituídos, até por uma questão de dar oportunidade a novos nomes, a disputa deixaria de ser uma disputa pelo nome, pela pessoa, e passaria a ser uma disputa por projetos.

Se fosse assim, poderiam surgir novas lideranças. Mas não surge, ou não surgiu até agora, uma liderança nova com densidade dentro da esquerda. E aí eles entendem que o carisma de Lula é suficiente, mesmo diante das fortes acusações que são feitas contra o atual presidente.

Da mesma forma, acontece do outro lado, no campo da direita.

Agora, já é muito claro que os dois lados, e eu tenho ouvido isso tanto de um lado quanto de outro, e não de poucas pessoas, gostariam muito de ver a campanha renovada e que outros nomes surgissem, até por uma questão de alternância.

A política, na verdade, é uma ciência e também uma arte, mas ela precisa ser praticada em benefício da maioria do povo brasileiro.