Foram três dias de conversas, diálogos e reencontros com a população e a militância raiz.

Nós ouvimos muito pelas ruas, lemos nos jornais, nos blogs, ouvimos pelo rádio, pela televisão e também nas conversas nos bares, nos restaurantes, enfim, em todos os lugares, que já não se faz mais política como antigamente. Isso no que se refere, principalmente, à questão partidária e ideológica.
As pessoas estão indo quase que mecanicamente, ou pelo menos parte delas, às urnas para escolher os seus representantes, seja para a Presidência da República, o Senado, o Governo do Estado, a Câmara Federal, as Assembleias Legislativas e também as Câmaras de Vereadores.
É triste a gente ouvir, por exemplo, dos dois lados, tanto daqueles que representam o atual governo Lula quanto dos que estão na oposição, hoje identificada principalmente com o campo bolsonarista, com a direita ou a centro-direita, uma frase que tem se tornado muito comum: “É, eu vou votar. Vou votar no menos pior”.
Isso deve machucar profundamente a alma dos ideólogos, daqueles que viram, por exemplo, o seu partido nascer. E, no caso do Partido dos Trabalhadores, nascer nas portas das fábricas, nos sindicatos, dentro dos grêmios estudantis, nas faculdades, nas ruas, acompanhando de perto o pulsar das aspirações do povo.
E, de repente, essas pessoas olham para o partido e percebem mudanças profundas na maneira de fazer política.
Não é mais como antigamente, quando se discutia, se conversava e se avaliava quem assinaria uma ficha partidária. Havia uma relação ideológica muito forte com a sigla, com o programa e com aquilo que se acreditava.
É por isso que, na fotografia que ilustra a capa da nossa manchete, vemos o senador Jaques Wagner, uma liderança inconteste da esquerda baiana, ex-governador da Bahia, ao lado de figuras que ostentam a estrela do PT e que participaram ativamente dessa sigla durante praticamente toda a sua trajetória de vida.
E deve ser duro assistir aos pré-julgamentos feitos em relação ao partido.
Porque nós sabemos. Eu sei e você, que acompanha o nosso blog, também sabe. Existem oportunistas? Existem. Existem adesistas? Claro que existem, mas existe também o militante raiz.
Aquele que acredita, que prega, que vive, que espera e que torce. Aquele que seria capaz de dedicar uma vida inteira à esperança de construir uma sociedade mais fraterna e mais justa.
Eu, particularmente, não acredito em uma sociedade absolutamente igualitária, até pela própria constituição da natureza humana. Mas isso não vem ao mérito, não vem ao caso neste instante.
Eu precisava fazer essa observação porque, reitero, para um militante histórico, ouvir determinadas críticas ao seu partido talvez seja como ouvir alguém falar do seu filho, da sua filha, do seu pai, da sua mãe ou da sua esposa.
O partido, para essas pessoas, não é apenas uma sigla. É parte de uma história. É uma construção que nasceu, pelo menos na sua essência, com a expectativa de transformar a sociedade.
E deve ser frustrante ver sonhos sendo modificados exatamente pelas correntes, pelos elos e pelas alianças partidárias que, em muitos momentos, acabam não se diferenciando tanto daquilo que sempre foi criticado nos partidos adversários.
E isso vale também para a direita e para a centro-direita, conservadora ou não.
Também existem, nesses campos políticos, pessoas que acreditam verdadeiramente no bem do seu país. Pessoas que enxergam na sua sigla, no seu programa de governo e no seu estatuto uma possibilidade de encontrar soluções para as demandas do Brasil, dos estados e dos municípios.
No final, talvez seja exatamente isso que esteja fazendo falta à política: voltar a acreditar.
Acreditar não apenas em nomes, mas em ideias, em projetos e naquilo que cada um defende como caminho para uma sociedade melhor.













