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Por Maria Reis Gonçalves (Tia Nem)

Psicóloga.
As pessoas demonstram medo do desconhecido, sempre foi assim, e com o Covid19, não é diferente, o mundo está com medo desse inimigo invisível, principalmente, pelo fato de que o inimigo mata sem escolha e sem critério. Temos inúmeras doenças fatais, no entanto perdemos o medo delas por sabermos das suas consequências, por serem previsíveis, no entanto o Covid19, até esse momento que escrevo, continua uma incógnita, com conseqüências variadas e inesperadas, e sendo transmitido de várias maneiras, mesmo sendo afirmações meio hipotéticas, e ainda não temos maneira de controlar esse contágio.
Na época de estudante e após aplicação profissional, aprendi que o pânico e a ansiedade, nas pessoas, tem origem nos seus medos. E na área Comportamental, observei que o medo tem a sua evolução na nossa sobrevivência. De certa maneira o medo nos ajuda a sobreviver. Na verdade, o medo é o mais antigo mecanismo, que a humanidade usa, para garantir a sua própria sobrevivência histórica. É o medo que nos dá a possibilidade de aprender como evitar certas situações de perigo, através de um mecanismo que na psicologia chamamos de Reforço Negativo.
Existe em nosso cérebro uma área que chamamos de Córtex Pré-frontal, que é responsável pela nossa criatividade e planejamento. É ele que nos ajuda a pensar e planejar nossos objetivos, e tenta prever o que poderá nos acontecer futuramente, baseado em cenários e suposições se não houverem informações suficientes. É dentro desse ambiente, onde o desconhecido nos faz prever situações diversas e às vezes adversas, que surge o medo e a ansiedade. No Manual for Mental Disorders, fala que a ansiedade “é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação do perigo, de algo desconhecido ou estranho”. Então podemos entender que a ansiedade aparece quando o nosso Córtex pré-frontal não possui as informações para que possa prever com certeza o futuro que nos espera.
No Covid19 tudo é novo. Os pesquisadores estão trabalhando muito para estudar as características do vírus, para que possam entender o quão contagioso e mortal ele o é, e assim tomar as devidas precauções. No entanto nada foi descoberto e a incerteza é uma constante, e observamos que as informações sobre o assunto são muito desencontradas, o que nos cria um cenário de medo e terror, provocando muita ansiedade na população de todo o mundo. Nesse cenário, a ansiedade também, se torna algo contagioso. É o evento que na psicologia nos chamamos de Contágio Social. Pois, a ansiedade de uma pessoa, pode ser atenuada ou mesmo desencadeada em uma conversa com alguém muito ansioso. O Covid19 nos trás o medo e a ansiedade por não termos conhecimento preciso sobre ele. O que deixa o nosso Córtex Pré-frontal desestabilizado, pois a função dele é se preocupar com aos assuntos que nos leva a incerteza dos fatos. Como por exemplo, medo de adoecer ou mesmo um dos nossos familiares, perda de algum amigo, do emprego ou da nossa estabilidade econômica. Se não estivermos preparados para controlar a nossa ansiedade, podemos entrar no próximo estágio que chamamos de Síndrome de Pânico, que no Manual of Mental Disorderes, define como: ” medo ou ansiedade repentina e incontrolável, geralmente causando um comportamento descontrolado”.
Para conseguirmos controlar a nossa ansiedade e medo, durante esse período, de Covid19, é necessário muita calma e controle emocional. .Precisamos ter consciência que, ao ficarmos muito ansioso quais serão as conseqüências desse fato. A própria certeza da nossa ansiedade nos mostra, se o nosso comportamento emocional está nos ajudando a superar ou está nos levando ao Pânico. É o pânico que nos trará ações impulsivas e perigosas, pois, a ansiedade não é só mental, ela chega ao ponto de se torna fisicamente desgastante, o que poderá causar conseqüências maléficas ao nosso psique e ao nosso físico, a longo prazo. Se podemos raciocinar, então devemos tirar proveito disso e analisar o quanto a ansiedade é prejudicial a quem a sente, nesse caso, devemos ter força suficiente para mudar para opções mais gratificantes, e o próprio cérebro irá agradecer. Basta substituirmos os comportamentos ansiosos por hábitos mais saudáveis, calmos e prazerosos. Quanto mais observamos ações positivas em relação ao vírus, mais o sentimento de incerteza e negatividade sairão da nossa mente. Busque informações precisas e confiáveis, e analise as possibilidades em que você poderá contribuir para ajudar aos outros, tudo isso racionalmente e sabendo que deve tomar todos os cuidados possíveis para não se contaminar e nem contaminar as pessoas. Se mesmo com todos esses cuidados, a ansiedade persistir, busque ajuda profissional, nesse período, a ajuda virtual é tão eficaz, quanto a presencial. Acredite!