Amigos e amigas, por mais que nós queiramos ficar limitados na condição de comunicadores, responsáveis por um blog e por um programa de rádio, precisamos reconhecer que também somos parte da sociedade e que, muitas vezes, é necessário sair um pouco da posição de simples observador para procurar compreender melhor aqueles que fazem parte da nossa vida cotidiana.

Eu tenho o dever de manter um comportamento isento, porque quero continuar sendo respeitado na condição de responsável por um programa de rádio e por escrever diariamente em nosso blog. Todos os partidos são citados nas nossas matérias e, no nosso programa, ocorre exatamente a mesma coisa. Afinal, não é necessário assumir um lado partidário para externar posições políticas ou fazer uma análise sobre a realidade da nossa cidade.

Mas é preciso também que os acadêmicos, os historiadores e os memorialistas que conhecem a história política de Vitória da Conquista reconheçam as grandes mulheres que participaram da vida pública do nosso município. Desde Henriqueta Prates, passando por Laudicéia Gusmão, pela minha ex-colega de Câmara, vereadora Ilza Matos, por Alvinea Matos, esposa de Jadiel, Margarida Oliveira, Irma Lemos e Maria Célia Ferraz, esposa do saudoso ex-prefeito Raul Ferraz, entre tantas outras mulheres que ajudaram a construir a história política da nossa cidade.

Essas mulheres ingressaram na política em uma época em que a mulher tinha ainda menos voz do que tem hoje. Eram mulheres arrojadas, determinadas e que se impuseram em uma sociedade predominantemente comandada por homens. Contudo, é preciso reconhecer que, embora tenham exercido papéis importantes, nenhuma delas conseguiu, por si só, constituir uma liderança política completamente independente da liderança de um homem.

A única, na minha avaliação, que conseguiu construir essa liderança por sua própria força foi a prefeita Sheila Lemos. E, por mais que alguém não vote nela ou seja seu adversário político, é preciso reconhecer esse fato. Principalmente as mulheres precisam estar atentas a essa realidade.

Eu entendo que existe preconceito contra Sheila Lemos por ela ser uma empresária vitoriosa e, também, por ter construído a sua liderança política a partir da própria força eleitoral e da sua capacidade administrativa. Isso é algo que ninguém pode negar, independentemente de concordar ou não com a sua forma de governar.

Por isso, as mulheres, independentemente dos seus partidos e das suas posições ideológicas, precisam observar essa realidade. A presença de uma mulher que consegue construir, por si própria, uma liderança política de grande dimensão representa uma mudança importante na história política de Vitória da Conquista.

E é justamente por isso que essa trajetória precisa ser analisada com respeito, sem preconceitos e sem que as divergências políticas impeçam o reconhecimento daquilo que, objetivamente, também representa uma conquista para as mulheres.