“O Brasil volta a ficar dividido. O que nos unia era o futebol”, palavras de uma das minhas filhas.

Essas palavras eu ouvi ontem, logo após o jogo do Brasil. Fiz questão de reunir a família para assistirmos juntos a esse grande encontro entre Brasil e Noruega, cujo vencedor acabou sendo o nosso adversário, pelo placar de dois a um.
Enquanto tomávamos café, uma das minhas filhas fez esse comentário. Confesso que parei para refletir e, naturalmente, fiquei triste. E ela tem razão.
O que nos unia era o verde e o amarelo. Eram as cores da nossa bandeira, as cores da nossa camisa, que, durante a Copa do Mundo, pareciam falar mais alto do que qualquer outra diferença.
O país estava unido em torno de um único sonho: conquistar o tão desejado hexacampeonato e voltar a ser protagonista do futebol mundial, como tantas vezes já fomos.
O nosso futebol continua sendo uma referência quando o assunto é talento, criatividade e grandes craques. É verdade que a globalização permitiu que outras escolas, principalmente as europeias, formassem jogadores extraordinários, capazes de rivalizar com o futebol brasileiro. Isso é uma realidade que não podemos negar.
Mas, com a eliminação da nossa Seleção, esse sentimento de união nacional terminou antes do que esperávamos. Eu mesmo acreditava que ele só se encerraria no dia 19 de julho, data da grande final da Copa do Mundo, realizada simultaneamente em três países. E, mais do que isso, alimentava a esperança de ver o Brasil levantar mais uma vez a taça de campeão do mundo. Infelizmente, ficou apenas o desejo.
Agora voltamos à nossa realidade. Um jogo diferente daquele disputado dentro das quatro linhas. Retornam os debates sobre política, ética, eleições, direita, esquerda e toda a disputa pelo poder, em que estarão em jogo a Presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara Federal e as Assembleias Legislativas.
Que pena. Estava tão bom ver o país unido em torno de uma única paixão.
Agora, tudo indica que voltaremos à velha rotina das divergências, dos debates acalorados, das acusações e das disputas políticas que, muitas vezes, acabam dividindo os brasileiros. E isso, sinceramente, não faz bem à nossa nação.














