Medonho, quem lembra? Uma das figuras mais exóticas que Vitória da Conquista já conheceu.

Cada cidade tem seus personagens pitorescos, gente simples que, de um jeito ou de outro, também construiu a história do lugar. E não estamos falando apenas de catedráticos, literatos, advogados, empresários, professores, atletas, médicos ou artistas. Falamos também daqueles anônimos que perambulavam pelas ruas e feiras, vivendo à margem, mas presentes na memória afetiva de todos nós.
Hoje muita gente reclama, critica, aponta erros. Mas, naquele tempo, também houve maldades. Maldades, inclusive, contra os esquecidos da sorte, pessoas que precisavam mais de cuidado do que de zombaria. E, quando lembramos disso, o arrependimento bate à porta.
Entre essas figuras que marcaram época, havia o Medonho.
Quem viveu aqueles anos certamente se recorda. Ele andava pelas ruas, pelas avenidas, principalmente pelas feiras livres de Conquista. Vez ou outra, aparecia também em cidades vizinhas, como Condeúba, sempre seguindo o movimento das feiras.
Não tinha casa, não tinha destino certo. Dormia onde dava, comia o que ganhava. Vivia de pequenas esmolas, de algumas moedas colocadas na latinha que carregava.
Mas o que mais chama atenção, olhando hoje com o coração mais maduro, é a forma como muitos o tratavam.
A meninada, os jovens, já sabiam: bastava jogar uma moeda e pedir: “Medonho, bate a cabeça na parede… bate no poste.” E ele batia. Batida após batida, até a moeda cair.
Era quase um espetáculo triste, cruel, que naquela época passava como brincadeira, mas que hoje a gente entende como dor, abandono, falta de cuidado com um ser humano.
Mesmo assim, Medonho fez parte do nosso cotidiano. Era uma presença constante, dessas que a cidade inteira conhece pelo apelido. Uma figura sofrida, mas que, de alguma forma, entrou para a memória coletiva de Vitória da Conquista.
E quando a gente fala dele, não é para rir. É para lembrar. Para refletir. Para aprender a ser mais humano.
Medonho, onde quer que você esteja, que Deus lhe dê o descanso e a dignidade que talvez lhe tenham faltado por aqui, meu irmão.















