Ainda há muitos baianos olhando meio atravessados para ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil. À frente de uma grande aliança de direita, ele disputou o governo da Bahia contra Jerônimo Rodrigues, que terminou reeleito.

Parte dos eleitores não compreendia por que Neto não assumia um alinhamento mais claro na disputa presidencial. Entendia que ele deveria caminhar com João Roma, Ângelo Coronel, Zé Cocá e toda a base da direita baiana para fortalecer suas chances de vitória nas eleições do último dia 4 de outubro.

Flávio Bolsonaro, naturalmente, deve ter acompanhado essa situação com preocupação. Mas, como dissemos aqui ontem, na nossa avaliação, essa postura já havia sido debatida e combinada entre as lideranças. Neto ficaria fora de um apoio direto a Flávio naquele primeiro momento.

Até porque Ronaldo Caiado, seu amigo e ex-companheiro de sigla, lançou sua candidatura à Presidência pelo PSD. Neto tinha uma relação política e pessoal a preservar. Apoiar outro nome poderia representar um rompimento entre os dois, o que não aconteceu.

Passado o primeiro turno, porém, Neto não ficou fora da festa, ou do baile. Pegou o avião com João Roma e seguiu para Brasília, onde se encontrou com as lideranças que integram o projeto político de Flávio Bolsonaro.

Como todos puderam acompanhar, anunciou seu apoio ao candidato e afirmou: “Tudo faremos para derrotar o PT”.

Agora estão todos juntos e misturados, inclusive João Roma, que, na eleição passada, disputou o governo da Bahia pelo PL e teve Neto como adversário. Antes disso, Roma havia sido seu chefe de gabinete na Prefeitura de Salvador.

Pois é, meus amigos, a política é dinâmica. Antigos aliados tornam-se adversários e, mais adiante, voltam a caminhar juntos. O segundo turno abre uma nova campanha, com outras articulações e uma disputa renovada pelos votos dos brasileiros.

A fotografia retrata bem a animação dos três: João Roma de um lado, Neto do outro e Flávio Bolsonaro ao centro. Vamos acompanhar o que teremos pela frente.

No dia 25 de outubro, o eleitor voltará às urnas para decidir quem será o presidente do Brasil. Até lá, haverá muita conversa, mobilização e tentativa de conquistar cada voto.

É só dar um tempo. E, como já diziam os antigos: “Roupa suja se lava em casa”.