Fala-se tanto que a política é a arte do impossível. São muitas as definições para essa atividade que eu, particularmente, admiro e considero nobre.

Infelizmente, uma minoria que faz muito barulho e aparece demais consegue desvirtuá-la, afastando pessoas de diferentes níveis de formação e condições de vida. Homens e mulheres de bem passam a olhar a política, sobretudo a partidária, com desconfiança e até ojeriza.

Mas não podemos nos render a essa situação. É através da política que buscamos soluções para os problemas da população, principalmente da mais sofrida: saúde, educação, saneamento, cultura, emprego e tantas outras necessidades.

Quem acompanha a vida pública com ponderação sabe também que a política é como nuvem: muda de lugar a qualquer instante. Pessoas com opiniões divergentes podem dar uma trégua e construir uma unidade que, até então, parecia impossível.

É dentro desse contexto que perguntamos: a prefeita Sheila Lemos conseguirá liderar essa construção em Vitória da Conquista?

Sua força política não pode ser ignorada, independentemente da preferência de cada um. Como observador, reconheço que Sheila demonstrou à cidade, aos seus apoiadores e também aos adversários que se tornou uma liderança vitoriosa. Conseguiu a reeleição em primeiro turno contra o deputado Waldenor Pereira.

Isso aconteceu por acaso? Caiu do céu? Evidentemente que não. Portanto, não podemos subestimar sua capacidade de articulação.

Mas será que a prefeita conseguirá reunir novamente o seu atual vice, Dr. Alan, com quem está rompida? Conseguirá aproximar Ivan Cordeiro, cuja trajetória política caminhou ao lado da sua a partir da vitória de Herzem Gusmão? Atrairá Thiago Correia? Trará de volta Diogo e outros vereadores para somar esforços?

Será possível construir uma candidatura única dessa base para enfrentar o nome da oposição, que naturalmente virá — e virá com força?

É possível, Alan? É possível, Coronel Ivanildo? É possível, Dudé, que também se apresenta como um nome para a disputa pela Prefeitura em 2028? E vocês, Ivan Cordeiro e Thiago Correia? Há espaço para conversar, dialogar e juntar tudo novamente?

Esse tipo de recomposição já aconteceu na política. Não faltam precedentes, e nem precisamos enumerá-los. Quem acompanha a história sabe que antigos aliados podem se afastar e, mais adiante, voltar a caminhar juntos.

Fica, portanto, a pergunta aos nossos leitores: Sheila conseguirá “juntar os cacos” e reunir essas lideranças em torno de uma candidatura comum? A política já mostrou muitas vezes que aquilo que hoje parece impossível pode ganhar outro desenho amanhã.