A advogada Suilane Lima também faz parte da corrente que sai em defesa de Vitória da Conquista. Ela diz que estamos isolados pelo chão e pelo ar.

Nós fizemos uma matéria ontem, publicamos em nosso blog e também levamos o tema ao nosso programa de rádio Agito Geral. A verdade é uma só: Vitória da Conquista precisa reagir. E isso não é opinião isolada, é praticamente uma unanimidade. Não se trata de questão partidária, não se trata de ideologia. O sentimento que hoje toma conta da cidade já ultrapassa os nossos limites e ganha força em toda a região Sudoeste.
A situação que enfrentamos, esse verdadeiro isolamento em relação a demandas fundamentais, precisa ser encarada com seriedade. Estamos falando de questões estruturantes, decisivas para que a cidade continue no seu caminho de desenvolvimento. De um lado, a BR-116, a chamada Rio-Bahia, uma luta antiga da população, que conta inclusive com o movimento Duplica Sudoeste como protagonista dessa batalha. De outro, a necessidade urgente da construção de viadutos no perímetro urbano, obra essencial para garantir segurança, mobilidade e fluidez no trânsito.
E, como se não bastasse, volta à pauta, para a tristeza de toda a região, o problema dos voos para Salvador. Chegamos ao ponto de assistir a uma redução ainda maior na oferta, com a perspectiva de aeronaves de pequeno porte, com apenas nove lugares, o que naturalmente encarece ainda mais as passagens e dificulta o deslocamento da população.
Diante desse cenário, forma-se uma corrente forte em defesa da cidade. Vereadores, a prefeita Sheila Lemos e diversos segmentos da sociedade começam a se mobilizar. E, nesse contexto, a advogada Suilane Lima também se posiciona de forma firme, trazendo um manifesto que considero extremamente pertinente, realista e oportuno.
Compartilho aqui esse posicionamento na expectativa de que ele possa sensibilizar e mobilizar os diversos setores da nossa sociedade, porque esse é um momento que exige união, consciência e, sobretudo, ação:
“Nem por terra, nem pelo ar : o isolamento forçado de Vitória da Conquista
Por Suilane Lima
Vitória da Conquista, a capital regional do sudoeste baiano, enfrenta hoje um paradoxo logístico inaceitável. Em vez de avançar na integração com o restante do estado e do país, a cidade parece estar sendo empurrada para o isolamento, fruto de decisões judiciais controversas e uma gestão de malha aérea que ignora a realidade local.
No chão, o peso de uma herança amarga.Após 15 anos sob a gestão da Via Bahia — período marcado por promessas não cumpridas e o uso estratégico de liminares judiciais — a concessão da BR-116 foi finalmente rescindida. No entanto, o desfecho traz um gosto amargo: em vez de punições rigorosas pelo sucateamento da via, o parecer do TCU soou mais como uma “premiação” à concessionária. A decisão, que remete a outros episódios recentes de proteção institucional, levanta dúvidas legítimas sobre os critérios técnicos e a imparcialidade do processo.
No ar, o retrocesso é físico e numérico. Se por terra a mobilidade é difícil, pelo ar a situação tornou-se inexplicável. Vitória da Conquista possui uma demanda reprimida histórica por conexões com Salvador. Contudo, em um movimento que desafia a lógica de mercado, a oferta de voos foi drasticamente reduzida pela substituição de aeronaves de 70 lugares por modelos de apenas 9 assentos. O que já era precário tornou-se um gargalo logístico, dificultando negócios, turismo e a saúde de quem precisa da capital.
O cenário é crítico: entre uma rodovia castigada e uma malha aérea encolhida, a terceira maior cidade da Bahia luta para não parar. É urgente que as autoridades e agências reguladoras olhem para o sudoeste não como um ponto distante no mapa, mas como o motor econômico que ele representa.”















