O líder não é aquele que age com autoritarismo. Não é aquele que, aos berros e aos gritos, tenta impor sua vontade aos colaboradores, parceiros ou liderados. Em hipótese alguma.

Mas é preciso compreender algo fundamental: em qualquer governo, seja municipal, estadual ou federal, aqueles que são convidados a compor a gestão assumem, naturalmente, um compromisso.

Não é apenas um cargo. É uma deferência. Um gesto de confiança. Um reconhecimento de que há identidade de pensamento, convergência de ideias e disposição para trabalhar por um projeto coletivo.

Quem ocupa um cargo de confiança está ali para colaborar, participar e, sobretudo, responder nos momentos mais difíceis. Na hora em que se exige união, é esperado que todos deem as mãos.

Isso não é exigir o impossível. É o mínimo.

Não se trata de imposição absurda, mas de coerência. Quem integra um governo precisa estar disposto a defendê-lo, a sustentá-lo, inclusive nos momentos de maior pressão.

E mais: não se deve sequer esperar ser chamado. O ideal é que o colaborador se antecipe, se posicione, atue, evitando até a exposição excessiva do líder maior, seja ele prefeito, governador ou presidente da República.

Não é razoável que, justamente quando o governo mais precisa, alguns se ausentem ou permaneçam em silêncio.

Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu seus ministros e foi direto: todos têm a obrigação de defender o governo; caso contrário, que deixem seus cargos.

Essa postura, na verdade, não é novidade. Acontece em diferentes níveis de governo. Inclusive, um prefeito da região também adotou o mesmo tom com sua equipe: quem não quiser defender a gestão, que se sinta à vontade para sair.

É preciso fazer uma distinção importante. Isso não se aplica ao servidor público comum. Não faz sentido exigir posicionamento político de quem exerce funções técnicas, concursadas. Isso seria inadequado.

Mas, quando falamos de cargos de confiança, secretários, coordenadores e ministros, a lógica é outra. Aí, sim, há um compromisso político.

E compromisso, como o próprio nome diz, não é opcional.