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junho 2018
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Os relacionamentos estão descartáveis!

Tia Nem

Por Maria Reis Gonçalves

Em conversa com amigos, alguém falou que paramos de nos esforçar, e por isso os relacionamentos não estão dando certo. É, interessante esse ponto de vista. Na verdade, a própria sociedade nos leva a pensar que estamos numa maré boa, e não vale a pena ficar “brigando” por uma pessoa, quando tantas outras estão a um simples toque de dedos: através do celular, nas redes sociais, , sites de relacionamento e tantas outras alternativas. Há tempos venho refletindo, como as relações estão superficiais e descartáveis.E não falo das relações amorosas, especificamente, falo de todos os tipos de relação.  Vivemos mesmo na era do descartável, quebrou, substituímos por outro, nem mandamos consertar, divergiu da minha opinião, Unfollow a amizade, brigou com o companheiro, separa. Estamos ficando impaciente com o outro, às conquistas que tanto queríamos, hoje refutamos por não termos tempo.

Na verdade, está difícil escolher entre tantas opções, são tantos contatos nas redes sociais, que um “Bom dia” pelo Whatsapp, se resume em todos os afetos que buscamos. Fico imaginando que o velho romance está morrendo e a sobrevida vai depender do apego que se tenha ao celular. Hoje, os encontros românticos se resumem em olhar na cara da pessoa que está sentada na nossa frente. Dá para perceber, que mesmo as pessoas tendo alguém bem legar com ela, mesmo assim, os olhos ficam inquietos e não para de olhar em busca de outras alternativas, que possam aparecer. Ter uma pessoa ao lado já não basta. Temos sempre a vicissitude de escolher, e é essa escolha que nos anula. Lembrei-me de um antigo provérbio espanhol que nos fala:  “Quien mucho abarca, poco aprieta” – quem muito abraça, pouco aperta – quer dizer que nunca ficaremos satisfeitos com o que temos esempre iremos em busca de mais.

Sabemos nos divertir, podemos ficar tranqüilos,brigamos pelos outros, porém, não temos a coragem suficiente para encarar nossos demônios, imagine amar alguém! Na primeira dificuldade, com uma pequena tempestade se aproximando, vamos logo abandonado o barco e nem queremos saber se, mais alguém se salvará. São essas nossas ansiedades que nos tornam pessoas infelizes, mesmo que aparentamos uma felicidade sem fim. Na verdade, não fazemos a mínima idéia do que é a nossa vida, mas sabemos exatamente como ela deveria ser e isso nos frustra. Se encontramos alguém e passamos a amar, fazemos questão de mostrar para todos e nossa rede social bomba. São tantos momentos felizes, de alegrias, tudo é uma grande festa. Agora somos dois, e vamos sempre aparecer lindos e sorridentes. Não falamos nada quando as brigas acontecem e nem colocamos aquela foto de olhos inchados de chorar. E quando o relacionamento acaba, os amigos e seguidores se espantam, pois o casal viviam tão bem! Nós sempre mostramos a relação como algo ideal e fugimos do que ela realmente é. Estamos sempre querendo mais e mais. E sabemos que não estamos prontos para entendermos tudo o que estamos passando. Nesse frenesi que vivemos, a lei do desapego precisa ser cumprida. Podemos expor nossos sentimentos nas redes sociais. Porém desaprendemos a demonstrar para o nosso companheiro.

Precisamos entender que o que vivemos hoje é a mentira, o esforço que fazemos para demonstrar que não estamos nem aí, é um engodo. Na verdade vivemos em busca de algo que preencha o vazio que toma conta da nossa alma e do nosso coração. Estamos, todos, sofrendo de uma carência crônica, e, que só passará quando voltamos a aprender a amar sem ser pela tela do celular, quando aprendemos a encarar o outro com simplicidade, sem precisar das curtidas para se sentir querida, sem precisar de mil seguidores e diversos comentários. Precisamos voltar aos tempos das conexões profundas e verdadeiras, um amor baseado na verdade e na reciprocidade, com toques, com abraços e carinhos, algo que nos tome por inteiro. É essa falta que sentimos, é o que realmente precisamos e o que não estamos entendendo. Precisamos voltar a viver e a amar.

2 respostas para “Os relacionamentos estão descartáveis!”

  • Rafael Lopes says:

    Muito bom artigo, está de parabéns.

  • Claudio Maron says:

    Há muito tempo que venho pensando nesse assunto,as pessoas estão frias e sem sentimento nenhum, se vamos num restaurante com alguém, a pessoa sempre está olhando as mensagens, chega irrita. Gostei muito desse artigo. Muito bom mesmo

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alessandro tibo


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