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Por Valdir Barbosa

Hoje, segundo domingo de maio caindo no dia 13, época em que se convencionou dedicar às mães, duas datas magnas também são comemoradas.

Na Cova da Iria, em 13 de maio de 1917, a Mãe das Mâes aparecia pela vez primeira aos pastores meninos, fenômeno que se repetiu por seis meses seguidos, lhes revelando três segredos. Ali foi construído Templo, em louvor ao milagre, agora, palco de romarias incessantes, destarte, até lá, milhares pessoas vindas de todas as partes do mundo rezam sem parar, diante do cenário abençoado.

Da varanda do meu canto, prolongar do ambiente onde escrevo estas linhas, me permito ver a capela de N. S. de Fátima, contígua ao colégio no qual obtive as bases do conhecimento e aparas de meu caráter, palco no qual transitei dos cinco aos dezessete anos, o secular Antonio Vieira, Santuário igualmente construído em Sua Glória.

Nesta mesma data, no Rio de Janeiro, naquele idos de 1888, a mãe dos cativos, com sua pena áurea, decreta o fim da escravidão. Nos horrores dos navios negreiros, nas lidas sob o chicote dos feitores – malfeitores -, milhares de seres humanos arrancados de suas pátrias sofreram por séculos, as agruras impiedosas da sujeição.

Nos versos de Castro Alves, nas vozes de José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, André Rebouças, Luis Gama e outros abolicionistas, a energia contagiante de seus ideais atravessou os muros da intransigência, até que a Princesa Isabel rasgou corajosamente os tempos de iniquidade, rompendo grilhões.

Assim são todas as mães a quem nesse dia rendemos homenagens. Seus segredos revelados, ou não, em cada berço de qualquer nascituro, por mais humilde seja a realidade do recém-chegado têm a dimensão de um milagre, apenas factível de ser concretizado, na sublimação da condição materna.

E suas mensagens, a par do manto protetor que jamais deixa de abrigar o filho, não se repetem mês a mês. Elas são perenes cânticos de estímulo, estradas de atenção, fortes de abrigo, mares de ternura, noites de vigílias, madrugadas de espera, ondas de esperanças, exemplos de superação.

Escravas por opção, no ato de se dar sem reservas, declinam da alforria quando entregues aos senhores vindos de suas entranhas, portanto, ligados a si mesmas por laços impossíveis de partir. A servidão pela maternidade não lhes faz sentir reprimidas, por maiores sejam os sacrifícios decorrentes dela – abrigar no ventre, por no mundo, amamentar, curtir noites insones. Os jugos desde a tenra idade indo adiante sem linha de chegada, não lhes causa revolta, jamais pretenderão estar libertas deste encargo, mesmo porque darão tudo, se preciso for, na ânsia de continuar outorgando-lhes amor, como disse Gibran.

Louvando N. S. de Fátima, laureando Princesa Isabel, lembrando minha doce mãe, minhas irmãs, mães como ela, as mães de meus filhos, enteados e minha esposa, cativa de João, seu grande amor – sou mero e orgulhoso apêndice no cenário – brado em alto e bom som, com a alma repleta de emoção e jubilo, por tê-las reencontrado neste plano passageiro:

FELIZ DIAS DAS MÃES A TODAS AS MÃES DO UNIVERSO.