Ontem o programa Agito Geral me proporcionou um grande presente. Por indicação de duas amigas muito queridas, tivemos a satisfação de receber a professora Taiana Jung, conquistense, geógrafa e fundadora da Logos Consultoria. Durante uma hora de entrevista, ela falou sobre a sua trajetória profissional, a paixão que nutre por Vitória da Conquista e o orgulho de levar o nome da nossa cidade por meio da empresa que criou.

Foi uma conversa enriquecedora, em que Taiana compartilhou sua visão sobre o mundo empresarial e a importância de aproximar empresas de pequeno, médio e grande porte de práticas cada vez mais modernas e eficientes. Para ela, independentemente do tamanho do empreendimento, todos merecem a mesma atenção, o mesmo respeito e a mesma dedicação. Essa é uma visão que merece ser destacada e valorizada.

Ao longo da entrevista, ficou evidente o compromisso de Taiana com o desenvolvimento profissional e empresarial, sempre levando consigo o nome de Vitória da Conquista. É motivo de orgulho ver uma filha da nossa terra construir uma trajetória de sucesso sem perder as raízes e o vínculo com a cidade onde nasceu.

Quero também registrar os meus agradecimentos às professoras Ana Emília Ferraz e Fernanda Viana de Alcântara, colegas de curso da UESB, que fizeram essa importante indicação. São duas profissionais que merecem o nosso respeito, a nossa admiração e o reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem.

Agora, convido vocês a conhecerem um pouco mais da trajetória de Taiana Jung. Leiam o texto com o seu currículo e descubram por que essa conquistense tem se destacado em sua área de atuação e levado o nome da nossa cidade cada vez mais longe.


A carreira do campo social: por que profissionais da área passaram a ocupar espaços estratégicos
nas organizações

Enquanto o debate sobre o futuro do trabalho costuma destacar inteligência artificial, automação e novas tecnologias, uma transformação menos visível acontece dentro das organizações. O campo social vive uma mudança profunda, no qual profissionais que antes eram reconhecidos principalmente pela gestão de projetos e programas hoje participam de decisões sobre estratégia, governança, riscos sociais, direitos humanos, relacionamento com stakeholders e desenvolvimento territorial.

Essa mudança acompanha um cenário de crescente complexidade, o Fórum Econômico Mundial estima que 23% dos empregos passarão por transformações até 2027, impulsionadas pela transição verde, pelas mudanças tecnológicas e pela reorganização das cadeias globais de valor. Entre as competências mais valorizadas estão pensamento analítico, aprendizagem contínua, colaboração e capacidade de adaptação.

Para a estrategista em responsabilidade social corporativa Taiana Jung, esse movimento também redefine a carreira de quem atua no campo social.

“Durante muitos anos, o desafio era desenvolver bons projetos sociais. Hoje, espera-se que esses profissionais contribuam para decisões que envolvem riscos, reputação, governança, direitos humanos e desenvolvimento dos territórios. O campo social passou a dialogar diretamente com a estratégia das organizações.”

Criada em Vitória da Conquista, onde iniciou sua formação em Geografia, na UESB, Taiana construiu uma trajetória acompanhando essa transformação. É fundadora da Logos Consultoria, empresa que completa 18 anos de atuação, assessorando organizações na integração entre estratégia, governança e campo social. Ao longo da carreira, participou de projetos para empresas e instituições dos setores de óleo e gás, mineração, energia, entre outras que, juntas, representam cerca de 8% do PIB brasileiro e apoiou a estruturação de iniciativas que somam aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos sociais.

Na avaliação da especialista, o mercado já começa a refletir essa mudança. Levantamento da Amcham Brasil e da Humanizadas mostra que 71% das empresas brasileiras ainda estão em estágio inicial de implementação da agenda ESG. Entre as principais demandas aparecem a capacitação de lideranças e colaboradores e a integração da sustentabilidade à estratégia do negócio.

“Esses dados mostram que não estamos falando apenas da mudança das organizações. Estamos falando da evolução de uma profissão. O profissional do campo social precisa compreender estratégia, indicadores, governança, tecnologia, diálogo e construção de consensos. É uma carreira muito diferente daquela que existia há vinte anos.”

Atualmente, Taiana Jung é professora da pós-graduação Master ESG da ESPM, onde contribui para a formação de lideranças que atuarão na interface entre estratégia, governança e responsabilidade social corporativa. Também está na linha de frente de importantes instituições representativas, como conselheira do Conselho ESG da Firjan, vice-presidente do Conselho Empresarial da Mulher da ACRJ e membro do Conselho Estadual de Empreendedorismo Feminino. Coordena e é coautora do livro Mulheres na Governança Corporativa: Boas Práticas em ESG e foi reconhecida pela plataforma internacional Favikon entre as principais vozes do LinkedIn na temática social, ocupando atualmente a 23ª posição no ranking.

Sua atuação sustenta uma tese que vem desenvolvendo ao longo da carreira: a dimensão social precisa ocupar as instâncias deliberativas das organizações para que compromissos com a sociedade deixem de ser declarações de intenção e se traduzam em escolhas estratégicas, prioridades institucionais e decisões capazes de gerar desenvolvimento e legitimidade. A reflexão será aprofundada durante sua participação, pelo terceiro ano consecutivo, no Rio Innovation Week (RIW), o maior encontro de inovação, tecnologia, negócios e criatividade da América Latina, que reúne mais de 200 mil participantes. Nesta edição, Taiana discutirá a evolução da carreira no campo social e como esse campo passou a ocupar espaços estratégicos de decisão nas organizações.