O Brasil perdeu para ele mesmo! “A mesma água não passa duas vezes por debaixo da ponte.” Em Copa do Mundo não se desperdiçam tantas chances.

Amigos e amigas, claro que eu estou triste. Mas não é pouco, é muito. Se existe uma coisa de que eu gosto é do meu país. Torço por ele em qualquer circunstância. Isso não me impede, porém, de reconhecer quando nos comportamos mal diante do nosso povo e diante do mundo. Lamento profundamente quando isso acontece na política, nos negócios, na educação, na saúde e, principalmente, no futebol, que é uma das minhas maiores paixões.
Para mim, há duas alegrias antes de dormir: conversar com Deus e fechar os olhos imaginando que estou jogando futebol. Pego no sono assim. Já disse isso várias vezes no rádio e também escrevi sobre esse sentimento. Sou apaixonado por futebol.
Agora, meus amigos, embora respeite opiniões de pessoas muito queridas, que afirmam que esta é a pior Seleção Brasileira de todos os tempos, eu não penso assim. Ela pode não ser a melhor, e realmente não é. Mas afirmo, com convicção, sem querer ser o dono da verdade: parem e observem o nosso ataque. Será que ele não está entre os melhores que já tivemos? Eu acredito que sim.
O meio-campo encontrou um equilíbrio nas últimas partidas. A defesa, essa sim, mostrou falta de entrosamento. Mas dizer que o Brasil perdeu porque a seleção é ruim? Não. O Brasil perdeu porque foi displicente em um momento decisivo. Deixou livre um jogador gigantesco, especialista no jogo aéreo, que já havia mostrado ao mundo inteiro essa característica. Dentro da área, um atleta com aquele porte físico não pode receber a bola com tanta liberdade.
No segundo gol, ele dominou completamente sozinho e finalizou. Em Copa do Mundo, erros assim custam caro. Não se pode desperdiçar tantas oportunidades nem cometer falhas desse tamanho.
Como dissemos na manchete, a mesma água não passa duas vezes por debaixo da ponte. A oportunidade passou e foi embora. A frase não é minha, mas traduz perfeitamente o que aconteceu.
Criamos cinco grandes chances de gol e não aproveitamos. Marcamos apenas na última delas, quando ainda surgiu um fio de esperança de que, com mais alguns minutos, poderíamos buscar o resultado. Mas não houve tempo. O sonho do hexa escapou por detalhes, por uma fatalidade e também por erros que uma competição desse nível dificilmente perdoa.
Nem todas as oportunidades desperdiçadas podem ser colocadas na conta dos atacantes. Em várias delas, o goleiro fez grandes defesas, outras passaram muito perto da trave e uma ainda bateu na madeira. Talvez apenas uma chance possa ser considerada realmente imperdoável: a do jovem Endrick. Aquela bola ele certamente gostaria de ter concluído de outra forma. Mas culpá-lo? Jamais. O futebol é coletivo, e vitórias e derrotas pertencem ao grupo.
Cabe ainda uma reflexão. Hoje, se existe uma seleção que realmente se diferencia das demais, inclusive da própria Seleção Brasileira, essa equipe é a França. Não apenas pela qualidade dos seus jogadores, mas pelo tempo em que atua praticamente com a mesma base e pelo entrosamento que apresenta dentro de campo.
Mas observem como as outras seleções chegaram até aqui. Como Inglaterra, Argentina, Marrocos, Espanha e até a própria França conquistaram suas classificações? Todas passaram por dificuldades. Todas venceram jogos apertados, decididos nos detalhes, muitas vezes nos minutos finais.
O futebol mundial está cada vez mais equilibrado.
E, para encerrar, quero registrar a grande emoção que foi acompanhar a campanha de Cabo Verde. Independentemente da eliminação, aquela seleção conquistou o respeito de todos pela coragem, pela entrega e pelo amor demonstrado ao representar o seu país e, de certa forma, todo o continente africano.














