É natural que torcedores do mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil, reverenciem o Messi. Afinal, esse gênio do futebol, aos 40 anos, joga como se fosse um garoto de 22, com uma vitalidade física impressionante, inteligência em campo, consciência tática e espírito coletivo, embora continue encantando exatamente pelas suas jogadas individuais e geniais.

Mas não se trata de saudosismo. O que acontece é que muitos não acompanharam, ou não conseguem ter acesso ao que Pelé, Ronaldinho Gaúcho e o próprio Neymar fizeram dentro de campo. E digo o próprio Neymar porque ele ainda está em atividade e, quem sabe, ainda possa escrever novos capítulos da sua história.

Diria mais. Pode até parecer exagero, mas, se Ronaldinho Gaúcho tivesse sido preparado para exercer um papel semelhante ao que hoje Neymar desempenha na Seleção, entrando aos poucos, sendo preservado fisicamente, ainda seria capaz de dar espetáculo. Porque a arte de jogar futebol ninguém esquece.

É claro que a ciência explica que chega um momento em que o corpo já não responde como a mente deseja. Mas, por favor, tentem buscar um pouco da história. Não é saudosismo.

Pelé foi um monstro. Além de um extraordinário jogador, era um atleta incomparável. Ronaldinho Gaúcho também. Talvez o único que fuja um pouco dessa regra seja o Neymar, que, ao meu ver, não se cuidou como poderia ao longo da carreira e, por isso, enfrenta hoje maiores dificuldades físicas. Mas também é bom lembrar que foi um jogador duramente caçado em campo durante muitos anos.

Messi é um craque. Resolve partidas como poucos. Mas observem um detalhe. Sei que ele tem mobilidade e utiliza o pé direito quando necessário, porém não driblava em velocidade com as duas pernas da forma como faziam Pelé, Ronaldinho Gaúcho e Neymar.

Por isso, repito: respeito profundamente quem considera Messi o maior de todos. Não se trata de diminuir a sua grandeza. Trata-se apenas de fazer justiça a outros craques extraordinários que, com o passar do tempo, correm o risco de serem esquecidos pelas novas gerações.

Muitos jovens de hoje não viram Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Kaká, Robinho e tantos outros talentos que marcaram época.

Messi, você é um gênio. Você joga muito. Mas, na minha opinião, Pelé, Ronaldinho Gaúcho e Neymar jogaram ainda mais. E isso, absolutamente, não diminui o brilho da sua história.