A imortalidade de uma vida
A Academia Conquistense de Letras, neste momento, cumpre o seu papel, manifestando o respeito e admiração pelo Escritor, Poeta, Dramaturgo e teatrólogo Carlos Jheovah de Brito Leite, que se foi do convívio familiar, da Entidade e de toda a comunidade conquistense no dia 31 de dezembro de 2020.
É muito difícil definir verdadeiramente, a representatividade desse homem na vida cultural de Vitória da Conquista e horizonte a fora. Quem com ele conviveu diretamente, há de entender o quanto é difícil falar, por pouco que seja, sobre a sua trajetória de vida, por onde quer que passou.
Merecidamente, admirado e homenageado por diversas Entidades Culturais, Instituições de Ensino, Associações de Bairros, Grupos de Teatro, Carlos Jheovah, em sinal de gratidão, deixava o seu sorriso e a doçura do seu olhar, como marcas profundas, no coração de todos os admiradores que o seguiam e o observavam.
Homem de serenidade inata, ainda que tivesse alguns arrufos na rigidez das exigências, pois gostava de tudo, se não perfeito, mas que se aproximasse da perfeição. Nunca media esforços para demonstrar a sua sensibilidade altruísta, seu senso de humanidade incomparável, o que o tornava cada vez mais próximo das questões sociais. Tudo que tivesse relação com o coletivo trazia o brilho e a leveza da alma de Carlos Jheovah à tona, pois ele, alma constantemente irrequieta com as inquietudes do mundo, fazia questão de mostrar esse seu lado sensível e grandioso, despertando no coração daqueles que o admiravam o amor pelas artes de uma forma diferenciada.
Alma poeta e dramaturgo de nascença, de uma habilidade incrível com as palavras, ele dava vida e movimento a cada uma delas, através das personagens criadas para estimular os jovens amantes das artes cênicas. Não media sacrifícios quando era carinhosamente convidado para participar de eventos, e levar o seu conhecimento como instrumento de estímulo, para despertar a sensibilidade daqueles que o buscavam com o propósito de desenvolver as habilidades artísticas.
A cada convite, um trabalho apresentado e uma homenagem merecida, não apenas em Vitória da Conquista, mas em cidades circunvizinhas. Sua arte de fazer poesia, seu talento com o teatro, (pois encenava como ninguém), sua destreza de promover e fomentar a cultura, na sua forma mais rica e abrangente, levaram-no além terra, e onde quer que se apresentasse, tornava-se conhecido, para jamais ser esquecido, pelo respeito e admiração que despertava no coração de pessoas de todas as idades.
Sua habilidade com a lida poética tornava-o diferente de todos, embora trouxesse nele características que o tornavam mais próximo de cada um, apesar das diferenças. E aí estava o segredo que ele fazia questão de mostrar: as diferenças eram vistas como mecanismos saudáveis contra as desigualdades sociais e como instrumentos de transformação das ideias de um povo que ainda não tinha o hábito do convívio contínuo com a arte.
Insatisfeito com as atitudes arbitrárias que discriminam, buscou outros jovens com idéias afins, para discutir cultura. E foi nesse contexto que a sua vontade de mudar os rumos das idéias prevaleceu. Assim foi decidida a fundação da Casa da Cultura, entidade responsável pelo fortalecimento e realização dos sonhos de um poeta que trazia de dentro de si para fora a concretização da arte, colocando-a em evidência em todos os seguimentos da cidade de Vitória da Conquista. Nessa efervessência de ideias, ele escreve o texto denominado Cicatriz. Publica Quotidiano, e se destaca com o Auto da Camela, cujo tema denuncia a fome e as desigualdades sociais, através das suas mais variadas formas de expressões, refletindo a sua vontade de poeta em todas as suas dimensões.
Carlos Jheovah e seu acervo cultural – Autor de Auto da Gamela, um dos grandes destaques do teatrólogo, em parceria com o escritor Esechias Araújo Lima, também incentivador e promotor da cultura, sendo um dos grandes nomes da Academia Conquistense de Letras, comungando os mesmos pensamentos e ideiais de Carlos Jheovah, no que se refere à arte. Dois escudeiros que, lado a lado, fizeram acontecer a arte em Vitória da Conquista em suas diversas expressões. Quem assistiu o Aiuto da Camela há de ter percebido a alma da paisagem nordestina e a força viva do nordestino que trilha seus caminhos sem medo de enfrentar as dificuldades geradas pela seca que atormenta. Merecem destaques também outras tantas obras de Carlos Jheovah, como Ciranda dos Ofícios, Águas do Meio Dia e Uma Carta Endereçada à Liberdade, corporificada nas Epístolas dos Cavalheiros do Sol, Poema do Povo Negro, As Contas da Ira, Os Sacanas, (texto teatra), assim como Hinos da Rebelião. Contando com a parceria do escritor José Mozart Tanajura, membro da Academia Conquistense de Letras, Carlos Jheovah escreveu o Corpo Morto.
O homem físico foi-se, mas a sua história permanecerá como célula viva, proporcionando aos amantes da leitura e do teatro momentos edificantes.
Escrever para ele era transformar a palavra em textos, que por sua vez, transformavam-se em livros, materializando-os em sentimentos, em movimentos nos palcos da lida diária, que a cada instante expunha-se em reflexos de sabedoria e conhecimento inesgotável. Tudo que ele portava no mais profundo de sua consciência justa e humanista ganhava vida, estimulava novas vontades e novas descobertas. Para Carlos Jehovah escrever era dar vida a própria essência da alma, trazendo no silencio de cada página pedaços da história de um homem que nasceu para promover arte e cultura, o que ele fazia com muita propriedade. Ficção ou realidade, nada era segredo, pois ele trazia em si a fonte inesgotável do conhecimento.
Carlos Jheovah e a Academia Conquistense de Letras – No dia 03 de setembro de 1980, em uma reunião acontecida na sala de reuniões da Casa da Cultura, compareceram os Senhores Jayme Martins de Freitas, Carlos Alberto Nápoli, Isaias Viana de Andrade, Claudemiro Rosa do Amaral, Hélio Gusmão, Djalma Evandro Nobre, Evandro Gomes Brito, Massimo Ricardo Benedictis, Raimundo José do Nascimento, Marisa Fernandes Leite Correia, Vicente Cassimiro, sendo solicitada representação por carta, Iris Geraldo Silveira, Erathósthenes Menezes, Nilton Gonçalves, Heleusa Figueira Câmara, Mario Sabino de Oliveira e, finalmente, dentre eles, Carlos Jheovah de Brito Leite, formando assim, um grupo de dezessete literatas empenhados na fundação da Academia Conquistense de Letras, Entidade Civil e Cultural representativa dos valores intelectuais de Vitória da Conquista e e regiões circunvizinhas. O líder do movimento, o Poeta Jayme Martins, fez a abertura da reunião, convocando o poeta Carlos Jheovah de Brito Leite para presidí-la. Após calorosas discussões, foram registrados três nomes para que um entre
eles fosse o escolhido, que daria a denominação definitivada à entidade cultural: Ala das Letras de Conquista, Sociedade Literária Conquistense e Academia Conquistense de Letras, sendo esse ultimo escolhido por unanimidade. E assim, deu-se início à história dessa Entidade, que traz até hoje a força, o estímulo e a marca enriquecedora do Poeta tão aclamado e querido Carlos Jheovah.
Desse modo, a Academia Conquistense de Letras, em nome de todos os seus Acadêmicos e Acadêmicas, tem o dever moral e cultural de dar andamento ao seu curso, valorizando e priorizando o exercício das suas tarefas literárias, tendo como principal instrumento a valorização da arte e da cultura, conforme sempre o fez o caríssimo escritor Carlos Jheovah de Brito Leite, cujo desempenho fica como exemplo, modelo e guia para o exercício de suas atividades.
Academia Conquistense de Letras
Elvarlinda da Rocha Jardim
Presidente
27/01/2021

















Tive a oportunidade de conviver de maneira muito intensa com o Carlos Jeovha, antes mesmo de ser admitido na Academia Conquistense de Letras, da qual sou membro efetivo. Convivia com o Jeovhá nas conversas que tínhamos, junto com o também acadêmico Dr, Djalma Nobre, falecido no ano passado, geralmente quando ele saí do expediente bancário que cumpria na agência do Bradesco da Rua Maximiliano Fernandes. Era tempos maravilhosos, precisávamos de um talonário de cheques assinava-se a autorização e pedia à secretária para buscar e ele enviava, sempre calmo, com um olhar manso, sempre culto e cativante, assim foi o Carlos Jeovhá, or tão bem descrito pela confreira e presidente da Academia Conquistense de Letras Elvarlinda da Rocha Jardim. Queira aceitar os meus parabéns pela linda homenagem ao escritor e poeta Jeovha.
Obrigada caríssimo Confrade Dr. Afranio Garcez, por sua atenção e carinho para com a Academia de Letras.
Nada mais justo, principalmente por se tratar de uma pessoa tão nobre.
Em nome da Academia Conquistense de Letras, agradecimentos também a Pedro Alexandre Massinha pelo espaço disponibilizado esse espaço, que muito tem contribuído com a divulgação da Cultura da nossa querida Vitória da Conquista.
Elvarlinda
Jehovah era um ativista cultural. Suas provocações rendiam paginas de jornais sobre sitios arqueológicos, casarões que mereciam ser tomados oelo patrimônio históricos e resgate de poetas esquecidos, como Camillo de Jesus Lima. Fui vom eme muitas vezes ao entao abandonado Solar dos Fonseca e acompanhei sua insistencia pela recuperação e edição da obra do grande poeta baiano, ao qual se junta agora ba eternidade.