O homem é lobo do homem
Por Maria Reis Gonçalves
Thomas Hobbes, filósofo inglês e, um dos fundadores da filosofia política, utilizou a frase em sua obra “De Cive” ( Do Cidadão), por estar vivendo em tempos conturbados para a coroa de seu país, e suas ideias estavam condizentes com o clima de incerteza que marcou aquele período. Essa frase, vem martelando em minha cabeça há dias, desde que o Candidato a presidente do Brasil, o Capitão Reformado do Exercito, Jair Bolsonaro, recebeu uma facada, na cidade de Juiz de Fora, no Estado de Minas Gerais, em plena campanha política. Na frase, o autor tenta exprimir um comportamento antropológico característico do ser humano: a capacidade que temos de julgar e excluir todos aqueles que não fazem parte do nosso grupo, das nossas ideias, dos nossos anseios.
Esse comportamento abre caminhos para a violência contra todos aqueles que não fazem parte do nosso meio, seja social, seja político e, ao mesmo tempo nos obriga a buscar uma “paz” entre os nossos pares, que nos dê certa segurança, representada pelos ideais sociais ou políticas do grupo. No entanto, para Hobbes, o ser humano é incapaz de manter essa paz sem uma liderança forte e centralizadora, e se alguma outra pessoa, diferente ao meio, ousa ameaçar essa liderança, seria automaticamente rechaçada. Mesmo vivendo no século XVII, sua frase, ainda possui o dom de nos fazer refletir e continua atemporal.
Hobbes, tinha uma teoria interessante, e podemos ver isso em suas obras, tanto o “Leviatã, Do Cidadão, De Homine,” e outras, que existe tendência em todos os homens de um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder, que só termina após a morte. E que o homem deseja esse poder, sem medir consequências, somente para garantir a sua própria sobrevivência no estado de natureza. Como o homem tem medo de perder tudo o que possui, inclusive a família, busca se tornar o mais forte possível para poder defender suas propriedades e pessoas do seu grupo. O que faz o homem desejar tanto esse poder é a lógica da anarquia que prevalece no estado de natureza.
Outro fator interessante, encontrado nos livros do Thomas Hobbes, é o que ele chamou de: “a guerra de todos contra todos”, onde ele nos fala da “lógica do ataque preventivo”. Ou seja, antes que o outro invada o meu espaço e se apodere dos meus ideais, sonhos e desejos, eu me antecipo e o ataco. Podemos então, usar essa analogia para entender o que aconteceu com o Candidato a Presidente, Jair Bolsonaro. Para o rapaz que o atacou, estou aqui na premissa de que o atacante é realmente um “Lobo Solitário”, o Capitão Bolsonaro é por si, um homem mau, não serve para viver entre pessoas de bem, suas palavras não condizem com o que o Lobo Solitário (Adelio) acredita, e por isso precisa ser eliminado, antes que consiga tornar-se presidente e por em prática o que prega.
Acreditar nessa frase de Thomas Hobbes, é acreditar que o homem não tem jeito, que é maldoso por natureza e que não temos capacidade de nos mostrarmos diferente. O que percebo, infelizmente, é que o homem tornou-se um lobo raivoso, e se encontra pronto para atacar os seus semelhantes e não estão preocupados se os mata ou apenas os ferem. Há uma necessidade gritante, de mudança no pensamento do homem, devemos parar com essa violência desenfreada, que tomou conta do país, onde já não se respeita mulheres, crianças e nem idosos, não podemos deixar que a nossa parte má, corrompa a nossa essência boa. Não podemos acreditar que a teoria de Thomas Hobbes seja verdadeira e prevaleça nos nossos dias como algo válida. Precisamos acreditar que somos: Homens amigos dos homens.
Para isso devemos cultivar nós mesmos, antes dos nossos lobos, o árduo trabalho politico, afável, civilizado, de entendermos as coisas apontadas pelas palavras do outro. Termos a capacidade de aceitar as diferenças e as vontades do outro, mesmo não concordando, devemos entender que o outro tem liberdade para pensar diferente de nós. Do contrário essa intolerância vai acabar nos colocando na imanente “guerra de todos contra todos”, ou mesmo o metafísico Leviatã, que trata as vontades do povo como algo sobre-humano, bem próximo da desumanidade. Quando discordamos das palavras e atitudes do outro, é que precisamos ser político e politizado, e produzir o consenso, tentar entender a necessidade que o outro tem de se fazer diferente, ou teremos em nós, impregnada as palavras do Thomas Hobbes, fazendo do outro um estranho ao nosso meio, outsider: “O Homem é o lobo do homem”.















Excelente texto, Maria!!!
Perfeito esse artigo, parabéns a escritora, gostei muito. Uma grande reflexão sobre a violência dos nossos dias.