Trinta e Oito Canela Seca
Por Valdir Barbosa
Na segunda feira desta semana findando, me pus a caminhar, tão logo o sol derramou seus primeiros raios dourando a bela lagoa postada numa das entradas de Itapetinga, cartão postal da cidade que me viu nascer como homem de policia, no abrir dos idos de 1976.
O domingo voara, pois estive na companhia de filha, genro, netos e amigas e amigos, tais quais, Jeremias do INSS, Benjamim Matos, provando as delícias dos acepipes de Joanita Xavier, maga da cozinha naquelas paragens, não tendo sido completa a festa, por conta da pífia apresentação do time brasileiro, frente à Suíça.
Pude ver viatura da Policia Militar, em serviço de ronda passando pelas imediações do Tiro de Guerra, nela – camionete nova, do tipo Ranger – dois prepostos devidamente paramentados e armados convenientemente.
Adiante, vez seguia em marcha acelerada ultrapassei dois senhores, para mim desconhecidos, porém, pude ouvir o teor de seu colóquio e agora cuido de reprisar fala de um destes: “Naquele tempo era fusquinha, um trinta e oito canela seca, nada de colete a prova de balas, nem fuzil, mas o povo respeitava a polícia”. Obviamente, aqueles homens simples tratavam de uma questão realmente preocupante nos dias correntes, a inversão de valores.
Esta realidade perversa é calcada, dentre outros fatores, na certeza de impunidade, nos exemplos negativos, sobretudo, dos que comandam ou comandaram os desígnios do País e muitos Estados da Federação ocupando cargos executivos; de grande maioria das figuras responsáveis por legislar, em todas as esferas, fazendo-o em causa própria; dos personagens incumbidos de julgar, mormente nas mais altas cortes, os quais decidem, não em favor da lei fazendo justiça, mas, em benefício dos responsáveis por indicá-los aos elevados cargos nos quais se acham.
Tamanhos despautérios, a par de uma sociedade sem educação, desprovida dos aspectos relevantes embutidos na consciência holística, fator preponderante no quanto respeita aos mínimos atos de considerar o interesse coletivo, o bem estar do semelhante, a preservação do meio ambiente torna por desagregar a célula máter da sociedade – família – espargindo seus tentáculos maléficos, ao palco onde deve prosseguir a formação da criança e do jovem – escolas – refletindo falta de fé e resultando em total desrespeito a quaisquer autoridades constituídas.
Acresça-se a tudo isto, o aumento desenfreado do uso e tráfico de drogas, grande flagelo da sociedade contemporânea, razão indiscutível a incidir no aumento absurdo da criminalidade que transforma os cidadãos, em reféns dos bandidos, cada vez mais ousados e violentos.
Refletindo nas ditas questões volvi ao gênesis da minha carreira e anos seguintes recordando momentos de efetivo respeito e consideração aos homens de polícia. Tempo em que autoridades cariocas podiam subir aos morros e favelas para cumprir seu desiderato – a interesse de investigações do nosso estado assim o fiz algumas vezes, com dois ou três colegas fluminenses, para prender assaltantes de bancos, sequestradores, homicidas – sem precisar uso de “caveirões” e apoio de blindados do exército.
Época na qual não se ouvia falar do absurdo número de homens mortos, integrantes dos mais diversos escalões e de todas as agremiações policiais, fato registrado quase diariamente em muitos cantos da nação, alguns deles abatidos com requintes de crueldade absurda.
A sociedade precisa acordar para estes gravíssimos problemas e não só criticar, mas, em especial cumprir cada um sua parte, de forma mais altruísta e consequente. Menos egoísmo pode residir na simples máxima de deixar por fazer ao próximo, o quanto desejaríamos não fosse feito conosco. Atitude de extrema consequência consiste em escolher, pelo voto, legisladores e executivos comprometidos com interesses sociais, conhecedores dos essenciais serviços necessários ao desenvolvimento e bem estar de cada uma das comunidades brasileiras.
É preciso fazer representantes, peritos nos assuntos relativos a educação, saúde, segurança, meio ambiente, mobilidade urbana, dentre outros de grande importância, no sentido de que tenham seus projetos, bases sólidas e factíveis. Executivos probos e competentes, capazes de administrar, com posturas responsáveis e adequadas, os redutos daqueles que referendem seus nomes, nas escolhas havidas quando do sufrágio.
Findas as eleições municipais de 2016, escrevi a mensagem seguinte: Nestes quarenta dias de campanha buscando ser um dos representantes do povo de Vitória da Conquista aprendi muito mais do que nos meus quarenta anos de vida pública, dedicados a combater o crime. Pude conhecer a face da inveja, da ambição, da hipocrisia, mas tive o privilégio de encontrar um mundo de desprendimento, entrega, apoio e suporte em tantos rostos conhecidos e desconhecidos. Cumpre-me então agradecer a Deus e as quatrocentas e oitenta e três pessoas que acreditaram nas minhas ideias e propostas, bem como aos abnegados agentes multiplicadores, capazes de fazê-las crer em mim. Entendi também, como plantas exóticas e especiais, na política, nem sempre é possível colher frutos na primeira safra. Assim, desde agora cuido de regar, podar e adubar essa árvore sensível, na certeza de que, em 2018, a vitória semeada em Conquista virá.
Pensando na conversa ouvida na manhã daquela segunda feira, em Itapetinga tomei coragem. Partirei na direção de nova semeadura, decerto buscando a vitória tentando uma vaga na Câmara Estadual, mas objetivando, primordialmente, difundir o quanto penso possa ser feito na área da segurança pública, assim como em prol das mulheres e homens de polícia, passadas mais de quatro décadas, desde quando tudo começou, com lastro na condição de eterno aprendiz.














