“Gosto de uma boa comida e posso frequentar esses lugares. Trabalho para isso”, diz produtora cultural Irá Carvalho após sofrer racismo em restaurante

É lamentável que ainda convivamos com situações tão deploráveis, marcadas pelo preconceito e pela falta de respeito ao próximo. Infelizmente, nossa querida amiga e produtora cultural Irá Carvalho passou por um episódio que nos entristece e merece nossa indignação.
Irá foi jantar em um restaurante de Salvador, acompanhada do neto de 14 anos. O que deveria ser um momento agradável em família transformou-se em constrangimento. Segundo o relato, um homem dirigiu-se à mesa e passou a questionar a presença dos dois naquele ambiente por serem negros.
Diante da agressão, Irá respondeu com firmeza e dignidade. Embora ferida na alma, não recorreu à grosseria nem abriu mão do respeito para enfrentar quem a desrespeitava. Sua resposta foi clara: trabalha, gosta de comer bem e tem todo o direito de frequentar aquele restaurante.
É doloroso imaginar uma avó e seu neto passando por uma situação dessas. Ninguém deveria precisar justificar sua presença em um lugar por causa da cor da pele. O respeito à dignidade humana deveria estar presente em qualquer ambiente, em qualquer relação.
Ainda conforme o relato, Irá não quis denunciar o agressor, mas garçons e funcionários do estabelecimento tomaram a iniciativa, e o homem foi levado a uma delegacia. Lá, teria dirigido também aos policiais ofensas de caráter preconceituoso.
Irá, querida, nossa amizade vem de longe. Eu te conheci em 1980, quando você e seu então esposo, Estácio Carvalho, trouxeram Lulu Santos a Vitória da Conquista, e eu fui o produtor local. Já se vão quarenta e tantos anos, quase meio século de uma convivência que o tempo não apagou.
Não perdemos os vínculos. Continuamos amigos, conversando sobre negócios, batendo papo e dando boas risadas. Por isso, saber que você e seu neto foram submetidos a esse constrangimento me toca de maneira muito particular.
Sua postura, minha amiga, expressou a dignidade de quem sabe o próprio valor e não permite que o preconceito do outro defina seu lugar no mundo. Você lavou a alma de quem reconhece a igualdade entre os seres humanos, independentemente da cor da pele, do credo, da posição política ou da conta bancária.
Continue firme, Irá. Sua serenidade diante da agressão e sua disposição para perdoar são gestos que respeito. O perdão é uma escolha pessoal, que não diminui a gravidade do que aconteceu nem a necessidade de enfrentarmos o preconceito.
Receba um grande abraço, extensivo ao seu neto. Que Deus continue abençoando sua vida e que vocês encontrem sempre o acolhimento e o respeito que merecem.














