Pio Medrado: lenda viva da comunicação baiana, que luta para manter o nosso axé vivo

Falar de Pio Medrado é sempre motivo de alegria, um prazer incomensurável. Não esqueço minhas primeiras andanças por Salvador, quando comecei a lutar pela nossa Miconquista, essa festa que sonhávamos transformar no maior Carnaval fora de época do Brasil.
Quem viveu sabe do que estou falando. A Micareta de Vitória da Conquista era admirada e curtida por todos. Foram quatro dias de avenidas e praças lotadas, trios elétricos, bandas e grandes atrações de Salvador passando pela Pracinha do Gil, pela Bartolomeu de Gusmão, pelas avenidas Siqueira Campos e Vivaldo Mendes, pela Ascendino Melo e pela São Geraldo.
E, quando chegava a Salvador, encontrava Pio nas antessalas dos escritórios das bandas. Com sua irreverência, ele levava músicas e composições feitas com outros parceiros, entregando-as de mão beijada para que, no Carnaval seguinte, o povo pudesse cantar com Bell, É o Tchan, Cheiro de Amor, Pimenta Nativa e tantas outras atrações.
Não posso esquecer esse amigo que, até hoje, luta bravamente para manter o nosso axé vivo. Mesmo quando alguns baianos do próprio universo musical insistem em depreciar o ritmo, encontram pela frente a resistência de pessoas como Pio, com sua comunicação fácil e sua paixão pela nossa música.
Você sempre disse, Pio: “O axé é que nos deu régua e compasso”. E faço questão de assinar embaixo.
Também penso assim. Por mais que tentem diminuir sua importância, o axé resiste. Há quem imagine que estamos fora do mapa. Mas basta percorrer o Brasil para perceber a presença da nossa música, a força das canções e a alegria que elas continuam provocando.
Acredito que voltaremos a ocupar ainda mais espaço, porque tudo na vida é cíclico. A música também tem seus momentos, suas mudanças e seus reencontros com o público.
Só o que não é cíclico, porque para mim é eterno, é o humor, a graça, a alegria e a irreverência de pessoas como o nosso querido Pio Medrado.
Saudações e axé para você, grande amigo!















