É com muito prazer e honra que, mais uma vez, trazemos para os leitores do Blog do Agito Geral uma reflexão assinada pelo nosso amigo, empresário e engenheiro Gilberto Luna, um dos pioneiros da construção civil em Vitória da Conquista.

Gilberto traz uma reflexão sobre um tema que ultrapassa fronteiras e que tem importância direta para o futuro do Brasil: as relações do nosso país com duas das maiores potências econômicas do mundo, China e Estados Unidos.

É uma discussão que exige cautela, equilíbrio e, sobretudo, estudo. O Brasil precisa observar seus interesses, avaliar as oportunidades e compreender as transformações que estão acontecendo no cenário internacional para não ficar apenas assistindo às mudanças enquanto outros países avançam.

O mundo se modernizou e as relações econômicas também mudaram profundamente. A China ocupa hoje uma posição de enorme relevância no comércio internacional e se tornou uma das principais parceiras comerciais do Brasil. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam exercendo uma influência econômica, política e tecnológica indiscutível no cenário mundial.

São países com modelos, interesses e estratégias diferentes, e é justamente diante desse cenário que surge a reflexão proposta por Gilberto Luna.

Qual deve ser o posicionamento do Brasil? É necessário escolher um lado ou o caminho mais adequado seria preservar relações estratégicas com as duas potências, sempre colocando os interesses nacionais em primeiro lugar?

São questões importantes e que merecem ser discutidas sem paixões ou conclusões precipitadas.

Por isso, convidamos você a ler o texto de Gilberto Luna, conhecer os argumentos apresentados pelo autor e fazer a sua própria reflexão.

Leia, analise e veja se concorda ou não.

O debate está aberto.

“O Brasil entre Duas Potências Mundiais: China e Estados Unidos

O resultado da próxima eleição para a presidência da República definirá o futuro da soberania do Brasil, que se encontra posicionado em um cenário de escolhas críticas entre a China e os Estados Unidos. Atualmente, a China consolidou-se como o nosso maior parceiro comercial. Diferente das oscilações ocidentais, o governo de Pequim oferece ao Brasil a certeza de uma política contínua de crescimento econômico que se tornou indispensável para as exportações brasileiras.

Essa estabilidade estrutural foi construída a partir do momento em que o Partido Comunista Chinês promoveu uma profunda transformação interna ao adotar o Capitalismo de Estado. Esse modelo permitiu realizar uma verdadeira revolução econômica e social em um território de dimensões continentais, com população que supera um bilhão de pessoas e composto por uma imensa diversidade de etnias. Os resultados práticos dessa engenharia política é bastante positivo, retirando gradualmente centenas de milhões de cidadãos da miséria absoluta para integrá-los a uma sociedade em pleno desenvolvimento, onde os padrões de educação e de saúde pública avançam de forma planejada. É esse país que enxerga o Brasil como um parceiro estratégico para uma cooperação de mão dupla, baseada no respeito mútuo, sem a imposição de ameaças econômicas e sem qualquer tipo de interferência na nossa política interna .

Essa relação de respeito mútuo tem sido o motor para a expansão segura do agronegócio e da mineração em solo brasileiro, garantindo a venda da nossa produção para atender à imensa demanda do mercado asiático. Como contrapartida direta, o Brasil se beneficia de investimentos chineses massivos direcionados a obras de infraestrutura de longo prazo, essenciais para integrar o território nacional e conectar as nossas cadeias produtivas com o restante do mundo. Esse comportamento pragmático e focado no desenvolvimento contrasta de forma violenta com a postura histórica e atual adotada pelo governo dos Estados Unidos em relação ao continente sul-americano.

Em contrapartida, persiste no cenário nacional a defesa de uma vinculação descompensada com o sistema norte-americano, visto no Ocidente como o bastião das liberdades individuais e do livre mercado. É inegável que a trajetória daquela nação foi moldada por lideranças de envergadura histórica incomparável, a exemplo de George Washington e seu pioneirismo na rotatividade democrática do poder; Abraham Lincoln e sua firmeza em consolidar a união territorial e abolir a escravatura; Franklin D. Roosevelt e seu uso estratégico do aparato estatal contra a depressão econômica; e Dwight D. Eisenhower com a interiorização da infraestrutura do país. Contudo, as diretrizes vigentes sob a liderança de Donald Trump rompem com essa herança de estadismo ao projetar uma conduta hostil e prejudicial sobre as economias periféricas. Conduzido por uma determinação inflexível de asfixiar a expansão asiática, o mandatário republicano converte a doutrina do “America First” em um mecanismo de sanções arbitrárias e sobretaxas punitivas contra a pauta de exportações brasileira, desconsiderando que o intercâmbio comercial já confere aos Estados Unidos saldos amplamente favoráveis. Valendo-se de narrativas de combate ao crime transnacional ou de salvaguarda de segurança, Washington passa a operar por meio de um intervencionismo direto, cujo real propósito é barrar de forma compulsória os investimentos e a presença da tecnologia da China na América Latina.

O cenário torna-se ainda mais grave diante da explícita submissão política da direita bolsonarista em relação à Casa Branca. A subserviência de figuras como o senador Flávio Bolsonaro e de todo o Clã Bolsonarista a Donald Trump expõe a ausência de um verdadeiro programa de desenvolvimento voltado para o povo brasileiro. O maior objetivo desse grupo político não é fortalecer o Brasil, mas sim transformar o país em uma nação satélite, totalmente desprovida de autonomia própria e disposta a entregar as riquezas nacionais em troca de apoio eleitoral estrangeiro. Essa submissão cega é o maior perigo para o futuro do país, pois aceita que as decisões mais vitais sobre a nossa economia e infraestrutura sejam tomadas em Washington, reduzindo a dignidade diplomática brasileira a uma postura humilhante de subserviência aos interesses norte-americanos.

É consensual que o ciclo dos governos do PT no poder central gerou uma forte fadiga política e precisa ser interrompido nas urnas. Contudo, a necessária substituição desse modelo de esquerda não pode ser feita por meio da entrega da nossa soberania a uma direita que aceita ficar de joelhos diante de uma potência estrangeira.

O Brasil exige uma alternativa de direita independente, nacionalista e madura, que coloque as necessidades do nosso povo em primeiro lugar e paute o vínculo com os Estados Unidos estritamente pelo respeito aos interesses mútuos. Uma oposição verdadeiramente patriótica deveria se espelhar em exemplos de outras nações governadas pela direita pragmática — como é o caso da Índia sob Narendra Modi —, que negociam com Washington sem abdicar de suas alianças estratégicas locais e globais. Ao priorizar o interesse nacional acima de alinhamentos ideológicos automáticos e rejeitar a subserviência exibida pelo bolsonarismo extremista, o país preservará sua altivez diplomática e sua liderança regional, demonstrando que um Estado continental rico em recursos não precisa se submeter à tutela de nenhuma potência estrangeira para garantir a sua real prosperidade e segurança.

Gilberto Ferreira Luna”