O Tempo Não Cabe no Meu Peito

Autor: um jovem idoso…

Dedico este poema a todos os que descobriram que o tempo é uma ilusão do calendário, e que a verdadeira juventude não se mede pelos anos vividos, mas pelos projetos que ainda faremos nascer.

Carrego no peito os janeiros dos meus setenta e tantos,
Mas na mente, o brilho dos meus vinte e cinco.

Não sou o espelho que me mostra ancião,
Sou o horizonte aberto que se renova por dentro, até o infinito.

Se me perguntam os anos, repito o sábio antigo:
Tenho apenas os dez ou doze que me faltam viver,
Pois o amanhã é meu único tempo real,
E a juventude é o pulsar que não aceita morrer.

O calendário na parede insiste em marcar o compasso,
Mas minha mente ignora as folhas que o tempo levou.

Há um projeto inédito nascendo em cada passo,
Uma ideia urgente que o meu peito abraçou.

Não há fim de tarde para quem quer aprender,
O mundo ainda é um livro aberto a me desafiar,
E o mesmo entusiasmo que me fez crescer
É a força jovem que hoje me faz recomeçar.

Olho ao redor e percebo que nada mudou por dentro:
O meu sorriso entrega a mesma antiga travessura,
A conversa flui livre, sem pressa ou contratempo,
E o meu peito ainda bate transbordando ternura.

Amar na maturidade tem o mesmo sabor
Dos vinte e cinco anos que guardei na memória;
O corpo pode ter as marcas do tempo que passou,
Mas o coração é o mesmo eterno jovem dos tempos.

Por isso, brindo ao agora com a taça da urgência,
Pois cada segundo novo é um recomeço inteiro.

E ao rapaz que me olha buscando a minha experiência,
Respondo sorrindo, como um eterno companheiro:
Não conte as rugas do rosto, nem olhe para trás,
Minha idade real não cabe em nenhum documento.

Sou o menino que cria, o jovem que quer sempre mais,
Tendo a força e o brilho da idade de um jovem no topo do meu momento.

………Gilberto !