Marcha do Orgulho LGBTQIA+: “Não realizamos esse evento para provocar, só queremos dignidade e respeito humano!”

Amigos e amigas, o movimento LGBTQIA+ ganhou notoriedade em todo o mundo. Começou de forma tímida, discreta, com manifestações de poucas pessoas que ousavam ir às ruas, muitas vezes sob ameaças e preconceitos. Naquela época, havia quem interpretasse esses atos como uma forma de provocação à sociedade e às famílias.
Mas, ao contrário do que muitos imaginavam, o movimento cresceu. E, naturalmente, em Vitória da Conquista também se fortaleceu ao longo dos anos.
O organizador da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em nossa cidade, Anderson Rocha, que também exerce função em uma das secretarias da Prefeitura Municipal, manifesta-se de forma bastante clara sobre o objetivo do evento.
Segundo ele, a marcha não é realizada para provocar a ira de ninguém nem para desrespeitar aqueles que pensam de maneira diferente. Conforme afirma, o propósito é chamar a atenção da sociedade para a pluralidade humana e para a necessidade de que todas as pessoas sejam tratadas com dignidade e respeito.
Ainda de acordo com Anderson, o que se busca não é apenas o respeito ao organizador ou aos participantes da marcha, mas o reconhecimento da dignidade de todos aqueles que fazem parte desse segmento da sociedade.
E nós entendemos que uma sociedade só se fortalece quando aprende a conviver com as diferenças. Seja na política, na cultura, na música, na religião ou nas diferentes formas de pensar e de viver, o respeito deve prevalecer.
Da mesma forma, também não cabe a ninguém provocar, ofender ou desrespeitar pessoas que possuem outros valores, outras convicções ou que defendem o modelo tradicional de família. O respeito precisa existir dos dois lados, para que o diálogo e a convivência sejam possíveis.
É essa a mensagem que Anderson Rocha procura transmitir ao anunciar mais uma edição da Marcha do Orgulho LGBTQIA+, prevista para o próximo mês de agosto. Segundo ele, o movimento ainda enfrenta manifestações de preconceito e discriminação, razão pela qual considera importante continuar promovendo esse espaço de visibilidade e debate.
Fica, portanto, o registro para que a sociedade conquistense conheça o posicionamento dos organizadores e acompanhe mais essa manifestação que integra o calendário de eventos da cidade.
Leia a matéria de Anderson a seguir:
Estamos sendo ameaçados.
Toda vez que alguém pergunta por que a Marcha do Orgulho LGBTQIA+ ainda é necessária, a resposta aparece nos comentários.
Não é sobre um comentário isolado. É sobre a naturalidade com que algumas pessoas ainda se sentem autorizadas a desejar violência, espalhar ódio e negar a humanidade de outras pessoas simplesmente por elas existirem.
O comentário que recebemos não é apenas um ataque à população LGBTQIA+. Ele é um ataque à ideia de sociedade que nós defendemos. Uma sociedade em que ninguém deve ser ameaçado, humilhado ou tratado como menos humano por ser quem é.
É curioso que existam pessoas incomodadas com uma marcha que fala de respeito, de dignidade e de direitos humanos. Isso diz muito mais sobre quem escolhe o ódio do que sobre quem escolhe ocupar as ruas em defesa da vida.
Há cinco anos eu coloco o meu rosto à frente da organização da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Vitória da Conquista. E cada ataque que recebemos reforça uma certeza: nós estamos do lado certo da história. Porque quem luta para que as pessoas vivam com liberdade nunca será equivalente a quem defende a violência para silenciá-las.
A democracia não se mede pela forma como trata a maioria. Ela se mede pela capacidade de garantir que ninguém seja perseguido, ameaçado ou desumanizado. Quando uma pessoa acha normal desejar a morte, a prisão ou a violência contra outra simplesmente por sua existência, não é a diversidade que está em crise. É a própria humanidade.
É por isso que esta Marcha é necessária. Não para provocar. Não para afrontar ninguém. Mas para afirmar, em alto e bom som, que Vitória da Conquista não pode se curvar à cultura do ódio. Que esta cidade é maior do que a intolerância de alguns. E que os direitos humanos não são negociáveis.
Eu faço um chamado a toda Vitória da Conquista. Se você acredita no respeito, na democracia e na dignidade humana, esta Marcha também é sua. Não deixe que uma minoria barulhenta fale em nome da nossa cidade. Venha ocupar as ruas conosco e mostrar que o ódio jamais representará o futuro que queremos construir.
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