Nós já dissemos aqui várias vezes, não apenas em nosso blog, em matérias anteriores, mas também em nosso programa
Agito Geral, apresentado na Rádio Up de segunda a sexta-feira: a política é surpreendente. E há situações que, sinceramente, parecem difíceis de acreditar.

Não se trata de dizer que quem fala está mentindo, mas, em alguns casos, o que se ouve soa como um verdadeiro absurdo.

Pois bem.

Eu assisti e ouvi claramente o ex-prefeito de Salvador e renomado radialista Mário Kertész, da Rádio Metrópole, afirmar algo que rapidamente repercutiu por toda a Bahia e, certamente, já chegou ao conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Kertész foi direto: segundo ele, o grupo do governador Jerônimo Rodrigues estaria “querendo perder a eleição”.

E foi além. Afirmou que Geraldo Júnior não será o vice e que Rui Costa pode vir a ser o candidato ao governo do estado.

A justificativa? Rui teria um histórico de forte votação, especialmente por ter contribuído significativamente para os resultados eleitorais de Lula na Bahia.

Ainda segundo Kertész, essa seria uma análise dele, sem qualquer compromisso com o cenário local, mas com foco na reeleição do presidente.

Ou seja, na leitura que faço, ele deixa claro que sua preocupação maior é com o cenário nacional, pouco importando quem venha a ser o candidato na Bahia.

Mas será que isso é possível? Sinceramente, eu não acredito.

O governador Jerônimo Rodrigues tem o direito legítimo de disputar a reeleição. Para que houvesse uma mudança dessa magnitude, seria necessária uma construção política muito forte — e, principalmente, o aval do próprio governador.

Não é algo simples. Seria preciso um acordo amplo dentro do partido, uma decisão coletiva muito bem articulada. E mais: uma situação em que o próprio Jerônimo aceitasse abrir mão da candidatura.

Do contrário, seria um cenário de ruptura interna, algo que dificilmente interessa a qualquer grupo político.

Portanto, com toda sinceridade, não vejo essa possibilidade como algo concreto.

Mas uma coisa é certa: na política, tudo pode acontecer. E é justamente isso que a torna tão imprevisível.