Eu entendo que Luiz Inácio Lula da Silva, na leitura que faço, é o maior estrategista político que este país já conheceu. Um líder inconteste. Ninguém pode negar a sua trajetória: saiu do agreste pernambucano, percorreu a Rio-Bahia em um caminhão pau de arara, chegou ao ABC paulista, liderou movimentos sindicais e alcançou a Presidência da República após fundar um dos maiores partidos da América Latina, o Partido dos Trabalhadores.

O PT, no seu início, tinha uma postura mais rígida, diferenciando-se de outras siglas como o PCB e o PCdoB, que já traziam uma visão mais estratégica de composição dentro do ambiente democrático. Com o tempo, o cenário foi se ajustando, as estratégias mudaram e o partido chegou ao poder.

Não se trata aqui de julgar acertos ou erros. Trata-se de reconhecer o que representa Lula no cenário político nacional. Ainda hoje, é a maior força individual da política brasileira.

Por outro lado, não se pode ignorar o surgimento de Jair Bolsonaro, que apareceu como um fenômeno e ocupou um espaço que estava aberto. O bolsonarismo permanece vivo, com características próprias e uma base consolidada.

Lula, como estrategista, segue tentando ampliar sua base, dialogando com partidos de centro e buscando alianças. Essa movimentação, inclusive, causa desconforto em parte da sua militância mais ideológica. Mas é da política: construir maioria, ampliar apoio, garantir governabilidade.

O que se observa, no entanto, é um possível distanciamento de partidos importantes, como o PSD e o MDB, que historicamente orbitam o poder, mas nem sempre permanecem vinculados a ele.

No caso do senador Otto Alencar, não houve entusiasmo com a possibilidade de assumir um ministério. O PSD, a nível nacional, dá sinais de que pode se afastar da base do governo federal, o que representaria uma perda significativa para Lula.

Na Bahia, o cenário ainda é diferente. Otto mantém sua posição de apoio ao governo estadual e ao governador Jerônimo Rodrigues, reforçando a aliança local.

Já o MDB, liderado por Geddel Vieira Lima, apresenta sinais de maior instabilidade. Não é mais possível afirmar com segurança qual será o seu posicionamento futuro, e não se descarta uma movimentação em direção ao grupo de ACM Neto.

A política é dinâmica, como sempre dizemos. Movimenta-se a todo instante. E o que hoje parece definido, amanhã pode tomar outro rumo.

Vamos aguardar os próximos capítulos.