Otto Alencar foi contundente: “eu sou Lula, como é que eu vou estar na Bahia em um palanque que esteja Bolsonaro e também o Caiado? Não precisa ser de esquerda para defender as causas sociais”.

Já ouvimos muitas vezes que, na política, nem tudo que se fala deve ser escrito, e nem tudo que se ouve deve ser reproduzido. Mas, neste caso específico, faço questão de registrar, porque ouvi e é público.
Eu ouvi a fala do senador Otto Alencar como nunca havia ouvido antes. Sempre tive com ele uma relação de troca de mensagens, especialmente sobre política, e sei que é um homem de poucas palavras, objetivo, direto. Não costuma se alongar.
Mas, desta vez, vi uma manifestação firme, contundente.
Ele foi claro ao afirmar que não poderia, em hipótese alguma, estar em um palanque na Bahia ao lado de Jair Bolsonaro, tampouco ao lado de Ronaldo Caiado, com quem disse ter divergências políticas profundas.
Otto também destacou algo importante: não é preciso ser de esquerda para defender pautas sociais. Ele se define como um político de centro, mas com compromisso com temas fundamentais, como a defesa da universidade pública.
Inclusive, trouxe elementos históricos para o debate. Lembrou que, após muito tempo, a Bahia voltou a receber uma nova universidade federal durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E questionou quais universidades foram construídas no período dos governos militares, citando nomes como João Figueiredo, Humberto Castelo Branco e Artur da Costa e Silva. Foi uma fala política, mas também histórica.
Nós mesmos já comentamos aqui no blog que Otto demonstrava certa resistência a se aproximar ainda mais do governo federal, inclusive ao recusar a possibilidade de assumir um ministério.
Evidentemente, essa decisão não se dá de forma isolada. Há todo um contexto partidário envolvido, com a atuação de Gilberto Kassab, que busca preservar o protagonismo do PSD no cenário nacional.
Otto, como liderança no Senado e integrante de uma das comissões mais importantes, a CCJ, mantém uma posição estratégica. E, ao que tudo indica, prefere continuar exercendo essa influência no Parlamento.
Fica o registro de uma fala firme, clara e que ajuda a entender melhor os movimentos e posicionamentos dentro desse complexo cenário político que vivemos.















