Amigos, a política tem situações que só ela mesma é capaz de oferecer. É impressionante como homens públicos, seja em palanque, em gabinete, em entrevista de rádio, em inauguração de escola ou em qualquer espaço público, às vezes pronunciam palavras como se elas fossem levadas pelo vento e desaparecessem no mesmo instante, mas não é assim.

As palavras ficam. Permanecem na memória das pessoas, ecoam na opinião pública e, muitas vezes, podem custar caro à trajetória de quem as pronuncia. Na política, mais do que em qualquer outro ambiente, é preciso medir o peso do que se diz.

E é importante lembrar que, por mais que muitos tentem desmerecê-la, a política é uma arte. Infelizmente, porém, ela também vem sendo banalizada. Hoje, muita coisa se confunde. Já não se sabe, com clareza, quem é direita, quem é esquerda, porque o mundo mudou, os interesses se embaralharam e as conveniências momentâneas falam alto.

Na política de antigamente, também existiam mudanças de rumo, é verdade. Mas hoje tudo parece mais instantâneo. Qualquer vantagem, qualquer cálculo, qualquer oportunidade parece suficiente para fazer alguém mudar de posição.

Trago esta reflexão por causa de uma declaração que merece atenção.

Não estou aqui afirmando que o prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, esteja errado, nem dizendo que a razão esteja com o Governo do Estado ou com a Sesab. Não é isso. O que chamo atenção é para a gravidade da fala.

O prefeito disse, de forma clara e pública, que renunciará ao cargo caso a Sesab prove o contrário do que ele afirma sobre recursos públicos utilizados para cobrir despesas do hospital, que, segundo ele, seriam de responsabilidade do Estado.

Ora, isso é muito sério. Porque, se ele estiver equivocado, terá colocado o próprio mandato em xeque. E, nesse caso, para manter a coerência com a palavra dada, teria de cumprir o que prometeu, sob pena de cair em grande desgaste político.

Por outro lado, se o Governo do Estado não conseguir desmenti-lo, ou não apresentar elementos que desmontem a sua versão, a situação também se complica para o outro lado. Ficaria no ar a impressão de que o prefeito falou a verdade e que o Estado não conseguiu responder à altura.

É por isso que a política exige prudência. Especialmente quando se aproximam as eleições, quando os palanques começam a ser montados, os debates se acirram e os ânimos se exaltam. Nesses momentos, muita gente acaba dizendo o que talvez não devesse dizer, ou dizendo de forma mais dura do que deveria.

Por isso, leia a matéria com atenção, reflita com serenidade e perceba o tamanho da responsabilidade que existe por trás de uma declaração pública como essa.

Porque, na política, palavra empenhada não é coisa pequena.

Leia a matéria:

https://acessepolitica.com.br/noticia/173435/sesab-desmente-prefeito-de-porto-seguro-e-expoe-numeros-janio-natal-fala-em-renuncia-apos-desafio-publico