Ao falar da Seleção Brasileira sem Neymar, me vem à memória a Copa do Mundo de 1970, no México. Naquela época, o então presidente da República tentou interferir na convocação e pediu ao técnico João Saldanha que chamasse Dario, centroavante do Atlético Mineiro. Um jogador folclórico, bom no jogo aéreo, mas limitado tecnicamente.

João Saldanha não aceitou a imposição. Depois veio Zagalo e, dentro de outra leitura, acabou cedendo. Futebol é assim, sempre cercado de histórias, pressões e bastidores.

E, nos tempos modernos, não é diferente. Muitas vezes empresários tentam influenciar decisões, levando jogadores de um lado para o outro, movimentando cifras que, por vezes, superam até os ganhos dos próprios atletas.

Mas, ao que tudo indica, o técnico Carlo Ancelotti não se curva a esse tipo de pressão. É um treinador experiente, criterioso, que toma decisões com base no desempenho e, sobretudo, na condição física dos jogadores.

E foi exatamente por isso que Neymar ficou de fora da última convocação. Não por falta de talento, porque disso ninguém duvida, mas por não estar, neste momento, em condições físicas ideais.

Particularmente, considero Neymar um dos maiores jogadores do mundo. Um talento raro, capaz de decidir partidas, de desequilibrar, de mudar completamente o rumo de um jogo.

Alguns criticam seu comportamento fora de campo. Mas é preciso reconhecer que o futebol moderno mudou, e muitos atletas também vivem sob os holofotes de uma forma completamente diferente de outras gerações.

O fato é que ainda existe uma última convocação antes da lista final para a Copa do Mundo. Essa será praticamente definitiva. Quem estiver ali, estará muito próximo de vestir a camisa do Brasil no maior palco do futebol.

Por isso, ainda há esperança. Se Neymar conseguir se recuperar fisicamente, se entregar de fato nesse período, pode, sim, voltar a ser lembrado.

E mais do que isso. Talvez seja a última grande oportunidade de sua carreira em uma Copa do Mundo. Não pelo talento, que é inquestionável, mas pela exigência física que o futebol atual impõe.

Neymar em campo muda o ambiente. O adversário respeita, a torcida se empolga, os companheiros ganham confiança. É um jogador que impõe presença, que chama a responsabilidade, que orienta, que lidera à sua maneira.

Com essa nova geração rápida, talentosa e cheia de energia, a presença de Neymar poderia ser o ponto de equilíbrio, a experiência necessária em momentos decisivos.

Eu, particularmente, torço para que ele consiga voltar. Porque com Neymar, o Brasil fica mais forte.

E quem sabe, em 2026, possamos celebrar mais um título mundial. Se Deus quiser, em ritmo de São João, ao som do forró e com o coração verde e amarelo pulsando mais uma vez.