Preparemo-nos para uma eleição polarizada, onde os ataques pessoais serão a marca da disputa. Temos visto que as militâncias estão com os pavios acesos.

Mais uma eleição se aproxima no nosso país. Está logo ali, no calendário, marcada para outubro de 2026. Confesso que continuo sem compreender por que o Brasil ainda mantém esse modelo eleitoral com pleitos a cada dois anos, gerando despesas enormes para os cofres públicos. É um custo altíssimo para a nação, algo que poderia ser racionalizado com um calendário unificado. Mas, já que a realidade é essa, precisamos compreender o cenário que se apresenta.
E tudo indica que teremos novamente uma eleição extremamente polarizada, marcada muito mais pela disputa de poder do que pelo debate de ideias. Refiro-me principalmente à eleição presidencial, na qual o presidente Lula buscará a reeleição, enquanto, no campo da direita, pelo andar dos acontecimentos, deverá surgir como principal representante um nome ligado diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro, possivelmente um de seus filhos.
O Brasil já viveu esse ambiente em eleições recentes. Dois polos bem definidos, um identificado com a direita e outro com a centro-esquerda, embora, na prática, muitas vezes a questão ideológica fique em segundo plano e o que prevaleça seja a luta pelo poder. E isso é lamentável, porque uma eleição deveria ser um grande momento pedagógico para a sociedade, uma oportunidade de debater projetos de país, conceitos, caminhos econômicos, sociais e institucionais.
Eu próprio tenho o privilégio de participar de grupos onde convivem pessoas com visões políticas diferentes aqui em Vitória da Conquista, e é enriquecedor ler argumentos de um lado e de outro. Aprende-se muito quando há respeito, quando há conteúdo, quando há reflexão. Esse deveria ser o espírito também dos debates públicos na televisão, no rádio e nas redes sociais. Disputar para ver quem apresenta as melhores propostas para o país, sobretudo para melhorar a vida das classes menos favorecidas.
Mas o que se desenha, infelizmente, é um ambiente de confronto duro, ataques pessoais, radicalização das militâncias e narrativas inflamadas. Os pavios já estão acesos. A tendência é que a temperatura política aumente ainda mais à medida que o calendário eleitoral avance.
Preparemo-nos, portanto. Não será apenas a eleição presidencial. Estarão em disputa também os governos estaduais, o Senado, a Câmara Federal e as Assembleias Legislativas. Um cenário amplo, complexo e decisivo para o futuro do país.
O risco é transformar a democracia em uma arena de confronto permanente, quase uma arena romana moderna, o que é uma pena, sobretudo para a juventude que deveria enxergar na política um espaço de construção coletiva e não apenas de guerra entre adversários.
Tomara que ainda haja espaço para o bom senso. Tomara.















