Já é de conhecimento público que o Partido dos Trabalhadores fará o lançamento oficial de uma chapa puro-sangue para continuar no comando administrativo do Estado da Bahia. O que chama a atenção é que o partido decidiu enfrentar uma situação que, à primeira vista, parecia caminhar para a normalidade, dentro da expectativa de manter unida a base que sustenta o governo do governador Jerônimo Rodrigues.

O cenário, no entanto, tornou-se mais complexo. São quatro nomes que gravitam nesse mesmo campo político e que desejam ocupar espaços de protagonismo nessa constelação de siglas que compõem o atual governo, cuja principal liderança nacional é o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Todos são nomes com densidade política e eleitoral. O ministro Rui Costa, ex-governador da Bahia, já deixou claro que pretende disputar uma vaga no Senado. O senador Jaques Wagner, também do PT, segue no mesmo caminho. Ambos já se colocaram publicamente como pré-candidatos.

O governador Jerônimo Rodrigues, por direito e por posição institucional, é o nome natural à reeleição ao Governo do Estado. E, fechando esse quadro, surge o senador Ângelo Coronel, do Partido Social Democrático, partido que tem como principal liderança na Bahia o senador Otto Alencar.

O PSD, vale lembrar, administra mais de cem municípios baianos, o que lhe confere um peso político expressivo dentro da base governista. Diante disso, a pergunta que se impõe é inevitável: como reagirá Otto Alencar caso o nome de Ângelo Coronel seja preterido na composição da chapa majoritária?

É nesse ponto que cabe a célebre indagação “E agora, José?”, eternizada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade e que, simbolicamente, traduz bem o momento vivido. E agora, perguntam os bastidores da política baiana: e agora, Ângelo Coronel?

A pergunta faz sentido neste instante histórico. O PT sabe exatamente o tamanho do desafio que tem em mãos. Resta acompanhar o desenrolar dessa equação delicada e observar qual será a postura do senador Ângelo Coronel, que já anunciou, de forma clara e reiterada, em diversas regiões do estado, que é candidato à reeleição ao Senado.

A política segue em movimento. E, como sempre, as próximas cenas prometem novos capítulos.