Otto não abre mão da candidatura de Ângelo Coronel na chapa governista. “Ele é fundador do PSD na Bahia, e o partido seguirá com ele.” O recado é para o PT.

A política é um dinamismo fora do comum. A velocidade com que os fatos se movem é impressionante, perdendo talvez apenas para a velocidade da luz. A Bahia inteira sabe, e eu diria que o Brasil também, da lealdade histórica do senador Otto Alencar, do PSD, ao grupo governista e, em especial, ao Partido dos Trabalhadores.
O PSD, conhecido como o partido do número 55, detém mais de cem prefeituras na Bahia. Não é algo recente. Portanto, qualquer rompimento, que não é o caso, por parte de Otto Alencar seria um desastre para o PT e para toda a base que sustenta o governo do Estado.
Se Otto resolvesse romper, o que não se desenha no horizonte, o impacto seria profundo. A base governista ficaria estremecida. Ninguém saberia, com clareza, para onde iriam partidos como PSB, PCdoB, Avante e outros aliados. O PT poderia acabar isolado, algo que politicamente seria extremamente arriscado.
O que acontece agora na Bahia é algo comum na política: poucos espaços para muitas pretensões. Esse é o ponto central do embate. Mas uma coisa é absolutamente real e incontestável: a lealdade de Otto Alencar é um princípio, não uma conveniência.
Tive a oportunidade de conversar com o senador em eleições passadas, e ele sempre foi muito claro. O compromisso do PSD é com o governo, e o partido seguirá ao lado do PT. Essa posição nunca foi condicionada a cargos ou vantagens momentâneas.
Justamente por ser leal ao governo, Otto também se sente no dever de ser leal ao seu partido e, sobretudo, ao senador Ângelo Coronel, que tem o desejo legítimo de continuar no Senado Federal. É aí que reside o impasse.
O PT trabalha com a possibilidade de montar uma chapa considerada puro-sangue, com Jerônimo Rodrigues disputando a reeleição ao governo e dois nomes fortes para o Senado, como Rui Costa e Jaques Wagner. Nesse desenho, Ângelo Coronel ficaria de fora.
E isso Otto não admite. Ele deixa claro que Ângelo Coronel é fundador do PSD na Bahia, tem história, tem mandato e tem prioridade. A posição do senador é firme: o PSD seguirá com Ângelo Coronel, e o partido não abrirá mão dessa candidatura.
O recado está dado ao PT. Cabe ao Partido dos Trabalhadores resolver suas questões internas sem atropelar a candidatura do PSD e sem criar fissuras numa base que, até aqui, sempre se manteve unida.
Portanto, o problema está posto. Agora é o PT quem precisa encontrar a solução.
















