Lembro-me muito bem de que, durante a pandemia, eu me reportei aqui em nosso blog e também no nosso programa de rádio
Agito Geral, apresentado na Rádio Up 100.1, de segunda a sexta-feira, às 19 horas. Naquele período, comentei que a pandemia nos trouxe uma realidade que estávamos acostumados a ver apenas nos livros de história, em reportagens antigas, em registros de décadas atrás e que, por incrível que pareça, passávamos a vivenciar de forma concreta.

Estávamos diante de um número alarmante de perdas de vidas em razão de um vírus terrível, que enlutuou tantas famílias pelo mundo afora, inclusive aqui no Brasil. A pandemia chocou a todos nós. Vitória da Conquista assistiu de perto à partida de muitas pessoas amigas, queridas, vítimas do coronavírus.

Eu dizia, então, que aquilo que parecia conto de livro de história, memória distante ou notícia de catástrofes registradas em arquivos antigos, estava acontecendo diante dos nossos olhos. Pandemias que dizimaram populações inteiras agora faziam parte do nosso cotidiano, aqui no país, no Brasil e, evidentemente, em nossa cidade.

Hoje, estamos diante de um outro quadro que também nos parecia distante: a geopolítica internacional. Lembramos bem do período da Guerra Fria, quando o mundo vivia sob tensão constante. Não se sabia se se alinhava à Alemanha ou aos Estados Unidos, falo aqui, sobretudo, para os mais antigos. O planeta vivia em permanente sobressalto.

Parecia que, com o passar dos anos, as coisas haviam se acomodado, que os ânimos tinham arrefecido e que tudo caminhava para uma normalidade duradoura. Ledo engano. O mundo continua movido por interesses imediatos, pela busca incessante de poder, pelo domínio econômico e pela sobrevivência política de nações e líderes.

E o que vemos agora? Assistimos à intervenção dos Estados Unidos, por decisão do presidente Donald Trump, na Venezuela, um país do nosso continente, extremamente próximo, que faz fronteira direta com o Brasil. Ou seja, aquilo que parecia distante está logo ali.

As tensões estão próximas demais para serem ignoradas. Tenho recebido inúmeras solicitações para que eu publique em nosso blog matérias sobre esse episódio envolvendo a Venezuela. E essas solicitações vêm de todos os lados: da esquerda e da direita.

São narrativas duras, graves, carregadas de tensão, de ambos os espectros políticos. Por isso, é preciso cautela, equilíbrio e, acima de tudo, informação. A população precisa estar esclarecida para que não sejamos empurrados, pela desinformação ou pela paixão ideológica, para um cenário de conflito ainda maior.

O momento exige reflexão, responsabilidade e serenidade.