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Encontros

Edvaldo

Por Edvaldo Paulo de Araújo

Meu trabalho fica na parte central ou na praça central de minha cidade, Vitória da Conquista Bahia. Brinco com os amigos que, quando me desloco a pé por essa parte da cidade, demoro horas num pequeno trecho que, indo direto, o faria em alguns minutos. Por quê? Porque encontro amigos que, há muito, não os via. Não consigo deixar de parar, abraçá-los, saber onde estão, saber como está a sua vida e sua família; é meu jeito; não consigo ser diferente. Num dia chuvoso e bastante frio, sai do trabalho e fui comprar uma medicação; e encontrei um querido e amado amigo, Luís Cangussu, que, há muitos anos, não via; foi um momento de muita emoção ao me contar de situações terríveis pelas quais passou ao contrair a COVID. Seus olhos brilharam emocionados por estar vivo, na plenitude de sua vida. Emocionado, disse a ele quanta alegria por encontrá-lo e por ele estar bem.

Outro dia, numa madrugada bastante nublada com aquela nevoa que não permitia enxergar quase nada, ia buscar lenha na fazenda de um amigo e precisava deixar a carga que estava na minha camionete num terreno de nossa propriedade no alto e próximo à estrada por que viajaria. Na dificuldade de abrir o portão, vi que vinham duas pessoas conversando em uma bicicleta. Sem reconhecê-las, pedi ajuda, e um deles, de prontidão, me respondeu: – “Filhos de Jesus têm que se ajudar. “Quando desceu da bicicleta, um deles falou: – Que bom que é o senhor Edvaldo Paulo! Quando o fitei, logo reconheci o Senhor Abílio, que trabalhou comigo. Fiquei muito alegre ao revê-lo, pois tinha realmente muitos anos sem o encontrar. Ajudaram-me a abrir o portão. Quando finalizou a tarefa, ele me disse da alegria de ter-me encontrado e solicitou que fizéssemos uma oração. De mãos dadas, oramos a oração que Jesus nos ensinou. Senti-me tão feliz, tão abastecido de energia, tão emocionado, tão completo com aquele encontro e aquela oração!

Na estrada, dirigindo sozinho, fui recordando do encontro com meu amado amigo Humberto Flores no ano passado. Humberto, de saudosa memória, um gentleman: espirituoso, alegre, sempre de bem com a vida, com quem sempre fazia uma brincadeira para elogiá-lo. Dizia que ele era uma arvore frondosa na beira de uma estrada na fazenda, de quem, com o calor imenso que estava, ao ficar à sua sombra, não queríamos mais nos afastar. Assim era a pessoa dele; sempre tão cativante, agradavelmente educado, de uma personalidade inigualável. Ao falarmos da pandemia, pois estávamos a atravessando, ele proferiu uma frase inesquecível: “Quando eu for embora para o outro lado da vida, no momento em que você chegar lá, farei uma grande festa.” Lembrei das nossas conversas. Despedimo-nos no final daquela tarde e aquele foi nosso último encontro. Graças a Deus, tive a oportunidade de dizer ao meu amigo o quanto lhe queria bem, do carinho e da amizade que lhe dedicava, o que ele retribuiu prontamente.

Lembrei-me uns dizeres, que peço desculpas por não saber quem é o autor. Tal pensamento é muito forte na minha vida: “A brasa só queima quando está perto da fogueira. Por isso, mantenha-se próximo de pessoas que te inspirem, que te encantem e que te façam ter vontade de ser uma pessoa melhor”. Sou assim, cultivo de todo o coração, meus amigos; considero o encontro com eles uma parada obrigatória.

Acho que já disse isso em algum texto meu: “Os amigos é a forma de Deus cuidar de nós”. Também não sei quem é o autor. Os amigos, os encontros agradáveis, são comparáveis ao bem maior, o amor divino. O mestre Divaldo Franco, numa frase celebre, diz: “O mal não tem vida própria. É apenas a ausência do bem. Onde o bem se faz presente, o mal bate em retirada.” Parece-me que ele citava Santo Agostinho. Encontros, abraços, palavras gentis, o interesse pelas pessoas, tudo isso é o bem fazendo estada no coração de quem o faz, é energia positiva espalhando-se, como perfume, pelas pessoas que assim agem, numa verdadeira manifestação de amizade e afeto.

Esses dias, li um texto, onde se dizia que há uma pesquisa em Havard (Boston, Estados Unidos da América), de mais de 180 anos atrás, que me deixou a pensar e bastante motivado ainda mais de continuar com esse meu jeito de ser. A pesquisa abrange um horizonte do nascimento até o desenlace. Foram dezenas de pessoas pesquisadas ao longo desses anos. Diz o autor da reportagem que o resultado final é inusitado. Todas as pessoas pesquisadas – e não são poucas – no final de suas vidas, não se sentem realizados por terem casado com pessoas maravilhosas, por terem filhos, por terem netos, por terem ganho milhões de dólares, por terem patrimônios riquíssimos, por terem todo tipo de conforto, mas são unanimes ao dizerem o que mais valeu a pena: OS ENCONTROS COM OS AMIGOS. Tocou-me sobremaneira esse resultado.

Pedalo por estes caminhos, fazendas, estradas para lugarejos, em volta da minha cidade com meu amigo Onildo Oliveira. Tenho em mente que todas as pessoas necessitadas que conheço é uma oportunidade de ajudá-las nas suas dificuldades. Na nossa pedalada, acontecem muitos encontros. Outro dia, conhecemos um senhor deficiente, diabético, de um estado triste de pobreza. Prometi a ele que voltaria lá algumas vezes. Voltei efetivamente, mas não o encontrei. Temos vários fatos que demandariam muitas linhas para contar. Digo sempre a meu amigo: esses encontros são Deus que nos proporciona; e é nossa obrigação ajudar e usar nosso conhecimento e condição para ajudar.

Gosto muito de promover encontro em minha casa com amigos. Sempre que posso, ligo para alguns e digo: – Vamos almoçar uma comidinha feita no fogão de lenha na minha casa. Há alguns dia fiz isso com um casal que estava em visita à minha cidade: Pedro e Anamar, amigos de mais de 30 anos. Aproveitei e convidei também três grandes amigos: Coronel Ivanildo, Jeane sua esposa e a Tenente Alice, amigos do coração. Quando lá estavam, Ivanildo recebeu um telefonema de um amigo comum. Após tratar do assunto, passou a ligação para mim, e o amigo do outro lado me disse assim: – “Poxa, fazendo festa em plena terça-feira e ainda, por sua vez, não me convida?”. Dei risada.

Encontros com pessoas são sempre um motivo de festa; pessoas que te ensinam, que te cativam. Como diz o Mestre Divaldo Franco: “Não percamos a oportunidade com que a vida recheia nossas vidas”. A todo instante onde vamos, onde estejamos, sejamos cativantes, educados, serenos e façamos como diz Leo Buscaglia: “Onde estiverem, seja a alma desse lugar”. Busquemos sempre o caminho da luz, abençoemos sempre quem está à nossa volta, pois todos nós carregamos nossos anseios, dúvidas, dores, dificuldades; ser gentil, positivo, sempre ajuda a quem está contigo naquele momento e naquele encontro. Deus, na sua infinita bondade, na sua infinita inteligência criativa, não nos fez pra ser tristeza, não nos fez para sermos pessoas ruins; somos irmãos, somos todos irmãos e, por isso foi, a vinda do seu filho mais querido para nos ensinar sermos sublimes. Jesus fez isso à custa de sua vida, da maneira mais dolorida.

Os encontros são sempre oportunidades de renovar a amizade, de fazer com que nos emocionemos, proporcionar alegrias imensuráveis, de deixar nossa humanidade sublime ser renovada.

Encontros são providências divinas para que sejamos sempre, em toda plenitude, pessoas humanas do bem e do amor.

4 respostas para “Encontros”

  • ONDE ESTA VOCE says:

    FANTASTICO
    FORMIDAVEL
    ESPLENDIDO TEXTO,
    CULTIVO ESSA ROTINA ADOROOO, E DEMAIS
    CONTINUE TAMBEM ESCREVENDO ESTES BELOS TEXTOS
    DEUS ABENCOE SEMPRE

  • David Azevedo says:

    Excelente texto amigo, a vida é para ser vivida, na simplicidade,na comunhão com Deus, e seus ensinamentos a amizade, forma um círculo de energia, ajudando a fortalecer nossa luta pela vida!

    Grande abraço, e que estejamos sempre nas graças do mestre JESuS!

  • Antônio Marcos Zandomenighi says:

    Texto fantástico, parabéns.

  • Saulo Meira says:

    Este texto é uma celebração encantadora e sincera da importância dos encontros humanos e das conexões pessoais. O autor, com sua narrativa vívida e emocionante, destaca a beleza dos encontros cotidianos em Vitória da Conquista, Bahia, mostrando como essas interações enriquecem sua vida. Ele habilmente capta a essência da alegria e do significado encontrados em simples conversas e reuniões inesperadas, lembrando-nos da importância de valorizar os relacionamentos e o tempo que passamos com os outros. O texto é um lembrete poético e poderoso da beleza e do valor da amizade e da comunidade humana.

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alessandro tibo


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